PEDRO Voltei antes do sol. Aquela hora estranha do dia em que o céu não é mais noite, mas também não tem coragem de ser dia. A ilha ainda dormia, e eu invejava isso. A paz do inconsciente. O descanso de quem não tem um mundo para desmoronar nas próximas horas. O portão eletrônico se abriu com um zumbido discreto, e a fachada da casa dos meus pais me recebeu com seu habitual silêncio monumental. Cruzei a entrada principal em silêncio, os sapatos na mão, tentando não fazer barulho. A casa estava escura. Subi as escadas em silêncio, evitando o quinto degrau que sempre range. O quarto de Tomas estava com a porta entreaberta. Entrei devagar. Ele dormia profundamente, com a mão fechada num punho miúdo e a boca levemente aberta, como se respirasse sonhos. Era lindo. Era inocente. Era a maior

