De volta à mansão

538 Words
Capítulo 32 — De Volta à Mansão Clara permaneceu imóvel diante da imensa mansão. Seu coração batia cada vez mais rápido. Havia algo naquele lugar que despertava uma sensação estranha. Um misto de medo... e uma familiaridade que ela não conseguia explicar. Ela respirou fundo antes de subir os degraus da entrada. A grande porta de madeira abriu-se. Alessandro apareceu. — Senhorita Clara. Seja bem-vinda. Ela tentou sorrir. — Disseram que haveria uma reunião beneficente. Alessandro fez um gesto para que ela entrasse. — O senhor Vittorio explicará tudo. Ao ouvir aquele nome, Clara sentiu um leve aperto no peito. Mesmo assim, entrou. --- Enquanto caminhava pelos longos corredores da mansão, imagens desconexas passaram por sua mente. Um lustre de cristal. Música. Pessoas conversando. Um corredor iluminado. Ela levou a mão à cabeça por um instante. — Aconteceu alguma coisa? — perguntou Alessandro. Clara respirou fundo. — Não... só tive a impressão de já ter visto este lugar. Alessandro não respondeu. Apenas continuou caminhando. --- No escritório... Vittorio aguardava em silêncio. Quando Clara entrou, ele levantou-se. — Senhorita Mendes. — Senhor Moretti. Ele indicou uma cadeira. — Sente-se, por favor. Clara obedeceu, ainda desconfiada. — Disseram que era uma reunião da universidade. Vittorio manteve a expressão calma. — Peço desculpas pela forma como a trouxe até aqui. Ela franziu a testa. — Então... não existe reunião? — Não. Clara levantou-se imediatamente. — O senhor mentiu para mim? Vittorio permaneceu tranquilo. — Precisava conversar com você. — Sobre o quê? Ele a encarou diretamente. — Sobre o anel que está em sua posse. Clara ficou em silêncio. Sem dizer uma palavra, abriu a mochila e retirou o pequeno estojo. Colocou-o sobre a mesa. Depois abriu a tampa. O anel de prata escura brilhou sob a luz do escritório. Vittorio reconheceu o símbolo imediatamente. Seu olhar endureceu. — Onde conseguiu isso? Clara respirou fundo. — Eu já disse. Numa festa. — Nesta mansão? Ela hesitou. Depois assentiu lentamente. — Sim. Vittorio continuou observando o anel. — Quem lhe entregou? Os dedos de Clara começaram a tremer. — Eu... não sei. — Não lembra? Ela fechou os olhos. — Não. Era a pura verdade. --- Nesse mesmo instante... Do lado de fora da mansão, um carro preto parou bruscamente. Lúcio desceu sem sequer desligar o motor. Entrou rapidamente pela porta principal. Um segurança tentou impedi-lo. — Senhor Lúcio, seu pai está em uma reunião... — Saia da frente. A firmeza em sua voz fez o homem recuar. Lúcio caminhou apressado pelo corredor. Sabia exatamente para onde ir. --- Dentro do escritório... Vittorio fez mais uma pergunta. — Você saiu daquela festa sozinha? Clara sentiu o coração acelerar. As lembranças continuavam fragmentadas. — Eu... Antes que pudesse responder, a porta do escritório abriu-se com força. Lúcio entrou. Seu olhar foi imediatamente para Clara. Ela estava assustada, mas aparentemente bem. Ele respirou aliviado. Depois voltou-se para o pai. — Esta conversa termina agora. Vittorio levantou lentamente os olhos para o filho. Um silêncio pesado tomou conta do escritório. Pela primeira vez... Pai e filho estavam frente a frente, em lados opostos. E Clara, sem compreender completamente a situação, percebeu que havia se tornado o centro de um conflito muito maior do que imaginava.
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