Capítulo 20 — A Pergunta Interrompida
Na manhã seguinte, a universidade ainda estava silenciosa quando Lúcio chegou.
Pela primeira vez, ele entrou na sala antes de todos.
Sentou-se no lugar de sempre e esperou.
Minutos depois, Clara entrou.
Ao vê-lo, sorriu educadamente.
— Bom dia.
— Bom dia.
Ela colocou a mochila sobre a mesa e começou a organizar os livros.
Mariana ainda não havia chegado.
Os dois estavam sozinhos.
O silêncio permaneceu por alguns instantes.
Lúcio levantou-se.
Caminhou até a carteira de Clara.
Ela ergueu o rosto, surpresa.
— Aconteceu alguma coisa?
Ele permaneceu alguns segundos sem responder.
Havia ensaiado aquela conversa durante toda a noite.
Mas agora que estava diante dela, as palavras pareciam mais difíceis.
— Clara...
— Sim?
Ele respirou fundo.
— Eu preciso fazer uma pergunta.
Ela assentiu.
— Pode perguntar.
Lúcio sustentou seu olhar.
— O exame que caiu da sua mochila...
Clara prendeu a respiração.
Seu coração acelerou imediatamente.
— Era de quê?
Ela ficou completamente imóvel.
Por um instante, pensou em dizer a verdade.
Mas o medo falou mais alto.
— Era... um exame de rotina.
Lúcio percebeu a hesitação.
Ela estava escondendo algo.
Mesmo assim, não insistiu.
— Entendo.
Clara abaixou os olhos.
Sentia-se culpada por mentir.
Sem saber por quê, não conseguia confiar aquele segredo a ninguém além de Mariana.
Nesse momento, a porta da sala se abriu.
Mariana entrou.
Ao perceber os dois conversando, sorriu surpresa.
— Nossa... cheguei atrapalhando?
Clara afastou-se um passo.
— Não. Estávamos só conversando.
Lúcio voltou calmamente para seu lugar.
Como se nada tivesse acontecido.
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As aulas terminaram perto do meio-dia.
Quando Clara e Mariana deixaram o prédio principal, um carro preto estava estacionado do outro lado da rua.
Dentro dele, um homem observava atentamente.
Era um dos homens de confiança de Vittorio.
Ele pegou o celular.
— Senhor.
Do outro lado da linha, Vittorio atendeu.
— Fale.
— A estudante está saindo da universidade neste momento.
— Continue observando.
— Sim, senhor.
O carro permaneceu parado enquanto Clara e Mariana se afastavam, completamente alheias à vigilância.
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Na mansão Moretti...
Vittorio desligou o telefone e ficou olhando pela janela.
Então chamou um de seus homens.
— Quero saber por que aquele anel foi parar nas mãos dela.
— Devemos trazê-la para interrogatório?
Vittorio balançou a cabeça.
— Ainda não.
Ele fez uma breve pausa.
— Primeiro, descubram quem está protegendo essa garota.
Sem que ele soubesse...
A resposta estava muito mais perto do que imaginava.
Era o próprio filho.
E Lúcio já havia decidido que, se alguém tentasse machucar Clara, ele não permaneceria em silêncio outra vez.