"Gosto dos venenos mais lentos!
das bebidas mais fortes!
das drogas mais poderosas!
dos cafés mais amargos!
Tenho um apetite voraz.
E os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar
de um penhasco
que eu vou dizer:
E daí? Eu adoro voar!"
Clarisse Lispector.
❤Continuação Harry pov❤
O abençoado que me sequestrou vai levar uma flechada no cu se depender de mim.
Não sou um adolescente medroso (a não ser quando se trata de algumas pessoas, vulgo meu pai), posso ser fraco e pirado, mas já tenho quase 20 anos nas costas e não levo desaforo para casa.
Além do mais, pra quem planejava morrer ontem, qualquer coisa que vier é lucro.
Não tive sorte nas primeiras três portas. A primeira era tipo uma academia, com um tatame fofinho e um saco de pancadas além de vários pesos pendurados. Depois veio um quarto de hóspede, e depois outro.
Mas tudo mudou quando abri a quarta porta.
Ao contrário dos outros quartos que estavam iluminados pela luz do dia que irradiava pela janela, nesse as cortinas estavam fechadas deixando o lugar em um escuro quase que perfeito.
Agradeci a Deus por ser pequeno e não fazer muito barulho ao andar e me aproximar da gigantesca cama que ficava no centro do quarto que deveria ser maior que o meu loft do Brooklyn.
Se eu não caísse ou tropeçasse em algo daria pra surpreender a pessoa de boas.
Cheguei do lado da cama e acendi o abajur da cabeceira ainda mirando o arco bem onde as cobertas faziam um montinho que é onde eu supunha ter a pessoa dormindo.
Foi quando eu o vi.
Os mesmos cabelos loiros platinados da pintura. O mesmo queixo definido e pele branca como a luz da lua.
O mesmo cara que estava ao lado dos monstros no quadro.
O mesmo cara que era um monstro que no retrato havia matado dezenas de pessoas...
E naquele momento eu o odiei.
É certo que eu não o conheço, mas não fui com a cara dele.
Mesmo que ele seja só um riquinho mimado que não tem nada haver com monstros... só por ele ter um apartamento gigante ao ponto de me deixar puto, e por ele ter quadros o endeusando no corredor foi o suficiente para meu cérebro doido não gostar dele...
Ah! e tem o fato dele ter provavelmente me sequestrado. É, tem isso também.
Comecei a contar os pros e contras de atirar uma flecha bem na cara dele agora mesmo. Mas não sei se tenho coragem. Essa merda não é uma fanfic, então ainda teria que me livrar do corpo, e depois engolir o meu orgulho e pedir ajuda ao meu pai para comprar o Jure do meu julgamento caso eu fosse descoberto.
É, o loiro não vale tanto esforço...
Mas eu realmente não fui com a cara dele...
E se eu o matar e depois pular da sacada? Sem julgamento, sem ter que voltar para casa...
Mas se bem que o loiro é bem bonito... Com certeza deve ser um filho da p**a, mas um filho da p**a gostoso.
"Que merda Potter! para de ser pirado. Nada de se matar até descobrir o mistério de como sobrevivi a ontem. E se esse cara for te ajudar a encontrar respostas, nada de o matar também!" me repreendi mentalmente de novo soltando um grande suspiro de frustação.
Merda.
O suspiro deve ter sido alto de mais, pois no mesmo instante dois olhos azuis me miraram com intensidade, como se lesse a minha alma.
Não pensei, apenas atirei.
A flecha ia cortando a pouca distância que tinha entre eu e o cara deitado, mas de uma maneira rápida e quase inacreditável, o mesmo desviou fazendo que ela o atingisse no ombro em vez de na cabeça. A mesma ficou alojada ali.
Nem deu tempo de eu soltar a respiração antes de ver o cara dono dos olhos azuis sacar uma arma que ele só pode ter tirado do cu, e a mirar bem em mim.
Ok, se eu não morri ontem, hoje eu morro.
Então sem escolha, apenas abri um sorriso debochado ainda mirando os olhos azuis oceano, em uma conexão que só havia eu, ele, o arco em minha mão, e a pistola destravada pronta para dar o tiro certeiro.
❤Draco Pov❤
Eu estava tendo um sonho ótimo, com um jovem rapaz inocente de moletom azul e saia rosa, que corava toda vez que eu o elogiava. Estávamos na minha banheira de hidromassagem da varanda vendo as estrelas enquanto ele me contava tudo o que ele guardava para si, suas inseguranças e aflições, e eu tentava ajudar simplesmente por querer ouvir a gargalhada dele. Ou o brilho de pura alegria em seus olhos.
E tudo era perfeito...
Até eu acordar e ter que desviar de uma flecha que esse garoto ia tacar na minha fuça.
Consegui desviar por pouco. Mesmo sabendo que não iria me ferir tanto por causa de ser imortal e esse c*****o a quatro, não podia negligenciar o fato de eu estar acabando de acordar. E quando dormimos, até nós da minha "espécie" ficamos vulneráveis.
Enfim, ainda havia muito sono no meu organismo ao ponto de eu ter medo da flecha realmente me ferir, e não apenas me arranhar. Então desviei e a vi perfurar o meu ombro esquerdo me dando um arrepio de dor que logo passou.
Bom dia né, ótimo jeito de acordar eu diria.
Nossa, o olho dele é bonito pra caralho...
Não por medo, mas por reflexo, saquei a arma que sempre deixo de baixo de um dos travesseiros da minha cama e apontei para o moreno a minha frente.
Eu não tinha o intuito de usar, pois sei que ao contrário de mim, o garoto vai morrer se eu atirar. E não quero mata-lo.
Não ainda.
Mesmo assim destravei a pistola para mostrar ao garoto que eu não estava de brincadeira. Queria assusta-lo para ele ver que não aprovo o fato de ter sido acordado com a merda de uma flechada na cara.
No entanto, em vez de ficar com medo e recuar, o pequeno apenas abriu um sorriso de deboche.
E isso me deixou mais puto ainda. Todos tem medo de mim, ou ao menos me respeitam. Lógico que não vou machucar o jovem, mas quem ele pensa que é para não ter medo de mim?
Eu sou o príncipe do inferno, e ele deveria demonstrar mais respeito oxe.
Ao mesmo tempo que aquela merda de sorriso só o deixou ainda mais sexy.
- Eu não quero te matar - Disse firme e com a voz um pouco rouca por causa de ter acabado de acordar, enquanto me levantava da cama, ainda apontando a arma para ele.
- E eu não ligo se fizer - Respondeu simples, mas o vi engolir em seco nervoso.
Quanto pouco apego a própria vida... esse menino precisa de terapia.
- Por que atirou uma flecha em mim? - Perguntei direto vendo ele revirar os olhos.
- Porque você me sequestrou e me trouxe para um apartamento com uma sala cheia de armas, e está apontando uma para mim nesse exato momento? - Respondeu como se fosse obvio.
Ok, talvez isso tenha ido longe de mais.
Abaixei a arma a jogando em um lugar qualquer da cama antes de voltar a encarar os olhos verdes analíticos.
- Eu não te sequestrei. Te achei jogado no meio da rua, e por acaso quase te atropelei com o meu carro. Parei para prestar socorro, e te trouxe para a minha casa para descansar. E sobre as armas, o que eu tenho na minha casa não é problema teu.
O moreno parecia pensativo, talvez até um pouco em pânico ao se lembrar do que deve ter ocorrido na noite passada antes de eu chegar...
Por falar nisso, meu lado maria fifi atacou de novo, e tudo o que eu queria era que o garoto me contasse que merda aconteceu com ele.
- E por que não me levou para o hospital? - Indagou me fuzilando com os olhos verdes, em uma expressão que seria assustadora se não viesse de um garoto de um e sessenta de altura.
- Com essa roupa? Eu não queria que você fosse abusado - Falei apontando pra ele, o fazendo corar, andes de travar o maxilar com mais raiva ainda.
- Roupa não é convite seu i****a.
Não gostei nada disso, e senti minha temperatura subir quando ele me chamou de i****a. Isso que da ter o fogo do inferno como poder interior.
Problemas com controle de raiva que fala né.
- Não foi isso que eu disse - quase que sussurrei.
- Mas foi o que pareceu.
- Roupa não é convite, mas nessa sociedade de merda normalmente vira justificativa - Respondi rudemente com uma voz talvez grave de mais para ser dirigida ao menor. Mas minha paciência não é de ferro.
- E quem me garante que não fui, ou que não vou ser? - Perguntou novamente afirmando que ele não é homem de levar desaforo para casa.
Esse baixinho tem fogo.
- O que? - Perguntei realmente confuso.
- Abusado.
Foi ai que eu entendi que por traz daquela fachada de força e violência, estava alguém que estava com medo. Mais do que isso... ele estava apavorado.
Com medo deu ter tocado nele sem permissão...
Pensei em tudo o que esse cara deve ter passado nessas últimas horas. Alguma merda o fez está naquela rua desacordado. E depois ele acorda em um apartamento que não reconhece, com uma sala cheia de armas, e um loiro doido que é um completo estranho.
Se é difícil confiar em quem conhecemos, imagina em alguém que nunca vimos na vida...
Engoli em seco finalmente entendendo.
- Eu posso lhe prometer que nada vai lhe acontecer e nada te aconteceu, mas você provavelmente duvidaria de mim. Mas se fizer você se sentir melhor, pode ficar com o arco, a qualquer movimento suspeito meu você tem total liberdade de atirar. Mas enquanto isso, acho melhor irmos tomar café.
Disse tudo em uma voz amena e confortadora antes de andar até a porta do quarto sendo seguido pelo olhar atento do mais jovem.
- Você vem? - Perguntei antes de entrar no corredor.
Voltei a andar vendo o moreno me seguir a uma certa distância. Ele ainda parecia em completo alerta, mas acho que a fome deve ter falado mais alto.
Caminhei pelos corredores que tanto conheço percebendo que minha companhia não parava de olhar para os quadros. Por um momento até estranhei já que pessoas normais, isso é, mundanas, não conseguem ver o real tema das obras.
Apenas seres sobrenaturais conseguem ver as pinturas minhas e de minha família ou amigos que eu mesmo pintei. Pessoas normais que vem aqui em casa, como a Astória, só conseguem ver quadro de flores aleatórias devido a magia de ocultação que Pansy me ajudou a colocar em todas as nossas coisas que remetem ao inferno.
Será que o pequeno de olhos verdes gosta de flores e por isso está olhando tanto para as pinturas?
Deve ser, nunca entendi os humanos em totalidade mesmo.
- Qual é o seu nome? - Me perguntou enquanto descíamos as escadas para o andar de baixo.
Fiz uma careta o olhando de soslaio.
Quando você não é desse universo e é líder de uma máfia famosa, aprende a nunca dar o seu nome a qualquer um.
Nome tem reputação, poder e pode levar as pessoas a entregarem a sua verdadeira identidade.
- Ah, qual é. Eu mereço saber o nome do cara dono de onde estou.
Eu confio nele ao ponto de falar o meu nome?
Obvio que não, ele quase me matou com uma flecha agorinha mesmo.
Imagina um ser belo como eu morrendo prematuramente no auge dos seus 2500 anos, e chegando ao inferno tendo que contar ao papai que invés de ser o príncipe que vai governar, irei ser que nem uma das almas qualquer que vive lá em condenação.
Que humilhante.
- Só se você me disser o seu em troca.
O menino ponderou por alguns minutos enquanto eu chegava na cozinha e começava a pegar coisas aleatórias da geladeira.
- Sou Harry, Harry Potter - Disse estendendo a mão para mim, mas ainda mantendo a outra bem firme segurando o arco e flecha.
Eu juro que queria apertar a mão dele, mas estava ocupado segurando em uma um saco de pão de forma, e na outra uma tigela de maçãs verdes. Então achei poético ser eu a recusar o aperto, e apenas dizer:
- Sou Draco, Draco Malfoy.
- Das empresas Malfoy? - Me perguntou recusando a maçã verde que lhe ofereci e pegando uma vermelha na imensa bancada.
ok, eu tenho um conglomerado de empresas de fachada para que a Slytherin possa atuar livremente sem a encheção de saco do governo, então apenas confirmei com a cabeça continuando a passar pasta de amendoim no pão.
- Potter do vice prefeito Potter e suas empresas? - Foi minha vez de perguntar.
- É, acho que sim.
- Você não parece muito feliz com isso - Afirmei ainda concentrado no meu pão.
- Você é psicólogo por acaso? - Respondeu rude me fazendo bufar e olhar feio para ele.
- O que que foi garoto? Te fiz algo pra me tratar assim? - Eu só queria comer em paz já que nem acordar decentemente eu pude por causa dele.
Ele revirou os olhos antes de ir até uma das cadeiras da mesa, se sentar e apontar para o meu ombro.
- Nada, é só que você está com a p***a de uma flecha ainda no seu ombro e está querendo saber como eu estou? COMO É QUE VOCÊ AINDA NÃO SANGROU ATÉ A MORETE?
Foi ai que me lembrei da flecha em meu ombro.
Eu estava com tanta fome que real esqueci dela.
Só que agora fodeu. Como eu vou explicar para o Potter que eu ainda estou vivo pois sou um ser infernal, sem contar que eu sou um ser infernal?
- Só pegou de raspão, vou fazer um curativo e logo vai ficar bom - Inventei uma desculpa qualquer enquanto ia até a despensa pegar a caixa de primeiros socorros para tirar essa merda que ainda está atravessada em mim, e fingir fazer um curativo.
Peguei a caixa e quando virei tive um dejà vú.
Novamente Potter estava lá... com o meu arco mirando outra flecha em mim.
- Não minta para mim. Sei quando as pessoas estão mentindo, sou a que mais conta mentiras dentre elas, e isso me fez ser bom em reconhecer essas merdas - Disse em tom de aviso, me fazendo suspirar de cansaço e tédio.
Tudo o que eu queria era me livrar desse moleque e fumar alguma coisa bem potente pra me fazer relaxar. m*l acordei e não tive um minuto de paz nesse c*****o.
- A flecha te pegou obliquamente em um ângulo de 60° e está alojada em seu deltóide entrando quase que três centímetros. Por causa da adrenalina você não deve ter sentido tanta dor na hora, mas já faz quase quinze minutos, e é como se nada estivesse acontecido para você.
Mas que merda, quem é esse garoto?! A merda do Sherlock Holmes?
Ele faz faculdade de que? Perito sobrenatural e medicina com especialização em me tirar do sério?
Revirei novamente os olhos antes de levar a mão até a flecha e a retirar de uma só vez sem sentir uma mísera dor.
Meu plano era chamar a Pansy para jogar um feitiço de esquecimento no menino. A mãe da morena era uma bruxa antiga que acabou invocando um dos príncipes do inferno sem querer, e indo pra cama junto com ele. Por isso falamos que Pansy não é 100% infernal, mas 100% sobrenatural (já que demônios e bruxas são de mundos diferentes, mas são seres sobrenaturais).
Mas resumindo, por causa da mãe a menina aprendeu muitos mais feitiços que eu e Blaise, e daria um jeito nessa situação rapidinho.
Todavia, o meu ato fez o menor vacilar e perder um pouco o alvo do arco e flecha, ainda estupefato com o fato do meu sangue preto como carvão está escorrendo do pequeno corte visível devido ao fato deu estar apenas um uma mísera regata preta.
- Como? - Harry perguntou retoricamente em devaneios logo antes de deixar de encarar o meu ombro para focar nos meus olhos em uma batalha feroz de verde e azul.
Ele mirou o arco novamente, mas dessa vez bem no meio do meu peito.
- O que você é?
Isso me pegou de surpresa.
Pottah não perguntou como isso é possível, ou com o que eu o droguei para ele estar vendo alucinações que nem pessoas normais perguntariam. Não. Ele perguntou especificamente o "que" eu sou.
E foi ai que eu lembrei de ontem, quando eu vi a sua alma, tão humana mas ao mesmo tempo pura de um jeito inumano...
Talvez o feitiço da Pansy não funcione nesse caso...
Mas que diabos em! Onde eu me meti?
- EU PERGUNTEI O QUE VOCÊ É - Gritou com os olhos lacrimejados de raiva e nervosismo devido a minha falta de resposta.
Mas eu ainda não sabia o que responder.
Que merda, a vida era tão mais fácil antes de conhecer ele...
- PRIMEIRO EU TENTO ME SUICIDAR E NÃO DA CERTO, DEPOIS EU ACORDO NESSA MERDA DE APARTAMENTO COM QUADROS ESTRANHOS NAS PAREDES. DE MONSTROS p***a! DE MONSTROS INCLUÍNDO VOCÊ. DEPOIS VOCÊ EM UM TEMPO ANORMAL CONSEGUE DESVIAR DA FLECHA E AGORA ESTÁ AI, SEM DOR E SANGUANDO PRETO. ENTÃO ME CONTA GRANDE SENHOR MALFOY. ISSO TUDO É SÓ MAIS UMA CRISE FANTASIOSA MINHA, OU O QUE VOCÊ É c*****o.
Harry nem mirava mais em mim de tanto que tremia, parecendo estar tendo uma crise agora mesmo me deixando real preocupado com a saúde mental dele. Mesmo assim ele irradiava calma.
Do mesmo modo que eu consigo irradiar soberba (por causa do poder do meu pai), ou o próprio fogo do inferno (meu poder próprio que é gerá-lo e manipula-lo), Potter irradiava calma e paz. Como se todo o caos dele fosse o alívio do mundo... Não sei dizer, só sei que diante dele ali, eu me sentia a vontade de falar qualquer coisa, de ser sincero, pois tudo se resolveria.
Tudo ficaria em paz que nem quando você olha para um riacho azul cristalino e seus movimentos te hipnotizam e te acalmam fazendo você perder a noção do tempo mas se sentir bem com isso.
Se sentir em paz.
- Eu sou Draco que na língua do inferno significa Dragão por causa do meu poder com fogo. Sou filho de Lúcifer com Lilith e príncipe do inferno. Monstros, anjos, demônios e algumas outras coisas que nasceram dessa intercessão das classes de criaturas existem e eu não sei o que você é, mas desconfio que consiga ver o nosso mundo pois aqueles quadros que você falou não deveriam ser vistos por humanos. Além disso sou o líder de uma máfia famosa em Nova York, a Slytherin - Disse toda a verdade da maneira mais calma e alheia possível só me dando conta do que falei quando terminei.
MAS POR QUÊ, PELO MEU PAI, EU FALEI ESSAS MERDAS TODAS?
Blaise vai comer o meu cu com arroz, pois essas coisas deveriam ser segredo.
Merda, merda, MERDA.
Tô fodido.
Eu nem conheço esse Potter direito e agora ele sabe de tudo.
Olha que eu não confio nem na minha própria sombra... Por isso só conto a verdade para meus dois amigos e Ginny, minha terapeuta que foi enfeitiçada para não conseguir falar nada sobre mim para ninguém a não ser eu.
Todo mundo pode trair todo mundo.
O jovem Potter me olhava como se realmente não estivesse aqui, e sim em seu próprio mundo de pensamentos, com certeza surtando internamente. Não que eu não esteja também.
Eu ainda não entendo o porquê disso tudo estar acontecendo, mas sei que me assusta.
E da pra listar nos dedos as coisas que me assustam.
Meu pai, Pansy e Blaise quando estão bolados ou usando seus poderes em totalidade, Deus, a Escuridão e Cupidos com aqueles arcos idiotas e sorrisos perversos de como quem vai f***r a sua vida te fazendo ficar apaixonado apenas com uma flechada...
Acho que eu tenho trauma de flechas no geral... tenho que lembrar de tratar isso na terapia depois.
Uns dez minutos devem ter se passado com eu e o moreno surtando internamente e em completo silêncio, até ele o quebrar:
- Preciso ir em bora... me dá a chave do seu carro.
- O QUE? Obvio que eu não vou dar a chave de um dos meus carros para você!
Meus carros não são veículos normais. Sempre gostei de combinar luxo com potência ainda mais pras perseguições etc. Todos os meus carros são blindados, possuem rastreadores e alertas para que os seguranças dos meus estabelecimentos saibam que tem que da acesso aos passageiros dos carros sem fazerem perguntas, possuem baterias de um elemento químico só presente no inferno, além de serem feitos e equipados para mim e os principais membros da Slytherin com todo conter tipo de coisas...
- Me da a p***a da chave do carro Malfoy, eu quero ir para casa e preciso ir sozinho - Dessa vez ele falou calmo, quase que com um tom psicopata, o que só me deu mais medo ainda.
Irônico eu ser um ser infernal com medo de um garoto de nem 20 anos, mas a vida é assim.
Manda quem pode e obedecem quem tem juízo.
Mas, ao contrário de antes, eu não me senti induzido a realizar as suas vontades... mesmo assim eu não fui todo de n**a-las.
Obvio que eu vou querer o meu carro de volta, mas acho que não tem perigo ele ir em bora com o mais simplesinho deles...
Fui até a sala no armário de chaves procurando a do meu porsche que eu menos gosto e entregando nas mãos do menino que só me perguntou onde era a saída antes de desaparecer correndo.
Eu nunca o obrigaria a ficar, aliás, a porta da rua é serventia de casa, mas ele foi me deixando com mais dúvidas do que antes.
O mundo parecia girar em confusão, e eu estava a mercê disso tudo sem entender bulufas.
Só sei que os anjos escribas do destino devem estar de zoação com a minha cara. Ontem eu só tinha dois problema para resolver: Matar grifinórios pra desmembrar a máfia rival, e me decidir se eu iria levar o pequeno garoto de saia para o hospital ou não.
Mas acontece que esse "pequeno garoto" não é inocente ou pacífico como o do sonho que tive cedo. Na verdade, ele fodeu com tudo.
Agora eu tenho que dar um jeito de acha-lo em uma cidade chamada Nova York que é maior que o ego do meu pai. Tenho que dar um jeito de saber o que ele sabe e o que ele é. Tenho que saber se isso tem haver com a minha vida de mafioso, ou só a de ser sobrenatural. Tenho que contar para os meus amigos o que aconteceu. Tenho que descobri como que o Potter me enfeitiçou...
E tenho que pegar o meu carro de volta. Não sei se sobrevivo sem que todos eles estejam bonitinhos na garagem.
Tenho que fazer um bilhão de coisas ao ponto deu ficar com dor de cabeça e não querer fazer nada.
Peguei a chave de um carro qualquer e também saí do apartamento.
Ainda nem é meio dia e a Hades, deve estar fechada, mas por isso é bom ser o dono da p***a toda.
Dirigi saindo de Manhattan e indo até Queens, onde a minha boate fica. Não é um distrito muito nobre, mas é um boa lugar para investimentos noturnos, o que faz a Hades ser a boate mais famosa da cidade.
Entrei no lugar cumprimentando os seguranças Crabbe e Goyle os quais eu nunca sei diferenciar.
Sabe, era disso que eu precisava para espairecer. O lugar cheira a sexo, bebida e euforia mesmo fechado, além de muito luxo.
Casa.
Sentei no balcão e comecei a beber qualquer coisa que visse pela frente. Tenho muita tolerância a bebidas humanas, então nunca tive problemas por exagerar nas drogas, álcool ou coisas do tipo.
Não sei em que momento Pansy chegou e começou a beber comigo, mas quando vi já estava despejando tudo o que aconteceu nela.
A morena me ouvia com atenção se segurando para não rir todas as vezes que eu falava que Harry mesmo sendo menor que eu, aparentemente humano, emocionalmente abalado, e tendo muitas centenas de anos de diferença (se considerarmos a minha idade infernal), ainda conseguiu sair de lá com a verdade que muitos mafiosos morriam sem conseguir, e com um dos meus carros...
Talvez eu seja uma piada mesmo, o que só me fez ficar com mais ódio e curiosidade sobre um garoto chamado Harry Potter que eu gostaria que me deixasse viver minha vida quieto sem jamais me incomodar com a sua paz estranha que só traz caos para a minha vida.
до тех пор, пока не будет больше ребенка