A verdade que a mãe guardou

557 Words
Capítulo 48 — A Verdade Que a Mãe Guardou Clara ficou alguns minutos parada diante da porta de casa antes de entrar. Durante todo o caminho, uma única pergunta repetia-se em sua mente. Por que minha mãe nunca me contou? Ela sabia agora. O homem que ela conhecia apenas como um pai distante tinha um nome que todos reconheciam. Dante Valenti. Um nome poderoso. Um nome que carregava medo e respeito. Mas para ela... Ele ainda era apenas o homem que ligava uma vez por mês para perguntar como ela estava. --- Quando entrou em casa, encontrou a mãe na sala. A mulher sorriu ao vê-la. — Você chegou cedo. Clara não respondeu imediatamente. A expressão dela fez a mãe perceber que algo estava errado. — Clara? Ela caminhou até a sala e sentou-se. Durante alguns segundos, não conseguiu encontrar as palavras. Então respirou fundo. — Mãe... A mulher ficou atenta. — O que aconteceu? Clara olhou para ela. — Eu descobri quem é o meu pai. O rosto da mãe mudou. Por um breve instante, ela ficou completamente imóvel. Clara percebeu. Ela já sabia. — Você sabia. Não era uma pergunta. Era uma constatação. A mãe desviou o olhar. — Clara... — Você sabia que ele era Dante Valenti. O silêncio confirmou a resposta. Clara sentiu o peito apertar. — Por que nunca me contou? A mãe fechou os olhos por um instante. — Porque eu queria que você tivesse uma vida normal. Clara ficou em silêncio. — Uma vida longe desse mundo. — Que mundo? A mãe respirou fundo. — O mundo dos Valenti. Ela olhou para a filha. — O sobrenome dele não traz apenas dinheiro e poder. Traz inimigos, perigos e pessoas que tentam usar aqueles que estão próximos. Clara sentiu as lágrimas se formarem. — Mas eu tinha o direito de saber. A mãe abaixou a cabeça. — Eu sei. A voz dela saiu triste. — Eu deveria ter contado. --- Clara sentou-se ao lado dela. — Por que vocês se separaram? A pergunta ficou no ar. A mãe demorou para responder. — Porque eu não queria continuar sendo a esposa de um homem que vivia cercado por perigo. Clara ficou em silêncio. — Eu amei seu pai. A confissão surpreendeu Clara. — Mas amar alguém como Dante Valenti significava aceitar uma vida que eu não queria. Ela segurou a mão da filha. — Quando você nasceu, eu prometi que faria tudo para que você tivesse uma escolha. --- Clara olhou para o chão. — Ele nunca deixou de falar comigo. A mãe sorriu levemente. — Eu sei. — Então por que ele ficou tão distante? A mãe suspirou. — Porque nós dois achávamos que distância era p******o. --- Naquele momento, Clara percebeu algo. Durante anos, ela achou que o pai não estava presente porque não se importava. Mas talvez a verdade fosse diferente. Talvez ele tivesse escolhido ficar longe por medo. --- Mais tarde... Clara ficou sozinha no quarto. Pegou o celular. Abriu a mensagem de Dante novamente. > "Quando você estiver pronta, eu quero conversar." Ela ficou olhando para a tela. Agora tinha tantas perguntas. Sobre ele. Sobre a mãe. Sobre sua própria história. E também sobre Lúcio. Porque, de repente, percebeu que sua vida estava ligada a duas famílias que ela nunca imaginou conhecer. Os Valenti. E os Moretti.
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