ANANDA Quando voltei para a loja, vi a mulher de costas. Mas não precisava que ela se virasse para saber quem era. A postura rígida, os cabelos impecavelmente alinhados, a bolsa cara equilibrada no antebraço. Victoria. Ela se virou devagar, o olhar varrendo a loja antes de pousar em mim. Seu nariz enrugou ligeiramente, como se o ambiente não fosse adequado para sua presença. Seus olhos passaram de um canto ao outro, analisando, julgando, encontrando cada mínimo detalhe que não atendia aos seus padrões. Por fim, seu olhar caiu sobre mim, e o leve arquejo de sobrancelha denunciou o que ela pensava. Inferior. Definitivamente, uma bruxa. — Então, essa loja é sua? — ela disse, a voz carregada de desdém. Senti minha coluna se enrijecer, mas mantive o queixo erguido. Se ela veio até aqui,

