Que Ódio!

1444 Words
Eugênia e eu entramos em nosso quarto, e eu me sentei com tanta força em minha cama, que eu não sei como não a quebrei, estava com tanta raiva. - Eu odeio eles! - Falei. - Bem vinda ao clube. - Disse a loira ao sentar ao meu lado. Nisso, Juan entrou em nosso quarto. - Mar… - Dizia o garoto. - Qual é a tua? Não tem educação? Não sabe bater à porta? Podíamos estar peladas. - Falei. - Mas a porta estava aberta. - Argumentou. - i****a! - Falei me pondo a sair do local. Ai, eu estava com tanta raiva desse filhinho do Bernardo, aposto que era tudo farinha do mesmo saco, ele devia ser um lixo assim como o papaizinho dele, e qualquer parente do Bernardo não era confiável. Desci as escadas e me deparei com Nico beijando a Gimena, a irmã mais nova do desgraçado do Bernardo, outra víbora peçonhenta, quer dizer, eu m*l a conhecia, e ainda não tinha trocado uma palavra sequer com ela, mas aposto que era tão r**m quanto o irmão. Merda! Por que ele e Júlia tinham que fazer essas coisas? Por que eu não podia ser feliz? Passei a minha vida toda sofrendo e pelo jeito será sempre assim, e eu cheguei a pensar que nesse abrigo as coisas pudessem ser diferentes, já vi que eu estava bem enganada. Nico e Gimena pararam de se beijar, e ao verem que eu havia os visto, tentaram disfarçar, eu me desculpei por ter visto tal cena, e fui até a cozinha, onde Gastón, Tato e Nano estavam sentados à mesa conversando. Bufei de raiva e me sentei ao lado de Gastón. - Faz tempo que vocês estão aqui passando por isso? - Perguntei. - A Lupita e eu estamos aqui há uns 3 anos. - Disse Gastón. - E eu entrei aqui quase na mesma época que o Gastón. - Falou Tato. - Eu já estou há mais tempo, cheguei aqui com 8 anos, já faz 4 anos que ‘’trabalho’’ para aqueles dois. - Disse Nano. - Não sei como vocês conseguem passar por isso há anos sem contar pra ninguém. - Falei. - Mar, uma vez eu tentei contar, mas o castigo que eu levei foi tão grande que eu nunca mais tentei. - Disse Tato. - O que aconteceu? - Foi um pouco antes do Nico ficar aqui direto, porque antes ele era só o dono, mas vinha de vez em quando nos visitar. E tínhamos o Rafa que dividia a direção com o Bernardo, e aí eu tentei contar pra ele, quer dizer, eu comecei a falar, mas Bartô chegou bem na hora, e ele viu o que eu ia fazer, mesmo eu mentindo que não ia falar nada. E ele me bateu tanto com um taco de beisebol, que eu fiquei algumas semanas com hematomas por todo o corpo e morrendo de dor, e ainda tinha que agir normalmente perto do Rafa pra ele não desconfiar. - Que absurdo! Eles não podem fazer isso. - Falei indignada. - E você acha que eles têm noção do que podem ou não? - Me perguntou Nano. E quanto mais eu sabia sobre o que Júlia ou Bernardo eram capazes, eu ficava mais e mais indignada, as vezes me arrependia de ter arrumado confusão no meu antigo abrigo, porque lá eu podia não ter amigo e todos podiam me odiar e pegar no meu pé, mas pelo menos, nada disso acontecia, do que adiantava ter amigos, mas ter que roubar e vender drogas? Quer dizer, não estou dizendo que eles eram meus amigos ou algo parecido, até porque eu m*l os conhecia, mas eles pareciam ser legais. (...) Eu estava sentada no sofá da sala enquanto tentava assimilar tudo aquilo que acontecia naquele lugar, e de repente, quase sem eu perceber, Nico se aproximou de mim e sentou ao meu lado. - Como você está? - Perguntou. - Hã… - Queria tanto poder dizer a verdade para ele. - Estou bem. - Dei um leve sorriso. - Que bom! E está se adaptando? Te receberam bem? Porque se os garotos não forem legais com você pode me dizer que eles vão se ver comigo, vou pegar um por um… - Falou em tom de brincadeira, me fazendo rir. - Eles me trataram bem, são legais. - Pela primeira vez eu não estava mentindo sobre isso. - Que bom! - Me fez um leve cafuné. - Amor, vem ver os looks lindos que eu comprei pra gente sair hoje à noite. - Falou Gimena ao se aproximar da gente e puxando Nico pelo braço, que foi praticamente arrastado pela víbora. Nisso, avistei Bernardo e Júlia escondidos em um canto, e subi as escadas indo para o meu quarto, onde Euge se encontrava se penteando em frente a uma penteadeira. Me joguei em minha cama e fiquei completamente em silêncio. Ai, que tédio! Mas eu ainda preferia ficar entediada do que ter que roubar para aqueles idiotas s*******o. (...) Alguns dias haviam se passado, e obviamente a gente seguia roubando, mesmo contra a nossa vontade. Era uma terça - feira. Estávamos todos reunidos à mesa na hora do jantar, quando Bernardo se aproximou de mim, se pondo a colocar o seu braço em volta de mim. - Mar, querida, tenho uma boa notícia para você. Amanhã você passará a ir para a escola junto com todos, não é genial? - É sim. Incrível. Estou muito feliz, Bê. - Falei de forma irônica. - Que legal, Mar. - Disse Juan. - Está feliz? - Aham. - Dei uma garfada em minha comida. - Pena que não vamos estudar no mesmo colégio. - Ele disse. - Por quê? - Perguntei. - É que eu, o Tomás e a Flor estudamos em outro colégio, o nosso não tinha mais vagas pra vocês. - Oh que pena, estou tão triste. Tudo o que eu mais queria era estudar com você. - Falei de forma debochada. - Sério? - Perguntou o garoto com um leve sorriso e um pouco surpreso. Gastón, Tato e Euge seguraram o riso, acho que perceberam que eu estava sendo irônica. Bernardo me olhou me repreendendo, e eu fiquei em silêncio ignorando o questionamento do garoto e segui comendo a minha comida. Sinceramente, eu não estava muito empolgada com o fato de ir pra escola, até porque eu já havia frequentado umas cinquenta escolas, cada vez que eu mudava de abrigo, mudava de colégio, ser aluna nova já não era mais novidade para mim, e digamos que eu também não curtia muito esse negócio de estudar, até porque eu não era uma boa aluna, e não digo nem só pelo comportamento, mas eu também tinha um pouco de dificuldade em algumas matérias, tipo, fora educação física e artes, eu tinha dificuldade em todas as outras. (...) 6h30 - Mar, acorda. - Ouvi a voz da Euge. - Não quero. - Virei para o outro lado e voltei a dormir. - Mas precisa, ou acha que eu gosto de acordar cedo? - Só mais cinco minutinhos, por favor. - Tudo bem, mas é o tempo de eu escovar os dentes e fazer as minhas necessidades fisiológicas. Virei para o lado e voltei a dormir. Ainda tive pesadelo com o Bernardo e a Júlia. Minutos depois… - Mar, vamos, senão quem virá aqui será a Júlia, e acho que você não vai querer isso, né? Vem, eu te ajudo. - A garota pegou em meu braço, fazendo eu levantar. Estava praticamente trocando os pés, eu odiava acordar cedo, acho que se eu me encostasse em algum lugar, poderia dormir em pé mesmo. - Vem, vamos lavar esse rosto. - A garota me levou até o banheiro, que havia em nosso quarto, e molhou o meu rosto, fazendo eu quase me afogar. - O que está havendo? - Perguntei, já bem acordada. - Até que enfim. Consegue escovar os dentes, ou vai querer que eu escove pra você também? - Brincou ao me entregar a minha escova de dentes. - Não, obrigada. Me escovei, fiz as minhas necessidades fisiológicas e troquei de roupa. Assim que Euge e eu terminamos de nos arrumar, descemos e fomos até a cozinha, onde tomamos café da manhã em completo silêncio. Bernardo e Júlia não gostavam de conversas na hora das refeições, se conversávamos um pouco, eles já nos olhavam pra gente calar a boca. Após terminarmos, Bernardo disse que ele nos levaria para o colégio, pois era sempre ele ou Júlia, que se encarregavam disso. E então, nós chegamos na tal escola. Mas peraí… - Isso não é uma escola. - Falei.
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