Olhos que nunca esquecem

474 Words
Capítulo 11 — Olhos que Nunca Esquecem Na manhã seguinte, a universidade estava mais movimentada do que o normal. Funcionários caminhavam apressados pelos corredores, organizando tudo para a visita de um importante empresário que faria uma doação para novos projetos da Faculdade de Direito. Os alunos comentavam entre si, curiosos. — Dizem que ele é bilionário. — Também ouvi que quase nunca aparece em público. — Parece que vem cercado de seguranças. Clara ouviu os comentários enquanto guardava um livro no armário. — Quem será? Mariana deu de ombros. — Não faço ideia. Só espero que isso não atrase as aulas. As duas seguiram para a sala. --- Enquanto isso... Um comboio de carros pretos entrou lentamente no estacionamento da universidade. Homens de terno desceram primeiro. Examinaram todo o local. Só então abriram a porta do carro principal. Vittorio Moretti saiu com passos firmes. Seu olhar era frio e calculista. Ao seu lado caminhava Lúcio, igualmente sério. — A reunião será rápida — disse Vittorio, sem olhar para o filho. — Entendido. Os dois seguiram pelo corredor principal, acompanhados pelo diretor da universidade. --- Na mesma hora... Clara e Mariana saíam da biblioteca. Enquanto conversavam, Clara acabou esbarrando sem querer em um dos seguranças. — Desculpe! O homem apenas deu um passo para o lado. Nesse instante, Vittorio virou o rosto. Seus olhos encontraram os de Clara por um breve segundo. Ela sentiu um arrepio inexplicável. Vittorio também a observou por um instante, como se tentasse recordar de onde conhecia aquele rosto. Mas o diretor continuou falando, chamando sua atenção. Ele seguiu em frente. Clara soltou o ar que nem percebera estar prendendo. — Que homem assustador... — murmurou. Mariana concordou. — Muito. Atrás do g***o, Lúcio tinha visto toda a cena. Por um momento, seu coração acelerou. Se Vittorio reconhecesse Clara ou decidisse investigar quem ela era, tudo poderia mudar. Mas, felizmente, seu pai continuou andando. Sem fazer perguntas. Lúcio disfarçou o alívio e manteve a expressão impassível. --- Após a reunião... Vittorio entrou novamente no carro. Antes que a porta fosse fechada, olhou para Lúcio. — Aquela estudante... Lúcio permaneceu calmo. — Qual delas? — A de cabelos castanhos. Por um instante, o tempo pareceu parar. — O que tem ela? Vittorio respondeu naturalmente: — Nada. Apenas achei que já a tivesse visto em algum lugar. Lúcio sustentou o olhar do pai. — Deve ter sido impressão. Vittorio permaneceu em silêncio por alguns segundos. Depois assentiu. — Talvez. O carro partiu. Lúcio observou o comboio desaparecer pelo portão da universidade. Só então respirou discretamente. Pela primeira vez, percebeu que esconder Clara não seria apenas uma escolha. Poderia se tornar uma necessidade. Sem imaginar que, naquele mesmo dia, Clara decidiria finalmente procurar um médico para confirmar quantas semanas de gravidez tinha... e essa resposta mudaria completamente a forma como ela encarava o futuro.
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