ANANDA Pedro me esperava no jardim quando voltei da caminhada com Nataniel. Estava encostado no batente, os cabelos bagunçados pelo vento, os olhos semicerrados, como se tentasse decifrar o que eu trazia por dentro antes mesmo que eu dissesse qualquer coisa. — Tudo bem? — ele perguntou, a voz baixa, rouca. Cansada. Assenti. Sorri como se não houvesse mil perguntas dentro de mim. — Só precisava respirar um pouco. Ele me puxou pela cintura e me beijou no rosto, demoradamente. Não perguntou mais nada. Não insistiu. E, por algum motivo, isso me doeu mais do que se tivesse feito um escândalo. Ele confiava em mim. Completamente. E eu estava prestes a quebrar isso… ainda que fosse pra protegê-lo. Naquela noite, o Pedro de todas as minhas versões voltou. Ele me despiu devagar, com fome e

