"Vai me very com outros olhos ou com os olhos dos outros?"
Paulo Leminski
Harry Pov
Meus queridos amigos, deixa eu situar vocês sobre meu fantástico mês.
Novembro entrou e depois da festa de Halloween eu estava (com total razão, só pra deixar claro) hiper paranoico sobre o meu pai. Dormir no mesmo apartamento que ele estava sendo quase que uma tortura, e não é porque eu gosto de b**m que eu aprecie sofrer dessa forma.
E o pior é que as minhas desculpas para passar a noite fora e fugir para o meu loft, Hogwarts ou o apartamento do Draco e da Luna estão acabando.
Então, graças a Deus vai ter essa viajem com o pessoal da faculdade a qual ansiamos a meses.
Com o fim do período, a NYU oferece para cada ano um tipo de excursão diferente, desde que os alunos tenham tido bons rendimentos acadêmicos e paguem uma certa quantia.
Bem, dinheiro nunca é problema para mim.
Como ainda sou calouro, a viagem desse ano não é tão glamorosa como a dos veteranos que vão para a Argentina... não, a gente vai para um hotel fazenda na Carolina do Sul mesmo.
Uma merda, mas pelo menos vou poder ficar chapado e curtir com os meus amigos. Algo que foi motivo de piada para o Draco.
Por falar no capetinha de grife, até que Draco não é tão chato assim...
O último mês também foi de muito treinamento e loucuras em Hogwarts. Todos da Slytherin me acolheram muito bem, mas só tiveram uma exigência: que eu treine para não ficar indefeso (segundo eles não posso saber atirar só com arco e flecha pois existem outras armas no mundo, e nem sempre vou estar com o meu arco) e saber controlar bem os meus poderes, o que é uma merda pois eles são fortes pra c*****o e eu vivo apanhando...
Estamos quase desvendando o próximo selo, e acho que essa coisa de apocalipse sempre irá me assustar. Mas aprendi que enfrentar o medo com pessoas que te apoiam... faz parte da vida.
E eu até que gosto de viver.
- Pai estou indo! - Gritei andando em direção a saída da nossa cobertura, tentando o máximo possível esconder o alívio que estou sentindo por sair de perto dele nem que seja por um final de semana.
Já anoiteceu, e logo mais estarei rumando para o sul do país, pois a programação é que viajemos no início da noite para chegarmos no hotel fazenda de madrugada e começarmos as atividades realmente amanhã.
- Beijos filho, lembre-se que eu te amo garoto - James disse do sofá da sala me fazendo parar com a mão no meio do caminho para apertar o botão do elevador.
Eu não sabia o que responder, na verdade eu estava em choque com essas palavras, mesmo que para mim elas soem que nem uma despedida.
James não fala que me ama a anos, e sempre era porque queria manter as aparências na frente das pessoas... e não faz muito tempo que ele falou que tem nojo de mim enquanto tudo o que eu queria era que ele dissesse que me amava e que tinha orgulho de mim.
Como um pai deveria agir não importando como seja seu filho.
Mas agora que ele disse as três palavras... não sinto diferença.
Não sinto orgulho, ou felicidade, muito menos realização. Eu pensei que o "eu te amo" do meu pai me faria entrar em estase, mas me sinto indiferente, pois sei que suas palavras foram vazias.
E isso é triste pra c*****o, pois um "eu te amo" sempre deveria ser especial. Pessoas dizem de mais que amam umas as outras, todavia não sentem realmente o que é o amor. Não esse sentimento puro e em totalidade que eu só posso supor que nos faça vibrar de alegria e o coração acelerar não importando se vem de um namorado, amigo, ou família...
Um "eu te amo" deveria ser tudo, mas virou nada.
Ao mesmo tempo que essa constatação me faz sentir meio catatônico, é a primeira vez que não me sinto influenciado ou manipulável pelo meu pai. Primeira vez que ele não consegue me desarmar com suas palavras ou suas falsas promessas de ser alguém que eu realmente queria que ele fosse... e isso é extraordinário.
Eu o amo, mas entendo que nunca vai ser recíproco mesmo eu sendo o filho dele. James Tiago Potter é incapaz de amar, pois não respeita as pessoas, não sente empatia e não se importa com ninguém... E no final não importa se ele é um grifinório ou não, pois pra mim ele é o monstro, e suas palavras não são nem efêmeras, são puras mentiras.
São palavras vazias de um homem raso.
E eu sou complexo de mais para me iludir com algo tão superficial.
E agora, depois desse mês estranho e único que vivi... eu entendo isso.
Então saí sem dizer mais nada e entrei em um dos meus carros (o primeiro que vi) pisando fundo e indo encontrar meus amigos.
"Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros" dizia Confúsio. E eu realmente estou cansado de viver nesse ciclo vicioso com o James... E nada como recomeçar com o pé direito não é.
- E aí otários, ansiosos? - Questionei feliz ao descer do carro e receber o Ron e a Mione em um abraço caloroso.
Hermione é quase do meu tamanho, uma jovem bonita de 19 anos vinda de Chicago mas com descendência étnica sul americana e cabelos castanhos. Estuda jornalismo mas faz tantas aulas que poderia facilmente se formar em relações internacionais. Hoje minha amiga estava uma jardineira jeans e uma blusa confortável de uma série que ela ama de mais chamada "Scorpion".
Já Ronald é o caçula da família Weasley, que é uma das mais ricas de Nova York por causa da rede de igrejas que o pastor Arthur gerencia. Ele é bem alto e está estudando direito para seguir os paços dos outros irmãos (os chatos, não os que foram deserdados que nem os gêmeos ou menosprezados que nem a Ginny por escolher ser psicóloga) que são os melhores juízes e advogados de NY.
- Oi Hazz, não vejo a hora de chegar lá. Sabia que a cidade a qual vamos está tendo uma exposição de obras plásticas histórias? Não é fascinante?! - A castanha perguntou entanto andávamos empurrando nossas malas em direção ao ônibus bem meia boca que a faculdade contratou.
Sabia que tinha que ter aceitado a vaga Harvard quando entrei lá em vez da NYU... Mas Nova York sempre terá um encanto que me fará voltar para ela.
Talvez seja o destino sei lá... ou talvez eu esteja só viajando na maionese mesmo.
- Sério que você está pensando em coisas chatas Mione?! É a viagem de final de período! onde todo mundo fica muito bêbado e faz coisas que se arrependem no dia seguinte para comemorar um ano chato de estudos.
- Credo Harry, por isso eu não queria ir. Tudo isso é só uma fachada para o antro do pecado e dos prazeres carnais... - Ron fez uma careta feia enquanto colocava a mala no bagageiro do ônibus junto com dezenas de universitários que gritavam alto e já pareciam estar até meio aéreos de bebidas ou coisas piores.
- Ué, mas essa é a intenção - Respondi com diversão colocando minha mala também antes de puxar os meus amigos com animação para dentro do ônibus.
- Ok, vamos sentar aqui na frente pois quero ficar de olho no motorista para ver se ele excede o limite de velocidade, além de ser mais sossegado para ler - Hermione pontuava quando chegou a nossa hora de escolher os lugares.
- Concordo, aqui na frente vou poder ficar longe dessa bagunça do fundão - Ron completou se sentando no primeiro banco do ônibus junto com a Mione.
Na realidade eu queria me sentar lá trás com a galera, e zoar pelas 5h de viagem, mas também não queria ficar longe dos meus amigos. Relutante, mas sem escolha, me sentei na fileira de trás da deles, coloquei os meus fones e comecei a ler fanfic para passar o tempo até todos os estudantes entrarem e os monitores fazerem a contagem.
Estava quase chegando na parte hot quando a castanha e o ruivo se viraram para trás em seus bancos para conversarem comigo.
- Sabe Harry, desculpa por termos pegado o seu celular aquele dia e lido as mensagem... - Mione começou.
- É cara, não deveríamos ter feito isso... mas você está nos deixando curiosos com esse mistério todo. Vive conversando com alguém, indo a lugares que não quer nos contar e outro dia saiu aquela matéria no jornal com a foto de você e o Malfoy entrando em uma boate... esses lugares não são legais Harry, e só estamos com medo de você estar se envolvendo com as companhias erradas - Ron falou.
- Só estamos preocupados com você Harry. Isso tem haver com o seu problema? Eu já disso que você pode falar conosco sobre ser esquizofrênico que a gente estamos juntos nessa... se alguém estiver usando isso pra se aproveitar de você... - Hermione ia dizendo mas a interrompi.
- Eu não tenho um problema Hermione - Disse firme e já um pouco incomodado com essa situação.
- É claro que você tem Harry pare de ser ingênuo, mas não te julgamos por ser completamente pirado. Somos seus amigos, mesmo que você continue mentindo para nós - Ron disse e Mione conformou com a cabeça me fazendo revirar os olhos.
Saber o que eles pensam de mim depois que eu finalmente sei quem eu sou minimamente... tem sido bem doloroso nesse último mês. Antes eu concordava, pois não havia outra opção. Todos me diziam que eu era louco, e sem saber do sobrenatural, eu aceitava.
Só que agora sei que eu não tenho problema. Posso não ser normal, mas continuo sendo o Harry. Quem tem problema são os homofobicos, os pedófilos, quem está querendo o fim do mundo e o c*****o a quatro.
Eu sou só eu... por que eles não me deixam ser eu?
De maneira simples, segurei as lágrimas e concordei com os meus amigos. Dizem que a prática leva a perfeição, e de tanto segurar o choro e concordar com as pessoas, poso dizer que fiquei mestre nisso.
- Está tudo bem, e eu não estou escondendo nada de vocês, eu juro. E eu só estou mandando mensagem para um colega... não é nada de mais. Podemos esquecer isso?
Mesmo duvidosos, a dupla concordou e voltou a se sentar direito. Logo o ônibus deu partida e começou o lento caminho para fora de Nova York, correndo elegantemente pelas estradas enquanto eu me dedicava a ouvir música e olhar as paisagens que passavam borradas, mesmo não estando realmente vendo elas.
Minha mente estava lá no fundo do ônibus, onde o cheiro de drogas, o som alto e a falação indicavam os jovens "questionáveis" como o Ron diria. Não estou dizendo que quero entrar nessa vida de zoeira e alegria efêmera... mas eu queria poder experimentar ser livre que nem eles e fazer o que eu quero.
Ser livre que nem como eu sou em meio aos sonserinos ou quando mando mensagem para o Draco.
Carpe diem... belo termo na teoria, difícil de realmente viver.
Ron dividia o seu tempo entre conversar unilateralmente comigo, comer os mil tipos de lanches que ele trouxe, ler alguns sermões do seu pai pela internet e dormir. Já Hermione m*l tirou a cara do livro, o que eu posso até entender. O que eu não entendo é a obsessão por controlar o tipo de direção do motorista... por isso que não gosto de dirigir com ela.
O tempo foi escorrendo que nem água límpida pelas mãos quando há correnteza. E os minutos foram transcorrendo análogo as areias em uma ampulheta que não se importam com o exterior, e focam-se apenas em cair em cascata. E com isso a note foi ficando cada vez mais bonita do outro lado da janela, com milhões de estrelas que competiam com o brilho das luzes das cidades que passávamos, e venciam como verdadeiras inspirações de forças.
Em menos de um mês eu queria me juntar as estrelas pensando que ninguém iria ligar caso fizesse... agora tenho pessoas que se importam minimamente, e o irônico é que parece que o mundo precisa de mim.
Luna, Pansy e Draco tem uma hipótese que eu posso ser a chave para acabar com o apocalipse, para salvar a humanidade que durante a minha vida toda me julgou e discriminou culminando no meu quase suicídio. Mas sei que existem pessoas boas, e por isso vou fazer tudo ao meu alcance pra entender essa coisa toda de poderes.
As estrelas vão ter que esperar, pois agora eu finalmente estou vivendo, e possuo um propósito.
Durante todo o tempo da viagem era como se minha mente estivesse longe do meu corpo, totalmente perdida em meio a pensamentos tentando dosar a expectativa e a realidade da minha vida. Por mais que desejamos com todas as nossas forças termos uma vida boa e perfeita... isso nunca acontece. Sempre haverá uma parte que é confusa, r**m ou até mesmo incompatível com o que você queria ou o que você realmente é.
Mas isso não quer dizer que você pode parar de tentar ser autêntico.
Eu queria tanto que Ron, Mione, James, o apocalipse... tudo tivesse outro rumo. Mas não podemos mudar as pessoas, nem as situações que são impostas a nós, apenas como reagimos a elas.
Mas eu ainda não estou pronto para desistir da amizade dos meus amigos, não como eu desisti do James...
Em um determinado momento o meu celular toca, e eu vejo que é uma mensagem do Draco que dizia:
"Oi moreninho, essa hora vc deve ta na estrada e espero que esteja tudo bem. To aqui revirando na cama tentando dormir e tudo o que eu queria era uma ligação sua que nem aquele dia que vc me fez dormir só conversando comigo... gosto das nossas ligações. Mas enfim, se divirta bastante e não deixe que esses seus amigos babacas estraguem esse brilho autentico que só vc sabe ter, e que me tira completamente do sério"
Isso me fez sorrir, e foi o que me motivou a sair do ônibus de madrugada renovado e ansioso para essa viagem.
Não vou deixar que nada nem ninguém me impeça de curtir o fim de semana. Eu mereço essa p***a.
Os alunos se dividiram nos quartos onde teoricamente era pra dormir 4 pessoas do mesmo sexo para não haver "pouca vergonha" de madrugada segundo os monitores.
Ingênuos.
Estamos no século XXI e é até meio preconceituoso pensar que só existe relações sexuais hetero, e que todas as pessoas se enquadram em coisas antiquadas como masculino e feminino. Além disso, se um bando de jovens entre 18 e 20 anos quiser t*****r, não é a divisão de quarto que vai impedir.
Mas nada disso importa para mim no final, já que fiquei no mesmo quarto que Ron, Neville e Dino e sem intenção nenhuma de pegar um dos meus amigos ou sair do conforto da minha cama pra ir encontrar alguém lá fora.
Não é qualquer pessoa que apague o meu fogo no r**o, e eu posso sobreviver uma noite sem sexo.
Na manhã seguinte os guias do hotel fazenda nos mostraram as variedades de atividades que poderíamos fazer. Uma mais chata do que a outra, mas depois que deixei de lado um pouco o ressentimento dos meus amigos, foi até divertido passar o dia com eles que nem nos velhos tempos do trio de ouro.
Apesar de sermos muito diferentes e as vezes eles me magoarem... sei que não são que nem o meu pai. Eles só precisam aprender a serem mais mente aberta e menos preconceituosos...
Mas enfim, fizemos várias coisas legais. Pela manhã visitamos os animais que eles tinham lá, e um ganso perseguiu o Ron morro a baixo enquanto eu filmava e Mione ria da cara do ruivo pois ela avisou que era melhor não mexer com o animal e mesmo assim ele fez.
Nunca vi o meu amigo correr tanto... a não ser quando está atrasado para o culto ou quando tem frango frito na cantina da facu.
Depois de finalmente desviar da ave, Ron teve que se esforçar muito para não deixar nenhum palavrão escapar. Meu amigo odeia linguajar chulo apesar de fala-lo por impulso quando não pensa direito, no que ele chama de "desvios da santidade, e pecados da boca a qual só deveria falar coisas santas".
Depois disso almoçamos em um restaurante local junto com um grupo maior de amigos que incluia Neville, Frea, Dino, Liz e muitos outros, o que gerou boas risadas e eu fumando um baseado no banheiro escondido o qual uma colega minha me ofereceu.
A tarde fomos finalmente na exposição de artes que a Mione queria, que felizmente era ao ar livre. Então deixei a castanha olhando por vinte minutos para cada obra de arte e explicando um monte de coisas sobre elas para o Neville (Ron passou m*l de tanto comer e ficou no quarto), enquanto eu ficava por perto sentado aos pés de uma árvore escrevendo no meu caderno.
Como eu estava levemente chapado, aproveitei para escrever mais um capítulo do livro que é a maior loucura do mundo.
Obvio que ele seria, tem eu como personagem principal.
A algumas semanas tive uma ideia de escrever um livros de ficção contando toda essa minha jornada com o sobrenatural e a máfia, além de como vamos evitar o apocalipse (porque vamos, e nem ouse dizer o contrário). Ainda estou nos primeiros capítulos, mas estou bem animado de por tudo isso que estou vivendo no papel.
Obvio que mais ninguém sabe, pois realmente não sei como lidariam com o fato de eu tê-los transformado em personagens no meu livro... Sei que o Draco iria surtar, pois extrapolei um pouco na descrição dele...
No dia seguinte fomos a praia mesmo estando um frio assíduo. Novembro aqui nos Estados Unidos, mesmo com o aquecimento global, tem temperaturas médias de 5 a 15°C dependendo da nossa latitude e altitude.
No finalzinho da tarde aproveitamos para fazermos compras nos estabelecimentos locais, o que certamente gerou bolhas enormes no meus pezinhos lindos de tanto andar.
Enfim, quando a noite de domingo caiu, algumas pessoas resolveram fazer uma fogueira ao ar livre e chamar um monte de gente para beber e aproveitar o último dia antes de voltar para a turbulenta e excessiva Nova York.
Sinceramente, o final de semana passou muito rápido, mas foi bom tirar uma folga dessa doideira toda de máfia, apocalipse e sobrenatural e simplesmente ir para o campo, olhar a natureza, ficar horas encarando o horizonte na praia e rindo horrores das coisas aleatórias dos meus amigos.
Nunca entendi essa tara que jovens tem de beber e ficar chapado perto de fogo. Tipo, eu sou estabanado e tropeço a toa, e se eu cair no meio da fogueira? Minha b***a é muito gostosa pra ficar queimada. Mas sou um hipócrita também, pois sei que vou beber horrores.
Ron não quis ir e tentou me convencer a fazer o mesmo, quase usando de chantagem emocional, mas insisti. Mione não se importou, preferiu não ir e ficar lendo, mas disse que se eu precisasse dela era só mandar mensagem que desceria até o campo para me buscar.
Então aqui estou, bêbado pra c*****o deitado na grama em meio a arbustos olhando o céu enquanto uma gigantesca fogueira crepita e solta labaredas a alguns metros de distância.
As vozes de dezenas de universitários faziam melodia com a música alegre e meio sensual que tocava, em conjunto com um aleatório piar de corujas longínquas e alguns gemidos aleatórios de pessoas que provavelmente estão trepando em algum canto escuro. Todos estavam eufóricos e se divertindo, enquanto eu aproveitava e bisava olhando para as estrelas e a lua.
- Sabe lua, você é uma filha da p**a de tão linda, sua gostosa - Não me julgue, sempre tive uma tara pela lua, e seja pelo álcool ou a trilha sonora de "Call It what you want" da Taylor Swift tocando perto de mim, tudo parecia perfeito, e ela é a coisa mais bela que eu já vi em toda a minha existência.
Não sei quanto tempo fiquei ali conversando coisas aleatórias com a lua, e confidenciando segredos, como o fato deu estar armado com uma pistola discreta que está dentro da minha bolsa pois tive medo de passar a madrugada em meio a um bando de jovens com hormônios e sem o senso que não é não.
E a lua parecia uma boa ouvinte, ficando ainda mais cheia a medida que a noite avançava e a melodia de "Call It what you want" da Taylor Swift voltava a tocar repetidas vezes perto de mim, o que era até que engraçado.
Quando a lua estava tocando o horizonte, e o céu começou a clarear calmamente, comecei a ouvir uma gritaria estranha ao meu redor. Não gritos de alegria e euforia como antes, mas sim de susto e medo. Mas eu realmente não queria desviar o olhar da lua, vai que ela some justamente quando eu virar o rosto!
Ela não pode ganhar de mim nessa briga de encarar.
De longe ouvi passos de pessoas correndo, barulhos que pareciam tiros, e motores de carro que pareciam foguetes de tanto acelerarem. Uma parte sã na minha mente apitava dizendo que havia algo de errado, e que era pra mim colocar os meus treinamentos com a máfia em pratica e parar de patetar.
Mas a lua estava tão bonita e a grama tão fofa...
Mesmo assim me obriguei a voltar a focar e me situar as poucos, vomitando algumas vezes.
- Potter! Potter! Anda, levanta merda, graças ao universo te achei - Alguém gritava perto de mim me sacolejando e me colocando de pé.
E não importa o quão bêbado eu esteja, sempre vou reconhecer aquela voz.
- Daco? O que tá fazeo aqui? - Tenho certeza que minha dicção estava horrível, mas pelo menos eu não estava mais bisando pra lua. Limpei minha boca de vômito na blusa dele antes de realmente o olhar melhor.
- Te salvando seu i****a, anda, Tonks e os outros conseguiram achar seus amigos lá, os tais Ronald e Hermione e já os levou para o carro. Só faltava te achar, temos que ir AGORA...
- I a onde? po que? - Draco cansou de esperar eu me situar e me pegou nos braços.
- Temos que tirar você daqui. Desvendamos o próximo selo... é um sacrifício de sangue de em massa. Por isso tem tantos grifinórios aqui Hazz... eles estão matando todos os jovens.
Isso foi como um balde de água fria que ativou o lado sã no meu cérebro me fazendo olhar para os lados em completo desespero esperando que tudo isso fosse uma piada de m*l gosto. Mas só havia uma palavra pra descrever tudo o que eu via... caos.
Fogo se espalhava pelo lugar sendo a única fonte de luz além do céu (que não estava tão escuro mais) já que as lâmpadas dos postes foram desligadas fazendo com que eu só veja sombras correndo para todos os lados.
Muitas pessoas chorando e correndo desesperadas, clarões de tiros seguidos dos gritos finais sendo proferidos... são os meus colegas de faculdade, sendo que vários já devem ser corpos sem vida no chão.
Mas não duvido que alguns dos cadáveres também sejam de grifinórios que se meteram no caminho do Draco ou dos outros sonserinos enquanto eles me procuravam e tentavam parar a matança.
Mas é visível que não daria certo pela conta que eu fazia. São muitos grifinórios, talvez até mesmo dois para cada estudante que tinha na excursão... em comparação, somos muitos sonserinos, mas para juntarmos todos os ciclos demanda tempo, e acho que é algo que eles não tiveram para se organizarem e atravessar de um estado para o outro equipados devidamente.
Com alarde e assombro percebi que eu poderia ser um dos mortos, tudo por estar bisando que nem um adolescente comum sem preocupações, e não alerta e vigilante como me ensinaram a ser.
Não tenho um descanso de merda em p***a!
Eu só estou vivo ainda pois estava deitado no chão em um lugar nem tão iluminado assim, então devem ter achado que eu já estava morto... e por isso Draco demorou tanto para me achar.
- Draco, me coloca no chão e me da minha bolsa - Exigi tentando soar o mais coerente possível, e não duvido que a adrenalina tenha feito um pouco do álcool sair do meu organismo a força.
O loiro tentava atravessar comigo pelo campo do hotel, que parecia mais um campo de batalha agora. Entretanto, mesmo Draco sendo f**a, seria impossível me proteger de levar um tiro, proteger as outras pessoas, atirar em grifinórios para abrir caminho e me carregar no colo tudo ao mesmo tempo. Não tínhamos conseguido andar nem alguns metros, e assim não alcançaríamos os carros no estacionamento nunca.
- Você está bêbado Harry, deixa que eu te protejo c*****o! - Ele parecia eufórico exalando raiva e preocupação.
- Draco Malfoy, eu estou bem, me coloca no p***a do chão pra eu poder atirar também - O encarei vendo seu queixo trincado por causa da tensão e da dúvida. Ele me encarou de volta e hesitou, mas logo me desceu ao chão.
Mesmo com a visão embasada e a falta de eixo devido a bebida, consegui alcançar minha bolsa e tirar a pistola dali. Afinal, já estou acostumado a encarar situações como essa bêbado... o que deve ser algum indicativo para mim parar de beber tanto...
Mas pra que servem os rins na juventude se não para isso?!
- Que p***a Harry! eu falei pra não carregar a arma por aí caso fosse beber. E se você resolvesse atirar em você mesmo ou em algum amigo? - Ele parecia realmente furioso comigo... como se eu ligasse - Quando é que você vai me escutar e fazer as coisas que eu falo?
- Já acabou Jéssica? Como podemos sair vivos dessa? - Perguntei fazendo ele revirar os olhos antes de nós dois, ao mesmo tempo, mirarmos nossas próprias armas em um grifinório a leste que estava pronto para atirar em nós.
Disparamos sincronizada mente m*l olhando para o cara. O tiro de Malfoy pegou bem na cabeça, já o meu pegou na clavícula mesmo eu tendo mirado no peito.
Isso que da beber e atirar. Não recomendo.
Draco me olhou orgulhoso e disse:
- Vamos fazer o seguinte...