Capítulo 60 — A Casa dos Valenti
Naquela tarde, um carro enviado por Dante parou em frente à casa de Clara.
Ela já estava pronta.
Antes de sair, sua mãe aproximou-se.
— Está nervosa?
Clara sorriu de leve.
— Um pouco.
A mãe ajeitou uma mecha do cabelo da filha.
— Aproveite esse momento. Vocês têm muito tempo para recuperar.
Clara a abraçou.
— Obrigada, mãe.
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Durante o caminho, Clara observava a cidade pela janela.
Seu coração estava acelerado.
Ela nunca tinha visitado a casa do pai.
Na verdade...
Ela nunca tinha estado em nenhum lugar que fizesse parte da vida dele.
Depois de quase quarenta minutos de viagem, os grandes portões da propriedade Valenti começaram a se abrir.
Clara olhou pela janela, admirada.
O jardim era enorme.
Havia árvores antigas, fontes de pedra e caminhos cercados por flores.
O carro parou em frente à mansão.
Antes que Clara pudesse abrir a porta, Dante já descia os degraus da entrada.
Ele sorriu ao vê-la.
— Bem-vinda.
Clara sorriu de volta.
— Obrigada pelo convite.
Dante aproximou-se.
— Esta casa sempre teve uma parte esperando por você.
Ela ficou emocionada com aquelas palavras.
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Os dois começaram a caminhar pelos jardins.
Dante mostrava cada lugar com tranquilidade.
— Aquela árvore foi plantada pelo meu avô.
— Ali fica a biblioteca.
— E daquele lado está o vinhedo.
Clara ouvia tudo com atenção.
Era como descobrir uma parte da própria história.
Chegaram ao vinhedo.
O lugar era calmo.
O vento fazia as folhas das videiras balançarem suavemente.
Dante respirou fundo.
— Sempre venho aqui quando preciso pensar.
Clara sorriu.
— É bonito.
— Muito.
Os dois caminharam em silêncio por alguns minutos.
Depois Dante perguntou:
— Como está a faculdade?
Ela respondeu com um sorriso.
— Continuo gostando de Direito.
— Fico feliz.
Ele olhou para a filha.
— Você sempre foi muito determinada.
Clara riu baixinho.
— Mesmo sem o senhor por perto?
Dante abaixou os olhos.
— Eu estava mais perto do que você imaginava.
Ela percebeu a tristeza na voz dele.
Não insistiu.
Ainda haveria tempo para conversar sobre o passado.
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Ao voltarem para a mansão, Dante abriu uma porta de madeira no segundo andar.
— Quero mostrar uma coisa.
Clara entrou.
Era um quarto.
Ela olhou ao redor, surpresa.
Havia uma estante cheia de livros, uma escrivaninha e uma varanda com vista para os jardins.
Tudo parecia novo.
Dante falou com um leve sorriso.
— Este quarto sempre foi seu.
Clara ficou imóvel.
— Meu?
Ele assentiu.
— Desde que você nasceu.
A voz dele falhou por um instante.
— Eu nunca tive coragem de desfazê-lo.
Os olhos de Clara se encheram de lágrimas.
Ela caminhou lentamente pelo quarto, passando os dedos sobre os móveis.
— Então...
Ela olhou para o pai.
— O senhor sempre esperou que eu viesse?
Dante sorriu com tristeza.
— Todos os anos.
O silêncio tomou conta do ambiente.
Clara aproximou-se.
Sem dizer uma palavra, abraçou o pai.
Desta vez, foi ela quem tomou a iniciativa.
Dante fechou os olhos e retribuiu o abraço.
Pela primeira vez em muitos anos, pai e filha deixavam de ser apenas vozes em uma ligação mensal.
Começavam, enfim, a construir uma verdadeira família.