Dialogo

1859 Words
Caio narrando Desço as escadas irritado querendo matar qualquer um que tenha se atrevido a atrapalhar eu e a minha companheira juntos. Abro a porta a destrancando enquanto escuto Isadora descer correndo apressada, encontro um homem todo vestido, com chapéu, bigode feio e marrom, óculos escuros e um palito de madeira na boca, ele parece se surpreender ao me ver e muda seu semblante de calmo para irritado e preocupado. — Onde está a dona da casa? — ele pergunta grosseiramente. — Vá embora, eu sou o homem dela — começo a fechar a porta até o corpo de minha companheira bater contra o meu, ela passa em minha frente sorrindo nervosa para o homem e não gosto. — Xerife oi, tudo bem? No que posso ajudar? — ela diz sorridente e meu lobo rosna dentro de mim. “Mate-o Caio, ele quer o que é nosso, nossa companheira só deve sorrir para nós” Começo a rosnar com raiva e ela ignora apenas se grudando a mim e levando minha mão até a sua e entrelaçando nossos dedos, estranho a calma que isso me causa. — Quem é o rapaz Isadora? Precisa de ajuda? — ele pergunta erguendo a sobrancelha para mim e ignoro me abraçando mais a ela que parece envergonhada, mas ignoro. — É meu… namorado, de outra cidade, no que posso te ajudar mesmo? — Falaram na cidade que você não apareceu ontem, e como mora nesse local perigoso vim passar um olho. — Olho passado, ela já achou seu companheiro — digo e recebo um belisco em meu estômago, o que é isso? Porque ela me pinicou? — Desculpe xerife, só fiquei ocupada aqui em casa, mas está tudo certo, te vejo por ai! — Vou passar nesses dias, para conferir você — ele avisa ainda desconfiado de mim mas Isadora se vira me empurrando para dentro da casa e batendo a porta. Ela me olha com seus olhos azuis bem esbugalhados e sorrio achando graça, minha companheira é muito fofa, a abraço pegando no colo e escuto seu resmungo. — Você tem que ter meu cheiro em você, assim ninguém chegará perto— aviso esfregando ela em meu peito, braços, pescoço enquanto escuto seu riso, tão leve e doce. — Isso não funciona para nós humanos — ela diz e continuo mesmo assim, ela não é humana, mas fica insistindo nisso. — É bom eu já começar para quando voltarmos a nossa Alcateia — aviso e ela agora fica mais tensa, mais uma vez. — Voltarmos? — É, iremos nos conectar, amanhã eu estarei bem e iremos para lá, nosso lar, você vai gostar, pode cozinhar lá — acaricio seus cabelos negros sentindo a maciez em meus dedos. — Mas eu não vou — ela avisa e não entendo, mas também sei que não adianta discutir. Ela está resistente porque ainda não se conectou com sua loba ou a achou, não sei o que aconteceu com minha companheira, mas ela está meio r**m nisso. Mas quando ver o que é vai querer ir comigo e sentir tudo da forma que eu sinto, todo esse desejo, euforia, necessidade do outro, o companheirismo entre lobos é lindo e eterno, não vejo a hora de me conectar com ela dessa forma. Beijo seu rosto com carinho levando uma trilha até seus lábios, me sento no sofá com ela em meu colo puxando seu rosto junto ao meu. — Companheira — digo baixo mantendo nossas testas coladas. — Você é uma tentação homem — ela sussurra baixo e sorrio, ela não resiste a mim também. — Podemos nos unir agora? — pergunto e vejo ela ficar tensa — Não fique com medo, não será na frente de outros como você pensava, apenas nós dois. Dou minha palavra e ela solta um risinho me deixando confuso, não era esse seu medo? Eu ouvi ela dizer isso antes. — É que eu… nunca fiz isso, já fiquei com alguns caras, mas nunca passou de pegação, carinho e amassos… — ela começa a compartilhar sobre outros homens e sinto a posse e ciúmes em mim. — Quantos? Quem? — Não importa agora, o que eu quero dizer é que nunca transei Caio, nunca me liguei com alguém, então. — beijo ela feliz por isso e meu lobo se atiça em mim “Ela é totalmente nossa Caio” ele afirma contente mas confesso que até de meu espírito animal eu sinto ciúmes nesse momento. — Tudo bem companheiro, serei seu primeiro, e último —afirmo contente e ela suspira me olhando incerta, adoro como seus lábios ficam mais rosados após o encontro com os meus. — Eu esperava algo romântico, não sei, não t*****r com um gostoso super ativo, que parece irá me comer viva durante nosso sexo. — E isso é r**m? — pergunto e ela ri negando — Você deseja romance querida? Posso arrumar isso. — Não, é só que… — ela começa e a impeço de falar nos levantando. — Seu homem resolve isso, relaxe querida — afirmo beijando sua testa mas não funciona, ela parece mais ansiosa agora. Tento acalmá-la colocando sua mão em meu coração para afirmar que estamos bem, tranquilos, mas parece mudar quando seu cheiro doce se intensifica, sua excitação inunda rapidamente o ambiente. Como pode estar tão receosa em nos conectarmos sendo que com um simples toque minha companheira se incendeia? Inalo profundamente seu aroma e quando parece perceber o que está causando suas bochechas ficam rosadas me fazendo sorrir. Ah querida, eu irei te devorar inteira. [...] Finalizo nossa lareira e olho as flores que peguei na floresta, busquei as mais coloridas e cheirosas para minha Isadora, ajeitei com uma corda tentando deixar igual um buquê. Coloquei seu colchão na sala, ajeitei com cobertores bem fofos e quentes para nós dois, e consegui ajeitar tudo com ela extremamente focada na cozinha. Minha pequena loba tem um dom enorme com comida, todos seus pratos ficam deliciosos, nosso filhotes irão ser os mais sortudos de toda nossa Alcateia. Eu mesmo não tive tanta sorte, minha mãe, Paulina, não cozinha tão bem, então sempre vivi comendo carnes assadas e batatas, era o que meu pai sabia fazer. Mas em compensação ela sempre foi uma excelente professora de transformação. Ela ensina os filhotes pequenos a se transformarem e se controlarem, sua paciência sempre foi uma grande aliada de nosso povo. E perfeita em sintonia com a raiva e sentimentalismo do meu pai Valentin, ele sempre fui puro sentimento, oscilando entre muita felicidade, ódio, estresse, pressa. Assim que eu me conectar com minha companheira teremos que retornar ao meu lar, eles precisam de mim, sei que meu pai deve estar mantendo tudo em ordem com meu sumiço, mas é temporário e devo retornar ao meu papel, proteger meu povo. Caminho até a cozinha querendo buscá-la para o que eu preparei, adentro sorridente mas Isadora não me enxerga focada de mais em suas panelas. Decido me aproximar e abraçar seu pequeno e delicioso corpo por trás. — Estou quase finalizando nossa janta, está com fome? — ela pergunta e sorrio — Você não imagina o quanto, mas o que eu vou comer agora não é sua comida — ela se arrepia inteira e por mais que se finja de forte seu cheiro bate diretamente em meu nariz. — Não tente disfarçar quando eu posso sentir querida. — Droga, você é muito… muito. — ela se vira de frente a mim me encarando com raiva e sorrio com sua dificuldade de achar uma palavra. — Muito convencido, só porque é todo gostoso assim, fica andando quase nú em minha frente, fica todo se achando. — Fico muito contente que me deseje também minha loba— me aproximo segurando seu rosto e ela semicerra os olhos para mim. — Já disse que não sou loba — protesta batendo o utensílio que mexia a comida em meu peito, mas não ligo. — Tudo bem, humana, agora o que acha de desligarmos o fogão e irmos para a sala? — Não vamos jantar primeiro? — Você vai ver que após nos unirmos, nem toda a comida dessa casa será o suficiente para nós dois — afirmo apagando as chamas e soltando seu avental. Ela parece perdida em meio a pensamentos e me deixa fazer tudo isso, guiando-a pela mão até o espaço que preparei — Nossa — parece surpresa. Abaixo-me, pegando o buquê de flores que fiz para ela, e a entrego, observando cada detalhe de sua expressão enquanto ela pega as flores com cuidado. Mas antes que eu possa me aproximar mais, ela desvia o olhar, parecendo nervosa. — E se... nós dançássemos? — ela sugere, claramente tentando escapar do que está por vir. — Dançar? — pergunto, arqueando a sobrancelha. Ela se vira, ligando o rádio, e logo uma música lenta e sensual começa a tocar para sua surpresa. Eu a puxo para perto, meus dedos deslizando por sua cintura, sentindo cada curva. — Você é minha, Isadora... — sussurro em seu ouvido, a voz cheia de desejo, enquanto a conduzo no ritmo da música. Seu corpo pressiona contra o meu, e o cheiro dela se intensifica. Meus olhos percorrem cada parte de seu corpo, e o calor que emana de sua pele é quase insuportável. Cada movimento dela na dança só me deixa mais obcecado, mais desesperado por cada centímetro daquela mulher que agora se molda ao meu corpo. Seus olhos se encontram com os meus, e então, eu a beijo. Lento. Muito mais lento do que antes. Quero saborear cada segundo. Seu gosto é viciante. Minha mão desliza pela curva de suas costas, puxando-a para mais perto. — Caio… Ela suspira entre o beijo, suas mãos agora firmes em meus ombros. Quando sua língua toca a minha, sinto como se o mundo parasse. Só existe ela. O gosto dela, o som de seu coração batendo contra o meu peito, o cheiro inebriante que ela exala quando está excitada. — Você é minha — repito, mais rouco desta vez, minha boca descendo para o pescoço dela, deixando beijos lentos e intensos enquanto ouço seu coração acelerar ainda mais. O som é viciante, cada batida me puxa mais para ela, como se me controlasse. Minhas mãos se movem com reverência, descendo pela lateral de seu corpo, sentindo cada curva e ondulação que tanto desejo. — Eu quero Caio, quero você — agora se rende ao prazer enquanto seu cheiro doce está cada vez mais forte. Ela puxa meu cabelo levemente, um gesto que me faz perder o controle. — Você não faz ideia do que está desejando — sussurro contra sua pele, sentindo o calor irradiar de seu corpo. Quando ela levanta o olhar, posso ver a mistura de desejo e necessidade em seus olhos. Ela está tão consumida quanto eu, e isso só aumenta minha obsessão. Desço minhas mãos até suas coxas, levantando-a do chão com facilidade, seus braços imediatamente envolvendo meu pescoço, e eu a seguro firme, como se jamais fosse soltá-la, o que eu não vou. — Isadora — murmuro contra seus lábios, minha voz carregada de desejo e possessão. — Você é minha... para sempre.
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