Manuela
RF deitou e ficou lá comigo em cada minuto da noite. Eu não conhecia ele direito, sabia que ele era dono do morro, mas por algum motivo, sabia que estava segura ali.
Acordei com a mão no pescoço, me forcei para frente e sentei arfando com falta de ar. RF acordou em um pulo assustado.
- Tá tudo bem, Paty? - perguntou.
Eu assenti, respirando fundo. Não estava tudo bem, mas ia ficar, e eu sabia bem disso. RF deitou e ficou me olhando, fiquei olhando de volta.
Dei um selinho nele. Não de forma atrevida, mas meio que em forma de agradecimento. Deu na telha.
Ele me olhou e me puxou. E começou um beijo lento, foi descendo a mão até minha cintura, até chegar na minha b***a, e finalmente, apertar ela. Dava umas mordidinhas aqui e ali, então parou.
- Melhor dormir, Paty. - disse e me deu um beijo na testa.
Deitei mas fiquei olhando pela janela, momentos depois ele me puxou para perto de si, e aí sim, eu dormi.
RF
Acordei no primeiro raio de sol. Como de costume.
Dormi quase agarrado com a loira. A mina é cheia de marra, e gênio forte, nem se fala. Tá maluco.
Desci e fui fazer um café da manhã pra ela. Fiz um suco, peguei umas frutas e, um pão com mortadela. Voltei pro quarto e deixei a bandeja com as coisas na mesinha.
Entrei no banheiro e tomei uma ducha, peguei a toalha e, atravessei o quarto em direção ao closet. Me vesti e parei na frente da cama, observando a cabeleira loira por um tempo. Linda.
[6:40]
Eu: Falatu, Paty tá aqui comigo. Fica suave ai que não fiz nada. Ajudei ela ontem com uma parada. É nois.
Segundos depois, meu celular vibrou com a resposta.
[6:41]
Juzinha: p***a ninguém me fala nada. Mas ela tá bem né? Obrigada viu, RF. E juízo ai vocês dois, porquê eu já entendi qual é a de vocês.
[6:41]
Eu: Fica mec ai morena.
Bloqueei o celular e soltei uma risada. Ela notou de qual foi a nossa? Tá doidona. Não que eu não tenha interesse. Mas p***a, calma lá.
E, de novo, meu celular vibrou.
[6:45]
MM irmão: Brota aqui embaixo v***o.
[6:45]
Eu: jae cu
MM estava lá fora, encostado na moto olhando ao redor, como se fosse cão de guarda, abri a porta e ele entrou.
- É pra fazer o quê com aquele cuzão? - perguntou, e senti raiva na sua voz.
Todos do morro sabem as regras pra homens desse tipo, que tentam estuprar mulheres ou são pedófilos. Eles tem sempre o mesmo final, sem exceção.
- Brinca com ele, e depois já sabe. - ele assentiu, mas eu sabia que tinha mais coisa, conheço a peça.
- Cadê a Paty? - disparou, soltei um sorrisinho sem querer. - Eu sabia que isso ia acontecer.
- Que? - perguntei e ele me lançou um olhar de deboche.
- Eu te conheço, irmão. Caiu na graça da Paty. - ele falou cruzando os braços.
- Ela é gostosa, só isso. - respondi e dei de ombros.
- Aham, pode pá, nem te conheço né, p***a. - respondeu. - Mais tarde eu volto. - e saiu.
Fiquei na sala mesmo, me joguei no sofá e liguei a televisão, prestei atenção em 10 minutos de filme e acabei dormindo.
Manuela
Acordei e o RF não estava, provavelmente já havia saído pra resolver as coisas dele. Peguei meu celular e fui ver as horas. 11:40.
Tinha uma bandeja cheia do meu lado, tomei um suco e comi pão com mortadela, depois, fui ao banheiro, tomei um banho e coloquei minha roupa.
Desci e RF estava cochilando no sofá, então resolvi simplesmente sair sem falar nada.
- Já vai? - perguntou vindo até mim. Ignorei o instinto de pular de susto
- Já. Obrigada por ontem. - Falei e dei um beijo na bochecha dele, que deu um sorrisinho e eu saí.
Quando cheguei, Ju estava na sala me esperando, ou pelo menos essa era a imagem que era queria passar.
- Me fala tudo. - disse e me lançou um sorriso cheio de malícia.
Contei a ela, que deu uns pulinhos de agitação.
- Vai virar fi.... - começou mas ouvimos um barulho. Cinco tiros pro alto e dois fogos de artifício. - Vão invadir o morro. - disse me olhando.
- Você pegou minhas coisas lá na sul? - perguntei e ela assentiu. - Então eu vou ajudar o RF.
Subi correndo, troquei de roupa e peguei minha arma, ignorando os gritos da Júlia quando sai de casa. Graças a Deus minha arma tinha silenciador. Encontrei RF pouco depois, e ele já foi fechando a cara.
- Vai pra casa, Loira, e que p***a é essa na tua mão c*****o? - disparou, tentando pegar minha arma.
Tinha um cara ali atrás, mirando na cabeça dele. Empurrei RF e atirei, atingindo a cabeça do seu potencial adversário.
- Eu vim ajudar. - falei e fui andando. Ele veio atrás.
- Tu tá maluca, Paty? Fumou c*****o? Não vou deixar você aqui fora. - disse e me segurou. Fechei a cara e olhei pra ele.
- Pra começar, solta. - comecei, e ele soltou. - E outra, acabei de salvar tua vida. Se puder, cala a p***a da boca e vamos tirar esses caras do teu morro. - falei. RF não fez mais nada, só ficou me olhando.
- Não vai dar certo. - resmunguei.
- Se você ficar quieto, vai sim. - resmunguei de volta.
Percebi que os caras que estavam invadindo, tinham bolinhas amarelas na arma, o que, sinceramente, era quase discreto.
- RF, passa o radinho pros seus caras, os invasores tem umas bolinhas amarelas na arma. - então ele "passou a visão" pros vapores.
[...]
Conseguimos cuidar de tudo, e nenhum morador foi ferido ou morreu. Quase imediatamente após constatar isso, RF me levou até a casa dele.
- Por quê você fez isso? - começou. - Era pra você ficar em casa, Paty. c*****o. A gente se beijou ontem e só. Não foi nada demais. Vou te passar a visão: tu é Paty, e eu sou dono do morro. Quem manda aqui sou eu, se eu falar pra você ficar em casa, você fica c*****o. p***a, larga de mão essa marra toda. - disse colocando as mãos na cabeça.
- Não vem me tratar como se eu fosse obcecada por você. Te ajudei, e só. - e sai.
Fui andando em direção a casa da Ju, mas a menina barraqueira do baile, que descobri ter o nome de Bruna, me parou.
- É, Loira, você salvou a gente. - começou. Achei o tom de voz dela totalmente diferente da primeira vez que ouvi, nem parecia a menina de ontem. - Valeu, tá? Tu salvou minha mãe.
Realmente ajudei uma mulher durante a troca de tiros, levei ela para casa antes que um homem atirasse nela, mas nunca poderia imaginar que ela fosse mãe da Bruna. Não que fizesse diferença, de qualquer forma.
- Não precisa agradecer, só tentei ajudar. - e continuei meu caminho.
Cheguei na casa da Ju minutos depois, exausta. Quando fechei a porta, ela correu para me abraçar, e, sem saber exatamente por quê, comecei a chorar.
- Que que houve doida? - perguntou. E eu soltei tudo. Desde quando RF me salvou na saída do baile, até a hora que ele disse aquelas coisas. Ridículas e sem fundamento, por sinal. - Aí amiga... - e me abraçou de novo.
Não enrolei muito e subi, tomei meu banho e, quase no mesmo segundo em que encostei no travesseiro, dormi.
[...]
Acordei totalmente lesada com a Ju me chamando repetidas vezes.
- RF te chamou lá na barreira. - avisou e eu bufei.
- Indo. - e fui andando devagar.
Várias pessoas me agradeceram no caminho e eu apenas sorria. Gostei de participar da defesa do morro. Fui perigoso mas salvar aquelas pessoas e ainda defender minha nova casa... Puts.
Assim que cheguei na barreira, vi RF e seus vapores - todos armados até os dentes. Do outro lado da barreira, estava meu atual ex-namorado, o Eduardo.
- Ie, Paty, quer que libere o play? - um vapor me perguntou. Pensei um pouco.
- Pode abrir. - respondi. Vi RF me olhando curioso, talvez confuso, mas Eduardo soltou um sorrisinho.
A reação que eu já esperava dele. Cheguei bem perto e acertei o murro que tanto queria dar nele, fazendo com que sangrasse de leve. Virei para os vapores, amigos de RF e para RF, e vi todos eles sorrindo. Dei de ombros com um sorrisinho inocente nos lábios.
- Pode fechar. - falei.
- Cheia de marra. - RF me puxou e sussurou no meu ouvido. - Brota lá no meu barraco daqui a pouco, jae?
- Indo.
Fui subindo, mas ainda assim pude ouvir os caras zoando Eduardo. Agora era simplesmente fingir que nunca vi ele na vida.
No meio do caminho um moreno, que eu jurava conhecer de algum lugar, me parou.
- Coe, Paty, Júlia tá em casa? - perguntou, fiz cara de indecisa e ele riu de leve. - MM, braço do RF. Braço, perna, o c*****o todo. - tentei não rir. - Tô ficando com a madame mas ela ficou emputeceu ontem, quer me ajudar? - disse sorrindo e eu ri.
- Vem comigo.
Fomos pra casa da Ju, que agora era minha casa e entrei, com MM logo atrás.
- Júlia. - gritei, e minha melhor amiga veio desesperada. Já dando de cara com MM.
- Oi morena. - ele disse com um sorriso doce.
- Vou deixar vocês ai. - e sai.
Impressionante, traficante, sub do morro, falando todo doce com minha amiga. Mas claro, Ju bolada vira um bicho, da pra entender ele.
[...]
Cheguei na casa de RF, m*l bati na porta e ouvi a voz dele.
- Entra ai, Paty. - disse.
- Falatu, RF.
Ele sentou e disse para eu sentar também, mas fiquei em pé, esperando o que quer que ele tivesse para falar.
- Desculpa por ter falado daquele jeito contigo, Paty. - ele disse me olhando. - Desculpa mesmo.
- Tá mec. - soltei. - Era só isso? - cruzei os braços e fiquei olhando pra ele, que logo se levantou.
- Queria um beijo teu. - disse, dei um sorriso sínico.
- Faça por merecer. - comecei. - Ou fode ou sai de cima. - soltei, olhando pra ele.
- Eu fodo então. - disse sério, e nós rimos, RF me puxou pra perto, me segurando pela cintura.
- Faça por merecer, RF. - e sai.