Capítulo 18 — A Ordem de Vittorio
O escritório da mansão Moretti estava mergulhado no silêncio.
Lúcio entrou sem dizer uma palavra.
Vittorio permanecia de pé diante da janela, com o relatório sobre a mesa.
Sem se virar, falou:
— Feche a porta.
Lúcio obedeceu.
Assim que a porta se fechou, Vittorio virou-se lentamente.
Seu olhar era firme.
— Você conhece Clara Mendes.
Não era uma pergunta.
Era uma afirmação.
Lúcio sustentou o olhar do pai.
— Estudamos na mesma turma.
Vittorio deu um passo à frente.
— Não foi isso que perguntei.
Os dois permaneceram em silêncio por alguns segundos.
Então Vittorio colocou o relatório sobre a mesa.
— Descobri que ela esteve na festa realizada na nossa mansão naquela noite.
Lúcio não demonstrou reação.
Mas seu coração acelerou.
— Ela saiu da festa sem lembrar de nada.
Isso chamou a atenção de Vittorio.
— Você sabe disso?
Lúcio percebeu que havia falado mais do que deveria.
O pai estreitou os olhos.
— Então você realmente sabe mais do que está dizendo.
O silêncio voltou a preencher o escritório.
Depois de alguns instantes, Vittorio falou em um tom calmo, mas autoritário:
— Quero que você fique longe dessa garota.
Lúcio franziu a testa.
— Por quê?
— Porque qualquer ligação entre um Moretti e uma civil coloca os dois em risco.
Vittorio aproximou-se mais.
— Os nossos inimigos procuram qualquer fraqueza.
Ele fez uma pausa.
— E eu não permitirei que alguém use o nome Moretti contra esta família.
Lúcio não respondeu.
Por dentro, porém, sabia que seria impossível cumprir aquela ordem.
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Na manhã seguinte...
Clara chegou cedo à universidade.
Sentou-se sozinha na sala de estudos para revisar alguns apontamentos antes da aula.
Poucos minutos depois, a porta abriu.
Era Lúcio.
Os dois ficaram em silêncio por um instante.
— Bom dia — disse Clara.
— Bom dia.
Ela sorriu de leve.
— Achei que você fosse chegar em cima da hora, como sempre.
— Hoje não.
Lúcio sentou-se à sua frente.
Pela primeira vez, ele parecia inquieto.
Clara percebeu.
— Aconteceu alguma coisa?
Ele olhou para ela durante alguns segundos.
Queria contar a verdade.
Queria dizer que a conhecia muito antes da universidade.
Que sabia exatamente de onde vinha aquele anel.
Que jamais a esquecera.
Mas as palavras não saíram.
Em vez disso, perguntou:
— Você confia nas pessoas com facilidade?
Clara pareceu surpresa.
Pensou antes de responder.
— Antes... sim.
Ela baixou os olhos.
— Hoje... não mais.
A resposta atingiu Lúcio como um golpe silencioso.
Ele sabia o motivo.
E sabia que parte daquela dor estava ligada àquela noite.
Sem que Clara soubesse, ele fechou discretamente a mão sobre a mesa.
Naquele instante, tomou uma decisão.
Se Vittorio continuasse investigando Clara, ele faria de tudo para protegê-la.
Mesmo que precisasse enfrentar o próprio pai.
E sem imaginar, Clara levantou-se para guardar os livros.
Ao colocar a mochila no ombro, levou a mão ao ventre por um breve instante, num gesto inconsciente.
Lúcio observou o movimento.
Seu olhar permaneceu fixo por alguns segundos.
Uma dúvida voltou a crescer dentro dele.
A mesma que evitava enfrentar.
E se o segredo que Clara escondia... fosse justamente o filho daquela noite?