Dante não conseguiu ir embora. Ficou na esquina oposta, escondido atrás de uma coluna de concreto, observando a porta da cafeteria como um predador faminto. Ou como um fantasma. Ele já não sabia mais a diferença. Quando Helena saiu, ele acompanhou cada passo seu com os olhos, sentindo o peito apertar a cada metro que ela se afastava dele. Ela caminhava firme, cabeça erguida, mas ele conhecia aquele corpo melhor do que o próprio. Viu quando ela parou na esquina, quando a mão foi até a barriga — um gesto quase imperceptível, instintivo. Viu quando ela respirou fundo, como se se preparasse para algo. E ele ficou ali, paralisado, sentindo-se morrer por dentro. Helena sentia os olhos dele em suas costas. Não precisava se virar para saber. Aquela sensação de queimadura, aquela eletricidade

