Livre

1472 Words
LINDA — Querida, é verdade, você não precisa se casar. Concorda Malcolm. — Mas é muito vantajoso que… — Não, nós não vamos nos casar. Interrompo carinhosamente. — Não vou ficar brava com você por ter escondido isso de nós. Você tem sido muito bom para mim, e eu sei que a suas intenções eram boas, mas não. Ethan range os dentes. Ele continua me observando como se estivesse me repreendendo por não ter me vestido assim para ele antes. — Querida, mas eu queria que você fosse minha nora. Diz Diane, com a voz trêmula. — Eu até mandei fazer um lindo vestido de noiva que… — E eu agradeço muito, mas não quero me casar com o Ethan. Insisto. — Enquanto você me amar, ficarei por perto, mas não como esposa do seu filho. — Pois bem, vocês ouviram o que ela disse. Diz Ethan com uma frieza que fere. — Vocês sempre souberam que a mulher que eu amo é a Rachel. A Linda também não me ama. O fato de ela estar tão feliz por não se casar comigo prova isso. — Eu não estou feliz. Respondo. — Quer dizer, eu não gosto dessa situação. Do que eu tenho certeza é que não vou prender a minha vida a alguém que não me ama. — E a alguém que você não ama. Murmura Ethan com desdém. — Parece que isso te incomoda. Ironizo. — O quê? O seu ego é tão frágil assim? Nem toda mulher está apaixonada por você, Ethan Lawson. — Eu não preciso do amor de todas as mulheres, só do da Rachel. Ele dá de ombros. — Isso vale mil vezes mais do que o amor de qualquer outra mulher. Eu assinto e pisco várias vezes para evitar que os meus olhos se encham de lágrimas. Sei que Ethan não sabe o quanto o amo, mas ele deve ter percebido que as suas palavras me magoaram. — O que dia*bos você acabou de dizer? A sua mãe o repreende. — Meu Deus, eu deveria ter tido outro filho e te dado para adoção. Você é tão... Linda, apenas ignore-o, ok? — O que Ethan diz é verdade. Respondo com um sorriso falso. — O amor da pessoa que você ama importa muito mais do que o amor de milhares de pessoas por quem você não sente nada. — Tem certeza de que não vão se casar? Malcolm pergunta, olhando para nós dois calmamente. — As nossas empresas precisam de uma imagem confiável, você não percebe que qualquer decisão nossa afeta o valor das ações? — Podemos ser confiáveis ​​sem... “Vamos nos casar”. Diz Ethan, já sem me olhar. — Eu e a Linda não fomos feitos para ser um casal de verdade, então o noivado está cancelado. — Concordo. Um silêncio constrangedor toma conta da sala, mas mantenho a cabeça erguida e os olhos fixos no homem que era meu sogro e que provavelmente não gosta mais de mim por eu não ter livrado o filho dele de uma sanguessuga como a Rachel. — O que você diz, James? Você não disse uma palavra durante toda a reunião. Diz Malcolm. — Concorda que nossos filhos não devem se casar? — Não concordo, mas também não vou impedi-los. A vida sempre dá um jeito de resolver as coisas. Responde meu pai friamente. — Então é definitivo, filha? — Você vai fazer alguma coisa comigo se eu não me casar? Porque, olha, se você pretende desmantelar a minha floricultura, não vai dar certo. Ethan me encara, e dessa vez eu faço uma careta. Estou nos colocando em risco. Foi isso que papai fez naquela linha do tempo passada. — Você acha que vou te ameaçar com isso? Ele pergunta com um leve sorriso. Os meus pelos se arrepiam. Papai sorrindo? Tenho certeza de que já estou morta e nem percebi. — Não, não, eu estava só brincando. Suspiro. — De qualquer forma, quero cancelar tudo isso. Não será bom para nenhum de nós nos casarmos se não estivermos apaixonados. Obrigada por tudo, de verdade, mas me recuso a fazer parte da família Lawson. Não espero que ninguém diga nada. Saio da sala de reuniões. O meu mundo não está desmoronando, embora pareça que sim agora. Mesmo com a possibilidade de ser feliz longe de alguém que não me ama, ainda me arrependo de que Ethan ainda a ame, que toda essa fachada tenha sido em vão. Talvez, no fundo, eu esperasse que ele mudasse de ideia, que percebesse que eu também posso ser bonita. Por que ele não percebeu isso nos trinta anos que passamos juntos? — Não, não vou mais chorar por você. Murmuro, enxugando as lágrimas que acabaram de começar a cair. Finalmente estou livre dele e tenho todo o direito do mundo de reconstruir a minha vida... ou começar uma. — Meu Deus. Sussurro, olhando ao redor com medo e espanto. — Estou mesmo de volta a 2025. Embora eu devesse agir como se nada estivesse acontecendo e seguir em frente com a minha vida, uma parte de mim... Ele quer saber por que voltamos a ficar juntos, se há um propósito nisso, se estou em coma ou se Deus simplesmente teve pena da minha dor. Ao sair do prédio, me belisco e a dor é tão forte que solto um palavrão. — Você está tão arrependida que não pode se casar comigo? As mãos grandes de Ethan pressionam os meus ombros. Preciso fazer um esforço sobre-humano para não gemer. Querendo ou não, tenho que admitir que ele faz massagens incríveis. — Quem dera. Respondo, virando-me para encará-lo. — O que foi isso, Ethan? Por que você os fez acreditar por um instante que aceitaria? — Foi só uma brincadeira. Ele bufa. — Você acha que eu gostaria de casar com você de novo? Nem pensar. Fiz isso como vingança por você ter se vestido daquele jeito. Você está agindo como se estivesse feliz por não ter que me ver mais. — Bem, sim, estou feliz. Sorrio. — Por que eu não estaria feliz em me livrar de um velho insuportável como você? — Da última vez que fizemos isso, você não achou, achou? Ele cruza os braços, aqueles braços que nunca mais me envolverão. — Você até gemeu. — Cala a boca! Ordeno, furiosa. — Se eu gemi, foi de dor. Você é péssimo na cama. — O quê? — Você acha que eu sou o tipo de mulher que se comporta na cama como um manequim de verdade? Pergunto a ele sedutoramente enquanto me aproximo para brincar com a sua gravata. — Há tantas coisas que você não sabe sobre mim, Ethan, mas não adianta saber agora. — Não acredito numa palavra do que você diz. Ele responde, com a voz rouca e os olhos escuros. — Bem, não me importo se você não acredita em mim. Provoco, roçando-me levemente nele. — Você nunca mais vai me ter. Estou louca para tran*sar como sempre quis, para espremer alguém até a última gota. — A última gota? Ele ofega. — Droga, Linda, não... — Adeus, Ethan. Digo seriamente enquanto me afasto. — Espero que você seja muito feliz com a Rachel. Você merece. Não espero por uma resposta. Não suporto ouvir que ela é a única mulher que ele ainda ama, mesmo que o seu corpo responda a mim. — Vou ficar bem. Digo, com a voz trêmula, enquanto caminho pela rua. A minha floricultura é tão perto, e fico tão feliz em me lembrar disso. Mesmo assim, não ando muito rápido e analiso tudo ao meu redor, procurando por inconsistências. Viajar no tempo é impossível, então ainda não me sinto completamente à vontade ou acostumada a estar aqui novamente. Quando paro em frente ao portão da minha floricultura, é inevitável que eu comece a chorar. Tudo está intocado, como se eu nunca tivesse partido. — Meu Deus, a minha floricultura. Soluço, deslizando as mãos pelas grades. Levo alguns segundos para entrar no belo jardim que preciso atravessar antes de chegar à floricultura. Assim que chego lá, o perfume das flores me envolve imediatamente, e aproximo-me da fonte quadriculada a poucos passos da escada. A água é tão cristalina que eu Quase consigo ver o meu reflexo nele. Ainda não estou completamente feliz, mas estou livre e recuperei o melhor lugar do mundo. — Vamos recomeçar. Digo animada. — Este é o primeiro dia da minha nova vida, da minha liberdade. ‍​‌‌​​‌​‌​​‌​​‌​​​​​‌​‌​‌​​‌​​​‌‌​​​‌​​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌‌‍
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