A confirmação

518 Words
Capítulo 5 — A Confirmação Naquela noite, Clara m*l conseguiu dormir. As palavras de Mariana não saíam da sua cabeça. "Quando foi a tua última menstruação?" Ela tentou fazer as contas várias vezes. O resultado era sempre o mesmo. Estava atrasada. Muito atrasada. Na manhã seguinte, Mariana apareceu cedo em sua casa. Assim que Clara abriu a porta, encontrou a amiga segurando uma pequena sacola de papel. — Trouxe um teste de gravidez. Clara ficou em silêncio. Seu coração começou a bater tão forte que parecia doer. — Eu... eu tenho medo. Mariana segurou suas mãos. — Eu também. Mas precisamos saber a verdade. --- Alguns minutos depois... As duas estavam no banheiro. O silêncio era sufocante. Clara fez o teste com as mãos trêmulas. Depois o colocou sobre a pia. As duas ficaram olhando para ele. Um minuto. Dois. Três. Nenhuma delas tinha coragem de se aproximar. Foi Mariana quem respirou fundo e deu o primeiro passo. Seu rosto perdeu a cor. Ela olhou para Clara lentamente. Os olhos estavam cheios de lágrimas. — Clara... A voz falhou. — Deu... positivo. O mundo pareceu parar. Clara permaneceu imóvel. Como se não tivesse entendido. — Não... Sussurrou. — Deve estar errado... Pegou a caixa. Leu as instruções novamente. Olhou para o teste. Duas linhas. Claramente visíveis. Suas pernas fraquejaram. Mariana a segurou antes que caísse. Clara começou a chorar em silêncio. — Eu... eu estou grávida... Aquela frase parecia impossível de acreditar. Ela levou as mãos ao rosto. — Eu nem lembro do rosto dele... As lágrimas escorriam sem parar. — Nem da voz... Mariana a abraçou com força. — Nós vamos descobrir quem fez isso. — Como? A voz de Clara estava quebrada. — Eu só tenho aquele cartão... e o anel... Ela apertou os dedos contra o peito. — Como vou contar ao meu filho quem é o pai dele... se eu nem sei quem ele é? As duas permaneceram abraçadas por longos minutos. --- No mesmo horário... Na Universidade... Lúcio entrou na sala alguns minutos antes da aula. Olhou automaticamente para a segunda fila. A cadeira de Clara estava vazia. Ele franziu discretamente a testa. Quando o professor iniciou a chamada, ouviu: — Clara Mendes? Silêncio. — Faltou. Lúcio desviou o olhar para a janela. Sem saber por quê, sentiu um incômodo estranho. Era a primeira vez que ela faltava desde o início do semestre. --- Mais tarde... Na mansão Moretti... Vittorio caminhava pelo escritório enquanto conversava com alguns homens. — A família Ricci voltou a movimentar mercadorias na zona leste. — Devemos agir? — Ainda não. Lúcio entrou no escritório. — Pai. Vittorio fez um gesto para que os outros saíssem. Assim que ficaram sozinhos, falou: — Hoje à noite haverá uma reunião com os chefes das famílias. — Estarei lá. Vittorio observou o filho por alguns segundos. — Você parece distraído. Lúcio respondeu friamente: — Impressão sua. Mas, no fundo, seus pensamentos voltavam repetidamente para a cadeira vazia na universidade. Sem saber que, naquele mesmo dia... A mulher que ele fingia não conhecer acabara de descobrir que carregava o filho dele no ventre.
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