Ethan
Embora ainda esteja perplexo com a atitude de Linda e com a menção daqueles caras miseráveis com quem ela quer dormir, conto alegremente à minha sogra — ou melhor, ex-sogra — o que encontramos no contrato, o que garantirá que não nos casaremos.
— Por favor, não diga uma palavra. Imploro. — É crucial que compareçamos àquela reunião e expliquemos tudo. A fusão pode acontecer mesmo que as famílias não sejam unidas pelo nosso casamento.
— Não se preocupe, não direi uma palavra. Resmunga Tisha. — A última coisa que quero é que vocês dois se casem sem amor.
É tão estranho que ela não queira me despedaçar, e principalmente que ela seja tão jovem. Ela tem quase a mesma idade que a minha esposa tinha, aquela com quem tra*nsei dois dias antes do nosso divórcio.
Apesar de ela ser uma boneca inflável sem vida, eu sempre ficava e******o quando a via nua. Mas agora sei que vou aproveitar mais a vida com a mulher que amo, aquela com quem acordei esta manhã, porque, se bem me lembro, tivemos uma noite de despedida maravilhosa.
É uma pena que eu não tenha conseguido repetir por causa do choque de acordar este ano, mas isso não importa mais. Agora tudo o que quero é fazer as coisas direito, estar com a pessoa com quem quero estar e não desperdiçar trinta anos da minha vida nos quais eu poderia ter realizado os meus objetivos.
— Obrigado, Tisha. Respondo, sentindo-me estranho por poder chamá-la pelo nome novamente. — Linda, venho te buscar em... quatro horas.
— Não se preocupe, estarei lá. Ela responde secamente.
Franzi a testa, percebendo uma sensação muito estranha no meu peito. Agora ela não me deixa cuidar dela? Mesmo não a amando, eu me importo com ela e não gosto de vê-la andando sozinha.
— Não, eu...
— Ethan, pare com isso. Não finja que se importa comigo quando não se importa. Você sabe exatamente do que estou falando. Diz ela, ficando cada vez mais irritada. — A partir de hoje, as coisas serão diferentes e cada um seguirá o seu próprio caminho.
— Sim, eu sei disso, mas pelo menos...
— Te vejo em quatro horas. Ela interrompe. — Só não traga a Rachel, ok? Precisamos conversar sobre isso sem ela se envolver. Ela é capaz de arruinar tudo. O seu pai não gosta dela.
— Ok. Concordo, resignado. — Não vou expô-la a situações desagradáveis novamente.
— Como assim, 'novamente'? Pergunta Tisha, confusa. — Vocês dois estão agindo de forma muito estranha hoje, crianças.
— É que estamos animados porque o Ethan encontrou o que vai nos salvar. Explica Linda. — Por isso saí correndo.
— Ah, entendi. Suspira a minha sogra. — Bem, a vida está te dando uma chance de fazer as coisas direito. Ainda bem, porque essa decisão foi definitiva e o tempo não volta.
Olho para Linda com um sorriso nervoso. Ela ri também, mas noto uma leve tensão nos seus ombros que me faz perceber que ela não está nada satisfeita. Talvez esteja com medo de encarar meu pai.
— Relaxa, tudo vai ficar bem. Digo, estendendo os braços para massagear seus ombros, mas ela se afasta, como se não estivesse familiarizada com o gesto. — Desculpe, você só parece tensa.
— Não toque no meu lindo corpo, eu não vou mais ser sua esposa. Ela debocha. — Pode fazer isso e massagear o útero da sua querida Rachel.
Aperto os dentes. Não sei por quê, mas me incomoda que ela não queira que eu a toque. Será que esses trinta anos não significaram nada? Quer dizer, não é como se elas não fossem um inf*erno, mas ela não pode simplesmente me rejeitar assim.
Acho que terei que aceitar que não poderei mais tocar no seu corpo quando quiser. Agora terei que me acostumar com a mulher que tanto desejei quando não estiver tra*nsando com Linda.
— Querida, que tipo de linguagem é essa?
A bronca de Tisha em Linda me tira do meu devaneio. Mesmo convicto da decisão que estou prestes a tomar, sinto tontura novamente. Nunca amei essa mulher linda antes, mas não posso deixar de admitir que é estranho demais saber que tenho que deixá-la ir, que ela viverá a sua vida longe de mim, que outros farão o que quiserem com ela e…
Não, não gosto de saber que outros vão devorar o meu cubo de gelo. O meu orgulho masculino me impede de ficar feliz por ela. Mesmo que ela fique tão rígida que quase me dá uma sensação necrófila, é bom demais estar dentro dela, e eu sempre go*zo.
— Droga! Grito furiosamente, batendo na testa.
Linda dá um pulo para trás, franzindo a testa.
— O que deu em você agora? Ela zomba. — Eu sei que você está feliz, mas pelo menos tente disfarçar, né?
— Eu...
— Vai, Ethan, por favor. Linda me diz. — Te vejo depois, tá bom?
— Tá bom. Murmuro.
Me despeço de Tisha, que não recusa um beijo na bochecha. Tremo quando ela faz isso, porque tenho medo de que ela me esfaqueie com um picador de gelo como da última vez que tentei ajudá-la a se levantar depois que ela caiu na cozinha.
Saio de casa resmungando palavrões baixinho, mas toda essa tensão se dissipa quando recebo uma ligação da minha noiva.
— Querido, você vai me dizer por que está tão nervoso? Ela pergunta, com a voz preocupada. — Você não me deixou...
— Te surpreendo mais tarde, querida. Digo, sorrindo. — Vá ao spa, compre todas as roupas que quiser e se mime. Hoje à noite, te levo a um lugar que você vai adorar.
— Sério? Ela exclama, surpresa. — Espera, eu não ia com você à reunião? É que…
— Não precisa. Interrompo. — E é melhor você fazer o que eu digo, ou não vou te surpreender.
— Tudo bem, meu amor. Não sei por que você diz isso, mas não vou questionar.
— Adeus, meu amor. Digo antes de desligar.
Olho para o céu, tão azul que chega a ser perturbador. A minha pele ficou tão frágil com a idade que é estranho sentir um calor agradável se espalhando por ela agora.
Não vou mais precisar daqueles cremes deliciosamente perfumados nem das massagens da Linda, aquelas que me excitavam contra a minha vontade.
A minha vida sem a minha esposa será muito melhor.