CAPÍTULO 44 LUNA NARRANDO: Eu fiquei sentada na cama por um tempo que não sei medir. As palavras do Dodô ainda martelavam dentro da minha cabeça como tiros ecoando num beco vazio. Cada sílaba parecia ter deixado uma marca em mim. Meu peito ardia, a garganta apertava, e eu sentia como se estivesse respirando vidro. Passei as mãos pelo rosto, tentando conter o tremor. Não adiantava. Eu estava completamente abalada. Olhei ao redor do quarto pequeno, as paredes descascadas, a janela m*l fechada, o ventilador velho rangendo no canto. Era ali que eu estava vivendo. Era ali que tudo estava acontecendo. Era ali que minha vida tinha virado do avesso. Levantei devagar. Minhas pernas pareciam fracas, mas eu me obriguei a ficar de pé. Fui até o espelho antigo pendurado torto na parede. Ele e

