vale sereno

994 Words
Querido diário, Eu ainda estou tentando entender tudo o que aconteceu… parece que foi um sonho — ou melhor, um pesadelo… seguido de outro ainda mais estranho. O baile… era para ser uma noite perfeita. Eu estava linda, pelo menos foi o que meus pais disseram, e por um momento eu até acreditei. Beyle estava animada, Liah também, tudo parecia… normal. Mas então as coisas começaram a sair do controle. Erick… eu ainda não consigo acreditar. Ele simplesmente se aproximou de mim, como se Beyle não existisse, como se não estivesse com ela. Aquilo me deixou confusa, desconfortável… traída até, mesmo não sendo comigo. Eu precisei sair de lá. Fui para o jardim, precisava respirar. E foi quando tudo aconteceu. Eu ouvi um som estranho… algo se movendo na escuridão. Antes que eu pudesse reagir, aquela coisa apareceu. Não era humana… eu sei que não era. Era uma criatura… um monstro… um lobisomem. Eu senti o medo mais puro que já senti na vida. Achei que fosse morrer. Mas então… ele apareceu. O homem misterioso. Lucien. Eu não sei de onde ele veio, nem como conseguiu enfrentar aquela criatura, mas ele me salvou. E mesmo com toda aquela situação absurda, tudo o que eu conseguia fazer era olhar para ele. Havia algo… diferente. Algo que me puxava, que me fazia querer ficar ali, mesmo com todo o perigo. E então… eu apaguei. Quando acordei, já estava em casa. Meus pais disseram que eu só estava cansada, que provavelmente passei m*l. Mas eu sei o que vi. Eu sei o que aconteceu. Ou pelo menos… eu achava que sabia. Porque quando eu dormi… Eu sonhei. E não foi um sonho comum. Eu estava… presa. Acorrentada em um trono, como se fosse algum tipo de prisioneira. O lugar era escuro, frio… parecia antigo, como se existisse há séculos. Eu tentava me soltar, mas não conseguia. E então eu vi eles. Lucien… e outro homem. Um homem que eu nunca vi antes… mas que, de alguma forma, parecia tão familiar quanto ele. Seu olhar era intenso, quase perigoso… mas havia algo nele que me fazia sentir… protegida. Eles estavam tentando chegar até mim. Os dois. Como se… ambos quisessem me salvar. Como se eu fosse… importante. Mas antes que qualquer um deles conseguisse me alcançar… eu acordei. Meu coração estava disparado, minhas mãos tremendo… e o pior de tudo? Parecia real demais. Quem é Lucien, afinal? E… quem era o outro homem? E por que eu sinto que isso tudo… está só começando? "Se você olhar no mapa, provavelmente nem vai encontrar. E, se encontrar… não vai lembrar do nome depois. A minha cidade se chama Vale Sereno. Irônico, né? Porque de serena, ela só tem o tédio. Vale Sereno é o tipo de lugar onde todos se conhecem, todos sabem da vida de todo mundo… e nada, absolutamente nada, acontece. As ruas são sempre as mesmas, os rostos são sempre os mesmos, e os dias… parecem cópias m*l feitas uns dos outros. Eu cresci aqui. E, sinceramente, às vezes sinto que esse lugar nunca cresceu comigo. As casas são baixas, com cercas brancas e jardins bem cuidados, como se alguém estivesse constantemente tentando manter uma perfeição que ninguém realmente sente. Tem uma praça no centro, com uma fonte antiga que raramente funciona, e um coreto onde, em datas especiais, alguém tenta tocar música para animar a cidade. Ninguém realmente se anima. A escola… bem, é exatamente o que você imagina. Um prédio simples, com corredores longos demais para tão pouca história acontecendo dentro deles. As mesmas conversas, os mesmos grupos, os mesmos olhares. E eu. Sempre à margem de tudo isso. Não é como se eu fosse invisível. As pessoas sabem quem eu sou. Sou “a garota adotada dos Moreira”. Não que digam isso na minha cara… mas dizem com os olhos. Com os cochichos. Com aquele jeito estranho de me observar, como se estivessem tentando encontrar em mim algo que explique por que eu não pareço pertencer totalmente aqui. E talvez eles estejam certos. Talvez eu realmente não pertença. Caminhar pelas ruas de Vale Sereno é como andar dentro de uma fotografia antiga. Tudo parece parado no tempo. Até o vento parece mais lento aqui. Mas, desde que voltei das férias… Algo mudou. Não na cidade. Em mim. Ou talvez… na forma como eu vejo tudo. Hoje, enquanto eu caminhava para a escola, percebi coisas que antes passavam despercebidas. As sombras das árvores pareciam mais longas do que deveriam. O silêncio das ruas, mais pesado. Como se houvesse algo escondido entre os espaços… algo esperando. Parei por um momento em frente à praça. A fonte estava desligada, como sempre. Mas juro que, por um segundo… A água se moveu. Sozinha. Pisquei, E tudo voltou ao normal. Soltei o ar devagar, tentando me convencer de que era só coisa da minha cabeça. Culpa dos sonhos estranhos. Culpa daquela floresta. Culpa daquele… sussurro. Voltei a caminhar. — Sina! — ouvi alguém chamar. Era Elise, acenando do outro lado da rua, com aquele sorriso que parecia não pertencer a esse lugar tanto quanto eu não pertenço… mas, de alguma forma, funciona perfeitamente nela. — Você vai se atrasar! — ela disse, rindo. Assenti e atravessei a rua. Mas, antes de chegar até ela… eu senti. De novo, Aquela presença. Fria. Silenciosa. Olhei rapidamente ao redor. Nada. Só Vale Sereno sendo… Vale Sereno. Sem emoção. Sem segredos. Sem nada fora do lugar. Mas eu sei, alguma coisa aqui está acordando. E, dessa vez… não está escondida tão profundamente quanto antes. de repente, um homem cai no parabrisa do carro do meu pai, logo ele me salva de um lobisomem, eu quase morri na noite do baile da escola. desde o meu aniversário de dezessete anos, nada voltou a ser normal. algo despertou em mim e em volta também. eu não sei o que está acontecendo, mas, parece que vale sereno deixou de ser tão sereno assim."
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