CAPÍTULO 41 DODO NARRANDO: Eu já não sentia mais o peso da arma na mão. Quando você passa tempo demais no meio do fogo, o corpo entra num modo estranho. Não é coragem. Também não é medo. É vazio. Só reage. Só anda. Só atira. O morro inteiro estava em guerra. O cheiro de pólvora se misturava com fumaça de pneu queimado, suor velho e sangue fresco. O rádio estourava na minha orelha com vozes atropeladas, pedidos de munição, gente ferida, gente gritando coordenada errada. Rael tinha voltado pra guerra depois de esconder a Luna. Eu fiquei. Sempre fico. Alguém tem que segurar o front. Corri agachado entre dois barracos enquanto bala estourava em telhado de zinco. Um dos moleques passou por mim sangrando na perna, e eu só gritei: — Vai pra enfermaria improvisada! Ele nem responde

