Capítulo 46

1128 Words

ANANDA São três e quarenta e dois da madrugada. Eu sei porque encaro o relógio pela quinta vez em menos de dez minutos. A cama está quente demais, fria demais, ou talvez seja só minha cabeça tentando justificar o desconforto. Me viro de lado, depois para o outro. Arrumo o travesseiro. Puxo o lençol. Jogo o lençol. Me levanto, ando até a janela, volto. Nada funciona. O sono não vem. Fazem três dias desde que saí daquele hospital. Três dias que parecem semanas. E ainda assim, toda vez que fecho os olhos, eu vejo ele. Parado. Me olhando. Aqueles olhos cheios de culpa, como se me implorasse por alguma coisa que nem ele conseguia nomear. Mas eu não podia ficar. Se eu ficasse, teria gritado, ou chorado, ou pior, teria perdoado. E eu não estava pronta para isso. Ele não merece meu perdão.

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