Capítulo 48 — A Verdade Que a Mãe Guardou
Clara ficou alguns minutos parada diante da porta de casa antes de entrar.
Durante todo o caminho, uma única pergunta repetia-se em sua mente.
Por que minha mãe nunca me contou?
Ela sabia agora.
O homem que ela conhecia apenas como um pai distante tinha um nome que todos reconheciam.
Dante Valenti.
Um nome poderoso.
Um nome que carregava medo e respeito.
Mas para ela...
Ele ainda era apenas o homem que ligava uma vez por mês para perguntar como ela estava.
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Quando entrou em casa, encontrou a mãe na sala.
A mulher sorriu ao vê-la.
— Você chegou cedo.
Clara não respondeu imediatamente.
A expressão dela fez a mãe perceber que algo estava errado.
— Clara?
Ela caminhou até a sala e sentou-se.
Durante alguns segundos, não conseguiu encontrar as palavras.
Então respirou fundo.
— Mãe...
A mulher ficou atenta.
— O que aconteceu?
Clara olhou para ela.
— Eu descobri quem é o meu pai.
O rosto da mãe mudou.
Por um breve instante, ela ficou completamente imóvel.
Clara percebeu.
Ela já sabia.
— Você sabia.
Não era uma pergunta.
Era uma constatação.
A mãe desviou o olhar.
— Clara...
— Você sabia que ele era Dante Valenti.
O silêncio confirmou a resposta.
Clara sentiu o peito apertar.
— Por que nunca me contou?
A mãe fechou os olhos por um instante.
— Porque eu queria que você tivesse uma vida normal.
Clara ficou em silêncio.
— Uma vida longe desse mundo.
— Que mundo?
A mãe respirou fundo.
— O mundo dos Valenti.
Ela olhou para a filha.
— O sobrenome dele não traz apenas dinheiro e poder. Traz inimigos, perigos e pessoas que tentam usar aqueles que estão próximos.
Clara sentiu as lágrimas se formarem.
— Mas eu tinha o direito de saber.
A mãe abaixou a cabeça.
— Eu sei.
A voz dela saiu triste.
— Eu deveria ter contado.
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Clara sentou-se ao lado dela.
— Por que vocês se separaram?
A pergunta ficou no ar.
A mãe demorou para responder.
— Porque eu não queria continuar sendo a esposa de um homem que vivia cercado por perigo.
Clara ficou em silêncio.
— Eu amei seu pai.
A confissão surpreendeu Clara.
— Mas amar alguém como Dante Valenti significava aceitar uma vida que eu não queria.
Ela segurou a mão da filha.
— Quando você nasceu, eu prometi que faria tudo para que você tivesse uma escolha.
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Clara olhou para o chão.
— Ele nunca deixou de falar comigo.
A mãe sorriu levemente.
— Eu sei.
— Então por que ele ficou tão distante?
A mãe suspirou.
— Porque nós dois achávamos que distância era p******o.
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Naquele momento, Clara percebeu algo.
Durante anos, ela achou que o pai não estava presente porque não se importava.
Mas talvez a verdade fosse diferente.
Talvez ele tivesse escolhido ficar longe por medo.
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Mais tarde...
Clara ficou sozinha no quarto.
Pegou o celular.
Abriu a mensagem de Dante novamente.
> "Quando você estiver pronta, eu quero conversar."
Ela ficou olhando para a tela.
Agora tinha tantas perguntas.
Sobre ele.
Sobre a mãe.
Sobre sua própria história.
E também sobre Lúcio.
Porque, de repente, percebeu que sua vida estava ligada a duas famílias que ela nunca imaginou conhecer.
Os Valenti.
E os Moretti.