A pergunta interrompida

435 Words
Capítulo 20 — A Pergunta Interrompida Na manhã seguinte, a universidade ainda estava silenciosa quando Lúcio chegou. Pela primeira vez, ele entrou na sala antes de todos. Sentou-se no lugar de sempre e esperou. Minutos depois, Clara entrou. Ao vê-lo, sorriu educadamente. — Bom dia. — Bom dia. Ela colocou a mochila sobre a mesa e começou a organizar os livros. Mariana ainda não havia chegado. Os dois estavam sozinhos. O silêncio permaneceu por alguns instantes. Lúcio levantou-se. Caminhou até a carteira de Clara. Ela ergueu o rosto, surpresa. — Aconteceu alguma coisa? Ele permaneceu alguns segundos sem responder. Havia ensaiado aquela conversa durante toda a noite. Mas agora que estava diante dela, as palavras pareciam mais difíceis. — Clara... — Sim? Ele respirou fundo. — Eu preciso fazer uma pergunta. Ela assentiu. — Pode perguntar. Lúcio sustentou seu olhar. — O exame que caiu da sua mochila... Clara prendeu a respiração. Seu coração acelerou imediatamente. — Era de quê? Ela ficou completamente imóvel. Por um instante, pensou em dizer a verdade. Mas o medo falou mais alto. — Era... um exame de rotina. Lúcio percebeu a hesitação. Ela estava escondendo algo. Mesmo assim, não insistiu. — Entendo. Clara abaixou os olhos. Sentia-se culpada por mentir. Sem saber por quê, não conseguia confiar aquele segredo a ninguém além de Mariana. Nesse momento, a porta da sala se abriu. Mariana entrou. Ao perceber os dois conversando, sorriu surpresa. — Nossa... cheguei atrapalhando? Clara afastou-se um passo. — Não. Estávamos só conversando. Lúcio voltou calmamente para seu lugar. Como se nada tivesse acontecido. --- As aulas terminaram perto do meio-dia. Quando Clara e Mariana deixaram o prédio principal, um carro preto estava estacionado do outro lado da rua. Dentro dele, um homem observava atentamente. Era um dos homens de confiança de Vittorio. Ele pegou o celular. — Senhor. Do outro lado da linha, Vittorio atendeu. — Fale. — A estudante está saindo da universidade neste momento. — Continue observando. — Sim, senhor. O carro permaneceu parado enquanto Clara e Mariana se afastavam, completamente alheias à vigilância. --- Na mansão Moretti... Vittorio desligou o telefone e ficou olhando pela janela. Então chamou um de seus homens. — Quero saber por que aquele anel foi parar nas mãos dela. — Devemos trazê-la para interrogatório? Vittorio balançou a cabeça. — Ainda não. Ele fez uma breve pausa. — Primeiro, descubram quem está protegendo essa garota. Sem que ele soubesse... A resposta estava muito mais perto do que imaginava. Era o próprio filho. E Lúcio já havia decidido que, se alguém tentasse machucar Clara, ele não permaneceria em silêncio outra vez.
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