Capítulo 4

1085 Words
Eu tinha mentido descaradamente para ela, e isso tinha sido tão ridículo da minha parte, que me questionei sobre minha própria sanidade, — mas agora tudo que eu podia fazer, era tentar evitar o papel de palhaço, ou seja: aparecer com uma linda namorada no casamento da mulher que eu ainda amava. — O que você quer dessa vez, Evans? — Raphael já apareceu perguntando com aquele tom irritante e cheio de si enquanto se sentava a minha frente. — Eu tô fodido, — Resmunguei encarando a bebida na minha mão. — Dandara? Eu travei e isso fez ele revirar os olhos. — Ela vai se casar... — eu falei com pesar e Raphael sibilou. — E você não sabia disso, i****a? Achou que a Dandara ia te esperar pra sempre, alecrim dourado? Eu sabia. Sabia que Dandara tava seguindo a própria vida, mas isso não diminuía em nada a sensação de traição e dor. Eu nunca desejei que ela ficasse me esperando ou... implorando pelo meu amor, mas queria que ela ao menos fosse mais compreensiva comigo, mais doce. — Ela me convidou pro casamento. — Eu falei e Raphael gargalhou. — Que mulher sem coração, eu realmente adoro ela..., mas o que o cu tem haver com as calças? — Ele perguntou e eu grunhi. — Eu... — eu tinha vergonha de admitir, mas naquele momento era necessário, — eu falei pra ela que tinha superado e que agora tava com outra garota. Uma... namorada. Falei de uma vez, como tirar um band-aid, e Raphael que já ria da minha desgraça, começou a bater no balcão enquanto chorava de tanto rir. — Seu mentiroso de uma figa! — Ele gritou e eu quis enfiar minha cara no chão, — e o que você vai fazer? Vai arrumar um compromisso de última hora? Vai pagar uma acompanhante ou mentir dizendo que a garota não foi? Raphael me perguntou, me dando todas as opções existentes e eu grunhi. Nenhuma delas era realmente útil, porque Dandara saberia de cara que eu havia mentido e isso tornaria seu casamento e a minha mentira — mais humilhante do que já era. — Eu vou levar a minha namorada, — eu disse sem rodeios e Raphael ergueu uma das sobrancelhas. — Evans, eu sei que você se acha a p**a de ouro, mas... eu tenho certeza que nenhuma louca aceitaria namorar com você depois de um dia, apenas para ir na festa de casamento da sua ex. — Ele falou e eu me forcei a sorrir. — Eu só preciso que ela acredite nesse namoro, não preciso de uma namorada de verdade. Raphael riu. — Você é realmente burro, não é? Isso vai dar merda... mas como eu adoro ver você se fodendo, vamos lá, eu te ajudo, — ele falou com um braço no meu ombro, apenas para roubar meu celular e começar procurar por pessoas que aceitariam essa tal proposta indecente. (Como ele adorou chamar). Ele sugeriu alguns contatos que obviamente aceitariam qualquer coisa por uma noite comigo, — mas todas que acabamos cogitando, seriam descobertas por Dandara depois de uma conversinha qualquer, afinal, nenhuma daquelas mulheres eram exatamente inteligentes. Então depois de 30 minutos, eu me vi derrotado, sentado naquele maldito balcão do bar, — sem ao menos uma ideia de quem chamar. — Dandara conhece todas! — Raphael disse com certa irritação, — pra isso dar certo, tem que ser alguém com quem ela nunca cruzou. Ele concluiu e eu me dei conta do quão fudido eu realmente estava. Mas como um flash, Lilia Magalhães brotou em minha mente. Ela era bonita, tinha aquele olhar afiado e uma boquinha perigosa. “Mas ela não...” eu pensei e me dei conta de que junto com o estágio, Lilia que era bolsista, também perderia sua chance de permanecer na faculdade. Um enorme sorriso tomou conta dos meus lábios. — Acho que talvez eu conheça alguém... — falei com certa empolgação e Raphael uniu as sobrancelhas em descrença. — Impossível, como você pode conhecer alguém que eu não conheço? — Ele perguntou incrédulo. — Porque diferente de você, eu trabalho, — respondi de forma direta e ele bufou. — Cuidado em? Assediar funcionárias é crime, — ele zombou. — Acha mesmo que eu faria uma merda dessas? Eu tô falando de negócios, Raphael! — Resmunguei pegando meu celular da mão dele. Eu apenas liguei para Wanessa, para ela pedir para o RH pegar o número de Lilia para que eu pudesse conversar com ela, e me encontrar com ela para falar sobre a proposta. Claro, eu teria que me preparar primeiro para que isso acontecesse, afinal, como eu mesmo expliquei para Raphael, eu trataria de negócios com Lilia. Sendo assim, eu faria um contrato com todas as condições, e todos os benefícios que ela poderia vir a receber se aceitasse aquele acordo, — que até mesmo eu tinha que reconhecer que... parecia ser algo i****a e completamente infantil. Mas, era a única alternativa que me restava, e quando Wanessa mesmo com claro desdém em sua voz conseguiu o que eu queria, eu liguei para Lilia, enquanto Raphael me julgava com aqueles olhos verdes e um sorriso cheio de malicia. — Lilia Magalhães? — Eu perguntei com nítido nervosismo em meu tom. — Sim, quem fala? — Ela pareceu não reconhecer a minha voz, o que parecia explicar ela não ter desligado de cara. — Mizael Evans, e eu acho melhor você me escutar, eu tenho uma boa proposta para te fazer. — Eu resumi para ela, e quando eu vi que Lilia soltou um suspiro longo, eu senti que poderia continuar, — eu quero te dar outra chance na minha empresa. — Como? — Lilia perguntou incrédula, com clara indignação em seu tom, — você quer me dizer que você deu todo aquele piti mesmo sabendo que nada daquilo era a minha culpa para me ligar na maior cara de p*u? Faça-me o favor, senhor Evans! — Escuta aqui-... — Te escutar? Vai a merda! — Ela me falou antes de desligar na minha cara, e eu fiquei olhando para a tela do meu celular como um completo i****a, me questionando como aquela mulher teve a ousadia de me tratar daquela forma. — Meu amigo, cê tá fudido. — Raphael falou com um sorriso sarcástico. — Cala a boca! — Soltei com raiva, a minha mão tacando os meus fios para trás, — eu vou fazer essa mulher aceitar esse contrato de um jeito ou de outro!
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