Rosa me da nojo

4585 Words
"Que a força do medo que tenho, não me impeça de ter o que anseio. Que a morte de tudo em que acredito, não me tape os ouvidos e a boca. Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio..." Ferreira Gullar ⚠⚠⚠ (esse capítulo é meio Dark... desculpa mas era necessário). ❤Harry Pov❤ Olhe, eu não queria ser um sobrenatural ou seja lá o que eu for, e nem ter me envolvido com a máfia, pois isso fode com a sua mente. Se você está lendo isso até aqui é porque está gostando da minha história, está se identificando comigo, ou até mesmo queria estar no meu lugar... Mas meu conselho é o seguinte: não continue. Acredite em qualquer mentira que o mundo real queira que você se aliene, e tente viver uma vida normal. Pois tenho certeza que você não queria estar aqui do meu lugar, literalmente em uma caçada a prisioneiros em uma mansão em plenas 3h da matina em meio a uma tempestade que começou do nada. Pelo que entendi da fala de Pansy e Blaise, sem energia ou aparelhos de comunicação (eles usaram um pulso eletromagnético logo após a ligação do Draco, o qual fez todo aparelho eletrônico construído nessa década virar sucata) estamos de volta a uma caçada da idade das pedras. Pelo menos agora temos fuzis e metralhadoras automáticas... por mais que eu ainda prefiro o meu arco e flecha. - Ok, todos os sonserinos que não tem capacidade para nos ajudar estão agrupados no quarto do pânico. Remus está tomando conta deles e impedindo que vomitem uns nos outros e coisas assim - Pansy disse. - Beleza, vamos nos dividir em duplas, uma pessoa que já conheça Hogwarts bem e alguém para dar cobertura - Draco falou para os presentes enquanto distribuía coletes a prova de balas para os membros "humanos" do grupo. Que merda, esse colete não combina nada com a minha fantasia... eu estava tão gato. - Fiquem atentos e protejam seus parceiros. Não sabemos onde eles estão, o que querem, como se soltaram ou se conseguiram chegar a algum dos acenais da casa e se armarem. Estejam preparados para tudo - Blaise completou colocando um grande mapa em cima da mesa de mármore. - Tonks e Pansy vão para a ala sul, Luna e Blaise para a leste, Bellatrix você está muito chapada ou consegue ir com o Theo para a oeste? - Draco ia montando as duplas e apontando para partes do mapa que eu m*l podia ver já que poucas lanternas iluminavam o lugar. - Deixa comigo chefinho. É Halloween e é hora de bruxas como eu estarem a solta caçando humanos maus como eles - Bella sempre vai me causar arrepios, não importa o que fale. - Perfeito, Fred vai com o Crabbe para a área externa, Goyle vai com a Regulus para o subsolo e eu e o Harry vamos para a ala norte. Os que eu não falei o nome vão se dividir em dois grupos, quem é do segundo, terceiro ou quarto círculo vai fazer guarda na frente da sala do cofre, e os dos círculos inferiores vão para os portões de Hogwarts garantir que ninguém tente escapar. - Mas tá chovendo... - Um garoto qualquer resmungou mas Draco ignorou e Pansy apenas riu antes de dispersar aqueles que não fossem do primeiro círculo. - Cada dupla vai levar um Walkie Talkie para dar um sinal em código morse caso ache alguém - Blaise me entregou um que graças a Deus eu sei usar por causa do meu tempo no escoteiro. - O que fazemos com eles quando acharmos? - Theo perguntou ao pegar o seu rádio e eu senti algo estranho apertando na minha garganta e martelando na minha mente. Como uma segunda camada de sentimentos sobre os seus próprios, uma camada fina e tênue mas quase tangível quando me concentro. Eu conseguia sentir a raiva dele... e de todos. - Matem. Eles tiveram a audácia de orquestrar uma invasão na Hades, e alguns deles podem ser até os assassinos de Agatha, Anna e Vinnie e tantos outros que não sabemos... E agora eles tomaram Hogwarts, o nosso lar... deixem que eles queimem no inferno - Draco disse antes de abrir a mão e deixar que fogo nascesse por seus dedos, iluminando a todos no mesmo momento que um grande raio iluminou o lado de fora da casa deixando a claridade entrar pela janela antes do barulho estridente dando um ar dramático a tudo. - Boa caçada - Tonks disse animada dando pulinhos sendo acompanhada por uma Pansy séria e mais armada que qualquer policial que eu já tenha visto. Ela carregava facas em lugares que eu realmente não quero entender como... - Vamos Potter, fica do meu lado e me de cobertura. - Vamos logo antes que eu vomite. Draco soltou algo como uma risada e foi andando iluminando os corredores com uma bola de fogo que ele fazia flutuar a nossa frente. Já eu o seguia tentando me atentar a qualquer movimento a minha volta, sempre com o arco pronto para disparar. Não sei se sou capaz de matar alguém... não acredito que isso seja o certo e nem um caminho que eu queira traçar na minha vida. Uma coisa é legitima defesa, mas se eu tiver escolha, sempre vou deixar que outra pessoa termine o serviço. Mas isso não impede que eu atire algumas flechar para desarmar e imobilizar esses idiotas. Isso me faz lembra de seis dias atrás, quando eu estava realmente cogitando em matar o Draco dormindo... somos feitos de momentos né. O tempo foi se alongando e eu estava morrendo de frio, sono, cansaço, ressaca e medo agora. A chuva caia forte lá fora, dando um ar ainda mais assustador para toda essa situação. Mas o pior era o silêncio, esse perpétuo e incisivo fazendo calafrios percorrerem a minha pele, minha boca ficar seca e a ansiedade atacar com tudo. - Enquanto procuramos, você bem que podia me explicar os seus poderes né - Quase que implorei para o loiro que tinha uma pistola em cada mão, e parecia gastar esforço nenhum para controlar o fogo a nossa frente e caminhar graciosamente como um felino sem fazer barulho algum. Eu precisava de distração se não iria enlouquecer. - Bem, eu sou um híbrido de anjo com demônio, possuo o melhor de cada lado expressando-os de maneira autêntica. Que nem o meu pai, um dia terei asas que devem expressar a minha personalidade, mas até lá possuo a imortalidade dele e um pouco de sangue prateado que me possibilita ver as almas das pessoas. Já da minha mãe eu peguei o sangue preto que traz força demoníaca, imortalidade facultativa também, sentidos mais apurados e o poder de controlar o fogo do inferno, sendo o único até agora a conseguir essa proeza. Draco sussurrava sério enquanto contiguávamos a avançar por corredores que pareciam iguais para mim. Uma ou duas vezes tropecei em mim mesmo e quase fui ao chão, mas tentei manter a pose e continuar caminhando. Olha que temos uma chama iluminando o caminho, imagina as duplas que estão com míseras lanternas. - E por que você ainda não tem asas? - Você precisa merecer ou precisar muito de uma para que ela apareça. Eu consigo sentir as minhas as vezes, mas ainda não é hora. - Qual você imagina que é o próximo selo? - Perguntei antes de vários "bips" tocarem no rádio no cós da minha saia informando que um dos 7 fugitivos já esta morto pelo Blaise. - Não faço o c*****o de ideia, mas não deve ser nada de bom. - Tá sendo legal morar com a Luna? Você me mandou mensagem dizendo que ela se mudou para o seu apartamento do nada - Perguntei ainda sussurrando. - É estranho, não entendo porque ela quer ser minha amiga, mas até que está sendo legal. Você vai continuar fazendo mil e uma perguntas ou podemos ficar em silêncio e concentrados em caça esses filhos da p**a? - Me perguntou bem rude ao ponto que tive que me segurar para não traçar um alvo na sua b***a e atirar uma flecha. O silêncio estranho voltou a se restaurar entre nós enquanto a chama de Malfoy crepitava a nossa frente iluminando sinuosamente o caminho, criando um cenário digno de Halloween. Na verdade era como estar na merda de um filme de suspense onde nada acontecia, não víamos ninguém, mas em um instante tudo poderia mudar. E isso estava começando a ficar cansativo. Mais duas outras vezes o Walkie Talkie acionou, uma foi Theo falando que mais um grifinório foi abatido, e depois Tonks que para informar que Pansy fez o mesmo com mais dois. E os minutos foram se alongando me deixando com uma agonia terrível ao ponto deu começar a cantarolar a primeira música que veio na minha cabeça. "Aqui estou, sendo quem eu sou Dou tudo de mim, sei o que quero Lá vou eu, com muita emoção Brilho na escuridão, outra vez, outra vez Outra vez, outra vez, outra vez" - Sério que você está cantando Barbie a essa hora? - Draco parou de andar e se virou para me olhar tentando segurar a risada. - Ei! não me critique, estou nervoso e você fica nesse silêncio ai parecendo um morto. - Você tem um ponto. - Eu tenho o ponto querido - Disse divertido voltando a andar. - Esnobe - Draco resmungou mas também estava sorrindo. - Egocêntrico - Joguei na mesma moeda. - Me xinga de novo pra você ver - Draco ainda estava se divertindo apesar de estar sendo ofendido, mas tentou parecer sério ao me ameaçar. - Se não você vai fazer o que Malfoy? Lembra que prometeu não me matar a uma hora atrás? - Eu estava amando isso de poder irrita-lo a vontade. Óbvio que no fundo eu tenho medo dele se descontrolar e acabar me matando (afinal ele é o príncipe do inferno), mas ele sente o mesmo por mim... e acho que confio nele (como se eu tivesse outra opção). - Nem me lembre disso moreninho - Draco revirou os olhos e deixou escapar um sorriso ladino enquanto ainda me olhava virado para mim. Todavia, eu nem estava prestando atenção nele mais, pois mesmo com a visão embaçada pela ressaca consegui ver algo nas suas costas a alguns metros. Era uma pessoa, então simplesmente apontei a flecha para milímetros a esquerda do braço do Draco e atirei, tudo antes de dar tempo de soltar a respiração. Fiquei com medo do mini d***o achar que eu estava tentando atirar nele, de novo, mas esqueci que super velocidade faz parte do pacote de poderes sobrenaturais dele. Draco me olhou quando levantei o arco, e tudo parecia estar em câmera lenta, mesmo não passando de um segundo. Ele viu algo no meu olhar que dizia o que ele precisava saber, então ficou parado me deixando mirar no nosso fugitivo confiando que eu não iria acerta-lo no processo. E mesmo se acertasse, acho que ele não ligaria, mesmo assim ele confiou em mim para cuidar disso. E com maestria a flecha cortou o ar análoga a uma faca cortando a pele, mas com um alvo certeiro. Conseguinte, um grito de dor foi ouvido e o corpo de alguém foi ao chão. Não morto, mas com uma flechada feia na barriga, que talvez tenha atravessado a região estomacal, mas não posso ter certeza estando tão longe ainda. O d***o loiro piscou para mim orgulhoso antes de se virar e caminhar até o nosso grifinório. Eu já ia pegar o Walkie Talkie quando o mesmo ligou e Crabbe informou que eles pegaram 2 que já estavam mortos, tudo em código morse. Como já estávamos na mesma frequência, passei a mensagem sobre a nossa situação também. Me aproximei de Draco que apontava uma das armas direto para o coração da pessoa caída que soltava resmungos desconexos pela dor. Ele destravou a pistola e ai apertar o gatilho... quando eu reconheci a pessoa. - NÃO - Gritei descrédulo com a minha mente começando a girar. Malfoy manteve a arma em mira, mas se virou para me olhar confuso. - Não... não atira. Eu conheço ela. Essa vaca era a minha babá até alguns anos atrás, fazendo de minha infância um inferno. Eu real havia esquecido das coisas que ela me fez até voltar a vê-la e todas as lembranças virem com tudo na minha mente. Eu meio que a apaguei das minhas memórias... mas agora me lembro. Como eu pude simplesmente esquecer? Dolores Umbridge é uma das piores pessoas que existe na face da terra. Ela me batia, e meu pai sempre lhe dava razão falando que eu provavelmente mereci tal ato. Me agredia verbalmente todos os dias quando eu tinha apenas sete anos de idade...Me dava apenas uma refeição por dia dizendo que eu não podia ficar um "gordo i****a" então era melhor fechar a boca, não me deixava brincar... E o pior era que ela só cessava quando meus padrinhos vinham me visitar para se fingir de boa moça. Mas na verdade ela me ameaçava dizendo que se eu falasse algo com Sirius ou Remus seria pior para mim... Eu só tinha sete anos, não tinha noção das coisas e só queria que aquilo parasse... - Como assim você conhece ela? - Draco perguntou apreensivo. O problema é que tudo aquilo começou a ser de mais. As memórias antigas que eu havia apagado retornando, a pressão presente de tudo isso de sobrenatural, a raiva reprimida pela minha infância e família... A p***a da minha ex babá ser uma assassina... O que mais na minha vida foi uma mentira? - Ela era minha babá Draco... funcionária do meu pai até hoje nas empresas. Ela... me agredia - Tentei transparecer os meus pensamentos para o loiro mesmo com lágrimas nos olhos e respiração ofegante. Que bom que ele pareceu compreender já que ele foi e atirou no ombro dela, pois não sei se eu estava bem. Normalmente consigo controlar bem minhas emoções, mas esse sentimento de nunca saber tudo, de ser sempre incapaz de juntar as merdas das peças do quebra cabeça... estava me deixando com raiva. Como eu pude esquecer de como fui tratado como um merda na infância? Dolores, meu pai falando que tem nojo de mim... era tudo de mais agora. E eu não sabia o que era mais forte, a tempestade de chuva no exterior da casa, ou a tempestade de sentimentos e pensamentos dentro de mim, como um monstro enjaulado arranhando minha pele com ânsia de sair. Draco me olhava com questionamento, mas minha respiração estava descompassada e eu não estava pensando direito, ao ponto de me abaixar perto da Dolores por puro impulso e colocar a mão na flecha, causando-lhe uma dor imensa. - Me fala a verdade - Minha voz era calma, e até meio psicopata, mas eu estava, com todas as minhas forças, tentando controlar o meu ataque de raiva, e era só isso que estava me impedindo de fazer algo mais sério. - Oi esquisitinho - Ela me chamou pelo apelido que ela me deu na infância, o que me fez começar a tremer um pouco de tanto nervoso. Mesmo quase vomitando sangue, Dolores continuava a mesma "vaca cor de rosa", como eu costumava chamar ela as escondidas na infância. E só agora eu me lembro disso... - Ei Harry, concentre em respirar - Draco estava ajoelhado ao meu lado parecendo preocupado, com uma mão em meu ombro e outra ainda com a pistola apontada para a velhota. Mas era como se tudo entrasse e saísse de foco. E a convicção que eu tinha que Dolores iria preferir morrer do que me contar sobre as outras coisas que eu não sabia ou apaguei da minha própria memória, me deixava com ainda mais raiva. Nem percebi quando os raios azuis e violeta começaram a se estender pelos meus braços novamente ainda mais vívidos que antes, e nem quando coloquei a mão sobre o coração da mulher e comecei a dividir essa agonia que estava sentindo com ela. Tinha ciência que Draco se afastou, pegou o Walkie Talkie na minha cintura e se comunicava as pressas com o pessoal sem tirar os olhos de mim. Mas eu estava concentrado em faze-la sentir toda essa frustação que estava me levando ao acesso de raiva, toda essa carga de sentimentos que as vezes vem do nada e são difíceis de conter. Deixei ela sentir apenas uma centelha do que eu estava sentindo, mesmo eu não sabendo como estou fazendo isso, e como consequência no minuto seguinte Dolores já estava gritando de dor implorando para eu parar que ela me contaria tudo. Me afastei rapidamente recuando até sentar contra a parede oposta do corredor, com medo do que eu poderia fazer se ficasse mais perto. Medo de não conseguir controlar. - Fala - Exigi entre os suspiros descompassados, mas com a voz firme e exigente. - A Gryffindor está mais perto do que você imagina. Eu sou do baixo nível, não sei de muitas coisas e só fazia o que James me ordenava. Mas você sabe mais do que acha. Nessa hora parecia que todo o ar do mundo tinha acabado. O que meu pai tem haver com isso? O que eu posso estar esquecendo? Olhei com desespero para Draco e ele retribuiu o olhar na mesma proporção mas com preocupação. Ele se aproximou e segurou meus pulsos que eu nem percebi que estavam fechados ao ponto de começar a sair sangue, o qual escorria sinuosamente pelo meu ante braço e pingava no chão. Algumas lágrimas de cansaço e confusão começaram a escorrer pela minha face, e Malfoy não pensou duas vezes antes de me abraçar firme contra o seu peito, me fazendo sentar entre suas pernas. Meu poder ainda oscilava, e eu conseguia sentir toda a tempestade de sentimentos meus querendo sair e serem irradiados... mas me concentrei nos sentimentos amemos que Draco tentava sentir e transpassar para mim. Foquei no contrário que estava sentindo, na paz. Era confortável estar ali com ele. Era como se o loiro me lembrasse que existe paz apesar das minhas emoções, enquanto eu literalmente irradiava paz para ele. Isso era confuso, mas era até que bom. Equilíbrio. Não sei quanto tempo fiquei ali me deixando ser acolhido pelos braços e emoções dele, mas em um determinado momento vi um borrão rosa se levantar e ir cambaleando para longe da gente mesmo gemendo de dor. Depois disso tudo, eu sinceramente tenho nojo de rosa e tudo o que isso significa... Dolores iria escapar... todavia, antes de eu me dar conta, Draco sacou a arma e atirou bem na cabeça dela, sem parar de me abraçar em momento algum. Como se eu fosse mais importante que o corpo estatelado no chão. Isso me fez sentir bem... ninguém nunca tinha colocado o meu bem como prioridade. É até que bom essa sensação. Me senti indiferente a morte de Dolores. Não posso dizer que fiquei triste pois obviamente seria uma mentira, mas tão pouco fiquei feliz. Ainda é uma morte, e cada vida conta mesmo de pessoas escrotas homofobicas que batem em crianças e as ameaçam ao ponto delas criarem um bloqueio mental a essas lembranças. - Vai ficar tudo bem, estamos juntos nessa ok? Foca na minha voz e tenta controlar os poderes. Pelo que eu entendi eles se ativam quando você tem uma emoção forte, então é só respirar fundo e deixar fluir. Finge que nada mais importa, e acredite que você está seguro... pois agora você está comigo - Draco ia falando baixinho para mim. Tentei fazer o que ele falava, e me concentrar na sua voz ajudou bastante. Em pouco tempo vi a visão voltar ao foco e a luz azul perolada sumir. Mesmo assim Draco não me largou, então aproveitei para chorar por tudo que tinha pra chorar. As vezes me acho fraco por ter essas crises de ansiedade, de raiva... tudo por não saber lidar com minhas próprias emoções e com tanta coisa acontecendo em tão pouco tempo. Mas aí lembro que pessoas como eu são as mais fortes do mundo. E eu estou continuando a nadar, e isso já é motivo de orgulho para mim mesmo. E olha, eu nem surtei tanto assim com toda essa coisa de máfia, sobrenatural... acho que eu estou indo bem. Um passo de cada vez. Nem vi quando as luzes reacenderam, ou quando Pansy, Blaise e Luna chegaram pra avisar que acabou, todos eles estavam mortos e conseguiram religar a energia e a comunicação. Só me concentravam na minha própria mente, e em como Malfoy cheira a menta. Nem consegui ter tempo pra recusar antes de Draco se levantar e me trazer junto no colo. Não estava a fim de lutar, então apenas entrelacei as pernas na cintura dele, e os braços no pescoço enquanto ele andava sem dificuldade por Hogwarts me mantendo firme em seus braços. Graças a Deus acabou, saímos dessa quarentena diabólica. Mas que só me deixou mais perguntas. - O que aconteceu com ele? - Ouvi a voz de Remus e Sirius meio desesperadas quando chegamos na sala de reuniões. Tenho ciência que todos devem estar olhando para mim no colo do Draco e se perguntando que merda aconteceu... o que só fez eu apertar ainda mais o meu rosto contra o pescoço do loiro. Mas realmente deve estar bem estranho a imagem de um líder de máfia e sobrenatural vestido de d***o (e sendo filho do próprio a propósito) carregando nos braços um universitário vestido todo sexy do anjo rival do pai dele... Draco ignorou a pergunta dos meus padrinhos e se sentou na sua cadeira na cabeceira da mesa ainda me tendo agarrado a ele. Quero resolver isso e quero estar presente para saber das coisas (sou curioso), mas não tenho forças pra olhar pra ninguém... então que bom que Draco me deixou ficar assim. - Todos mortos? - Perguntou sendo seguido de um monte de resmungos afirmativos. - Alguma baixa do nosso lado? O que eles queriam? - Ninguém de nós morreu Draco, e Bella torturou um deles e descobriu que queriam a lista que esta no cofre aqui em Hogwarts - Uma voz que acho ser da Pansy disse. - O que é a lista? - Sussurrei baixinho no ouvido do Draco. . - Uma lista de todos os sobrenaturais de nova York que estão sobre a proteção da Slytherin - Sussurrou de volta. - Será que isso tem haver com o próximo selo? - Luna questionou - Só decodificando ele saberemos Lu... mas a questão é que esses sobrenaturais confiaram em nós, e ninguém mais vai morrer. Regulus, crie um canal de emergência para todos eles se comunicarem conosco que nem o botão de alerta de perigo do primeiro círculo. Blaise, reforce o cofre com todas as medidas que existem, o dinheiro não importa, daremos um jeito. Coisas como as que aconteceram hoje não podem jamais acontecerem de novo, então vamos descansar e nos recuperar hoje e amanhã, mas segunda teremos uma reunião de logística para nos fortalecermos ainda mais. Draco falava com calma enquanto fazia carinho nas minhas costas com a mão, mas consigo sentir a seus músculos tensos e sua respiração pesada. Estamos falando da máfia dele, e pessoas que acreditam que estão seguras e confiam nele... Agora eu entendo. Isso de salvar o mundo do apocalipse, de defender Nova York de pessoas piores que podem incluir até o meu pai... significa tudo para Draco. Significa testar ser o rei de algo, e acima de tudo, ser um bom líder. Significa fazer o bem e ser bom nisso. - Só mais uma coisa antes de saírem, o vice prefeito Potter e as impressas dele podem estar envolvidos com a Gryffindor. Investigam cada maldita ponta solta e me falem todo o que descobrirem. Um silêncio estranho se abateu na sala e sinto os olhares de todos sobre mim. Sou um Potter, e eles devem estar se perguntando como tudo isso está se desenrolando e o que diabos aconteceu para eu estar assim. Quebrado. Mas o que eles não sabem é que descobrir que eu mesmo apaguei coisas do meu passado, e que o meu pai pode ser um mafioso, pode ter me quebrado agora que o baque veio, mas no futuro usarei esses cacos de vidro para dilacerar quem merece, e quem está fazendo essa droga de apocalipse que só está me causando dor de cabeça. - James? Não, ele pode ser um babaca mas não é um mafioso - Sirius disse e eu não contive a risada contra o pescoço do Draco. - Estranho, eu pensava o mesmo de você quando me abandonou e olha a gente aqui - Me limitei a dizer ainda sem olhar para ninguém. - Isso não está em questão, apenas investiguem. Mas agora vão para casa descansar, vocês estão fedendo a bebida - Draco disse e ouvi cadeiras sendo arrastadas e passos ecoando e saindo até cessarem - Você está bem? - Você sempre vai ficar me perguntando isso? - Levantei o rosto e olhei fundo nos olhos dele. - Sempre que eu me lembrar. Gosto de encher o saco... mas é sério, como você está? - A vida é cheia de descobertas Draco. Umas nos deixam felizes, outras tristes e muitas assustados... Eu sei que tenho problema para me controlar, mas eu vou ficar bem. Essa novidade não é maior do que a do sobrenatural, ou sobre a dos meus poderes... e como essas ultimas, eu vou superar essa. - Tenho certeza que vai. Eu sei que nos conhecemos a pouco tempo Harry, mas eu sei que você é forte. E eu estou aqui pra dividir a minha força com você quando quiser e precisar. Um dia vai me contar o que exatamente a mulher cor de rosa te fez? - Draco perguntou. - Talvez um dia - Draco fazia carinho no meu cabelo, e toda essa cena que incluía eu sentado no colo do príncipe do inferno e tudo mais poderia ter uma conotação romântica na mente de quem visse... Mas não. Pelo contrário, não havia nada de romântico ou s****l naquilo. Era só alguém com coração e que se importava minimamente para cuidar de mim em uma das minhas crises. E eu realmente precisava de alguém que me apoiasse agora, e estava feliz por ele se oferecer a isso. - Me leva pra casa? Acho que vou levar um mês pra me recuperar desse terror de Halloween. — Embarque na Charloty em cinco minutos, só vou pegar um chocolate quente para você e uma garrafa de Whisky pra mim na cozinha e material pra curativo para as suas mãos. — Chocolate é o c*****o, também quero Whisky - Respondi me levantando de vagar. Com isso Draco e eu caímos na risada e fomos conversando todo o caminho de volta depois dele enfaixar bem m*l minha mão. Ele me deixou livre para falar o que eu quiser sem se importar com a maritaca que sou. Variei de assuntos aleatórios que passavam pela minha mente até perguntas sobre o sobrenatural, os grifinórios e a luta da Slytherin contra eles. Se meu pai for um, quero estar preparado. Até lá vou focar em mim, e em ficar bem... pois a baixo da merda do apocalipse, a prioridade é eu, e sempre vai ser.
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