Capítulo 30 — O Relatório
Na manhã seguinte, Alessandro entrou no escritório de Vittorio carregando uma pasta.
— Senhor.
Vittorio fechou o documento que estava lendo.
— Descobriu alguma coisa?
Alessandro colocou a pasta sobre a mesa.
— Ainda não consegui identificar o pai da criança.
Vittorio franziu a testa.
— Continue.
— Mas encontrei algo que merece atenção.
Ele abriu a pasta.
Havia várias fotografias.
Todas tiradas discretamente durante a festa beneficente.
Em uma delas, Lúcio segurava Clara para impedir que ela caísse.
Em outra, os dois conversavam na varanda.
Vittorio permaneceu em silêncio.
Alessandro continuou:
— Nunca vi o senhor Lúcio agir dessa forma com ninguém.
O chefe da família Moretti observou as imagens por longos segundos.
Conhecia o filho.
Sabia que Lúcio nunca demonstrava preocupação sem motivo.
— Deixe-me sozinho.
— Sim, senhor.
Assim que Alessandro saiu, Vittorio voltou a olhar para a fotografia.
Pela primeira vez, uma possibilidade que antes parecia absurda começou a ganhar força.
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Na universidade...
Clara chegou mais animada.
O trabalho em dupla finalmente estava concluído.
Assim que entrou na sala, encontrou Lúcio organizando alguns livros.
— Bom dia.
Ele levantou os olhos.
— Bom dia.
Ela sorriu.
— Acho que sobrevivemos ao trabalho.
— Acho que sim.
Os dois riram discretamente.
Mariana, que observava a cena da porta, arregalou os olhos.
— Vocês... riram?
Clara ficou um pouco envergonhada.
— Foi só uma piada.
Mariana olhou para Lúcio.
— Preciso registrar esse momento.
Lúcio apenas balançou a cabeça, quase escondendo um novo sorriso.
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As aulas terminaram mais cedo naquele dia.
Quando Clara saiu da universidade, começou a chover forte.
Ela abriu a mochila procurando um guarda-chuva.
— Esqueci...
Mariana olhou para o céu.
— Eu também.
As duas preparavam-se para correr até o ponto de ônibus quando um carro preto parou diante delas.
Clara congelou por um instante.
A janela desceu lentamente.
Era Lúcio.
— Entrem.
Clara hesitou.
— Não precisa...
— A chuva só está aumentando.
Mariana olhou para Clara.
— Acho melhor aceitarmos.
Depois de alguns segundos, Clara concordou.
As duas entraram no carro.
Durante todo o trajeto, o silêncio predominou.
Até que Mariana resolveu quebrá-lo.
— Obrigada pela carona.
— Não há de quê.
Clara olhava pela janela.
Sem perceber, uma das mãos permanecia sobre o ventre.
Lúcio viu o gesto pelo espelho retrovisor.
Agora já não conseguia ignorar a suspeita.
Quando o carro parou diante da casa de Clara, Mariana desceu primeiro.
Clara abriu a porta.
Antes de sair, voltou-se para Lúcio.
— Obrigada... de verdade.
Ele apenas fez um leve aceno.
— Cuide-se.
Clara sorriu.
— Você também.
Ela entrou em casa.
Lúcio permaneceu parado por alguns segundos, olhando para a porta fechada.
Então arrancou com o carro.
Não percebeu que, do outro lado da rua, outro veículo estava estacionado.
Dentro dele, Alessandro observava tudo.
Inclusive o momento em que Clara desceu do carro de Lúcio.
Naquela mesma noite, Vittorio recebeu mais uma fotografia.
Desta vez, a imagem mostrava seu filho levando Clara até em casa.
Vittorio fechou lentamente a pasta.
E murmurou apenas uma frase:
— Lúcio... o que você está escondendo de mim?