PEDRO A porta do escritório se fechou com um clique discreto, isolando-nos do burburinho da empresa. Diego se jogou na cadeira à minha frente, jogando um olhar preguiçoso para mim enquanto girava a caneta entre os dedos. — Você está insuportável — ele disse, como se estivesse narrando a previsão do tempo. — Já faz dez minutos que estou falando e você não ouviu nada. Me diz, Pedro, como é viver no mundo das sereias? Resmunguei, passando a mão pelo rosto. Ele estava certo. Minha mente estava a quilômetros dali, mais especificamente em uma casa simples, onde um furacão de cabelos escuros e olhos tempestuosos morava. Onde eu passava as noites roubando beijos escondidos e segurando-a contra mim como se fosse minha âncora. — Eu ouvi — tentei argumentar, me inclinando para pegar alguns papéis

