Capítulo 5 — A Confirmação
Naquela noite, Clara m*l conseguiu dormir.
As palavras de Mariana não saíam da sua cabeça.
"Quando foi a tua última menstruação?"
Ela tentou fazer as contas várias vezes.
O resultado era sempre o mesmo.
Estava atrasada.
Muito atrasada.
Na manhã seguinte, Mariana apareceu cedo em sua casa.
Assim que Clara abriu a porta, encontrou a amiga segurando uma pequena sacola de papel.
— Trouxe um teste de gravidez.
Clara ficou em silêncio.
Seu coração começou a bater tão forte que parecia doer.
— Eu... eu tenho medo.
Mariana segurou suas mãos.
— Eu também. Mas precisamos saber a verdade.
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Alguns minutos depois...
As duas estavam no banheiro.
O silêncio era sufocante.
Clara fez o teste com as mãos trêmulas.
Depois o colocou sobre a pia.
As duas ficaram olhando para ele.
Um minuto.
Dois.
Três.
Nenhuma delas tinha coragem de se aproximar.
Foi Mariana quem respirou fundo e deu o primeiro passo.
Seu rosto perdeu a cor.
Ela olhou para Clara lentamente.
Os olhos estavam cheios de lágrimas.
— Clara...
A voz falhou.
— Deu... positivo.
O mundo pareceu parar.
Clara permaneceu imóvel.
Como se não tivesse entendido.
— Não...
Sussurrou.
— Deve estar errado...
Pegou a caixa.
Leu as instruções novamente.
Olhou para o teste.
Duas linhas.
Claramente visíveis.
Suas pernas fraquejaram.
Mariana a segurou antes que caísse.
Clara começou a chorar em silêncio.
— Eu... eu estou grávida...
Aquela frase parecia impossível de acreditar.
Ela levou as mãos ao rosto.
— Eu nem lembro do rosto dele...
As lágrimas escorriam sem parar.
— Nem da voz...
Mariana a abraçou com força.
— Nós vamos descobrir quem fez isso.
— Como?
A voz de Clara estava quebrada.
— Eu só tenho aquele cartão... e o anel...
Ela apertou os dedos contra o peito.
— Como vou contar ao meu filho quem é o pai dele... se eu nem sei quem ele é?
As duas permaneceram abraçadas por longos minutos.
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No mesmo horário...
Na Universidade...
Lúcio entrou na sala alguns minutos antes da aula.
Olhou automaticamente para a segunda fila.
A cadeira de Clara estava vazia.
Ele franziu discretamente a testa.
Quando o professor iniciou a chamada, ouviu:
— Clara Mendes?
Silêncio.
— Faltou.
Lúcio desviou o olhar para a janela.
Sem saber por quê, sentiu um incômodo estranho.
Era a primeira vez que ela faltava desde o início do semestre.
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Mais tarde...
Na mansão Moretti...
Vittorio caminhava pelo escritório enquanto conversava com alguns homens.
— A família Ricci voltou a movimentar mercadorias na zona leste.
— Devemos agir?
— Ainda não.
Lúcio entrou no escritório.
— Pai.
Vittorio fez um gesto para que os outros saíssem.
Assim que ficaram sozinhos, falou:
— Hoje à noite haverá uma reunião com os chefes das famílias.
— Estarei lá.
Vittorio observou o filho por alguns segundos.
— Você parece distraído.
Lúcio respondeu friamente:
— Impressão sua.
Mas, no fundo, seus pensamentos voltavam repetidamente para a cadeira vazia na universidade.
Sem saber que, naquele mesmo dia...
A mulher que ele fingia não conhecer acabara de descobrir que carregava o filho dele no ventre.