PEDRO O portão da casa de Ananda rangeu quando empurrei, como se protestasse contra minha presença. Meu coração batia no ritmo de um tambor acelerado. Eu vim aqui com um propósito, e cada passo em direção à porta me lembrava disso. Era agora. Ananda precisava saber a verdade sobre Tomas e Mariah. Mas o que encontrei ao cruzar a soleira fez meu corpo travar. A cena parecia deslocada da realidade: Dona Virgínia estava no meio da sala, com os cabelos desgrenhados e os olhos arregalados, o peito subindo e descendo como se estivesse afogando no ar que respirava. Quando no encontramos antes. ela sempre agia com calma, carregando um olhar sereno e distante. Era difícil conciliar essa imagem com a mulher à minha frente, tomada por um pânico feroz. Ananda tentava contê-la, segurando os ombros d

