Capítulo 32 — De Volta à Mansão
Clara permaneceu imóvel diante da imensa mansão.
Seu coração batia cada vez mais rápido.
Havia algo naquele lugar que despertava uma sensação estranha.
Um misto de medo... e uma familiaridade que ela não conseguia explicar.
Ela respirou fundo antes de subir os degraus da entrada.
A grande porta de madeira abriu-se.
Alessandro apareceu.
— Senhorita Clara. Seja bem-vinda.
Ela tentou sorrir.
— Disseram que haveria uma reunião beneficente.
Alessandro fez um gesto para que ela entrasse.
— O senhor Vittorio explicará tudo.
Ao ouvir aquele nome, Clara sentiu um leve aperto no peito.
Mesmo assim, entrou.
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Enquanto caminhava pelos longos corredores da mansão, imagens desconexas passaram por sua mente.
Um lustre de cristal.
Música.
Pessoas conversando.
Um corredor iluminado.
Ela levou a mão à cabeça por um instante.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Alessandro.
Clara respirou fundo.
— Não... só tive a impressão de já ter visto este lugar.
Alessandro não respondeu.
Apenas continuou caminhando.
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No escritório...
Vittorio aguardava em silêncio.
Quando Clara entrou, ele levantou-se.
— Senhorita Mendes.
— Senhor Moretti.
Ele indicou uma cadeira.
— Sente-se, por favor.
Clara obedeceu, ainda desconfiada.
— Disseram que era uma reunião da universidade.
Vittorio manteve a expressão calma.
— Peço desculpas pela forma como a trouxe até aqui.
Ela franziu a testa.
— Então... não existe reunião?
— Não.
Clara levantou-se imediatamente.
— O senhor mentiu para mim?
Vittorio permaneceu tranquilo.
— Precisava conversar com você.
— Sobre o quê?
Ele a encarou diretamente.
— Sobre o anel que está em sua posse.
Clara ficou em silêncio.
Sem dizer uma palavra, abriu a mochila e retirou o pequeno estojo.
Colocou-o sobre a mesa.
Depois abriu a tampa.
O anel de prata escura brilhou sob a luz do escritório.
Vittorio reconheceu o símbolo imediatamente.
Seu olhar endureceu.
— Onde conseguiu isso?
Clara respirou fundo.
— Eu já disse.
Numa festa.
— Nesta mansão?
Ela hesitou.
Depois assentiu lentamente.
— Sim.
Vittorio continuou observando o anel.
— Quem lhe entregou?
Os dedos de Clara começaram a tremer.
— Eu... não sei.
— Não lembra?
Ela fechou os olhos.
— Não.
Era a pura verdade.
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Nesse mesmo instante...
Do lado de fora da mansão, um carro preto parou bruscamente.
Lúcio desceu sem sequer desligar o motor.
Entrou rapidamente pela porta principal.
Um segurança tentou impedi-lo.
— Senhor Lúcio, seu pai está em uma reunião...
— Saia da frente.
A firmeza em sua voz fez o homem recuar.
Lúcio caminhou apressado pelo corredor.
Sabia exatamente para onde ir.
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Dentro do escritório...
Vittorio fez mais uma pergunta.
— Você saiu daquela festa sozinha?
Clara sentiu o coração acelerar.
As lembranças continuavam fragmentadas.
— Eu...
Antes que pudesse responder, a porta do escritório abriu-se com força.
Lúcio entrou.
Seu olhar foi imediatamente para Clara.
Ela estava assustada, mas aparentemente bem.
Ele respirou aliviado.
Depois voltou-se para o pai.
— Esta conversa termina agora.
Vittorio levantou lentamente os olhos para o filho.
Um silêncio pesado tomou conta do escritório.
Pela primeira vez...
Pai e filho estavam frente a frente, em lados opostos.
E Clara, sem compreender completamente a situação, percebeu que havia se tornado o centro de um conflito muito maior do que imaginava.