Valentina tirou do vestido uma ruga imaginaria. Aquela situação não poderia ser mais impropria. Ainda que o marido estivesse logo na sala ao lado, o conde simplesmente a deixara sozinha com um homem solteiro e além de tudo ainda havia pedido para que ela o fizesse companhia.
- Como a senhora está? .- Perguntou quase em um sussurro.
Valentina abriu um sorriso forçado.
- Muito bem, obrigada. E o senhor?
- Bem. - Henrique a rodeou, observando-a atentamente e ela m*l conseguia respirar. O espartilho apertado não ajudava nenhum pouco a situação.
- O senhor está me deixando constrangida. - Disse e pigarreou.
Henrique deixou escapar uma risada abafada.
- Estou me certificando de que não anda se machucando por aí, afinal, da última vez que a vi estava muito inclinada a se jogar de sua sacada.
Ela corou.
- Não precisamos falar sobre isso, e eu certamente não ando me machucando por vontade própria. - Respondeu revirando os olhos. Maldito fosse, quem ele pensava que era para insinuar algo assim?
Henrique riu mais uma vez e ela sentiu vontade de avançar nele. Ele caminhou em passos lentos, mas largos em sua direção e parou muito perto de seu rosto.
- Não pularia de fato, pularia?
Ela engoliu em seco, sentiu os olhos marejados e deu de ombros. Vendo o quão insensível havia sido, ele tocou em seu ombro gentilmente. Não tinha sido a abordagem perfeita para entrar no assunto, mas ele raramente era delicado.
- Ei, perdoe-me. Estou realmente preocupado com o bem estar da senhora e só quero me certificar de que ficará bem. - Ele tocou o queixo dela causando-lhe um calafrio.
Valentina cruzou os braços abaixo do peito, ergueu o queixo e o encarou.
- O senhor é claramente um libertino, pelo menos é o que todos comentam. É um homem jovem e nitidamente muito bem aparentado, sei que deve conquistar multidões por aí e isso inclui mulheres casadas, mas não. Não serei uma de suas amantes, então o senhor tirar o seu cavalinho da chuva e pode parar de tentar ser gentil comigo.
Ele explodiu em uma risada alta que provavelmente foi ouvida da sala ao lado e ela deu um tapa leve em seu ombro, indicando para que se calasse.
- A senhora é muito direta. - Falou quando conseguiu se recuperar da pequena crise de riso. - A propósito, obrigado por me chamar de bonito.
Valentina bufou, pensara que o marquês era um cavalheiro, mas estava começando a duvidar disso. Sua pele alva ficava cada vez mais vermelha.
- Eu não disse isso. O senhor está sendo um grande … Um grande…
- Sim? .- Perguntou aproximando-se dela e divertindo-se com seu desconforto.
- p****e. - Ela quase gritou e apressou-se em se afastar dele.
- Por favor condessa, peço perdão se lhe passei uma má impressão. Não negarei nenhuma de suas observações, a senhora certamente é uma mulher muito inteligente, observadora … Não acreditaria em minhas mentiras. Confesso também que a acho extremamente irresistível e que provavelmente nunca, em toda minha vida vi uma mulher tão bonita, e acredite, já viajei meio mundo. - Ela corou mais uma vez e amaldiçoou-se por isso. Porquê diabos não conseguia parar de corar? .- Mas a respeito. Não pense em momento nenhum que negaria caso a senhora me procurasse. - Ele abriu um sorriso sem vergonha. - Mas jamais invadiria seu espaço e realmente me preocupei com a senhora nos dias que não a vi. Não vim vê-la pois não seria nada formal de minha parte aparecer sem um convite e prometi a senhora que guardaria segredo sobre o episódio. Todavia, realmente desejo que veja em mim um bom amigo. Uma amizade na qual a senhora não possui pelo que vejo, eu já lhe provei que sou de confiança e que posso lhe ser um bom ouvinte, sei guardar segredos e lhe desejo o melhor, simplesmente por ver uma mulher tão bela e jovem tão quebrada, tão magoada … Sou um apreciador de mulheres, como a senhora bem colocou e apreciarei vê-la feliz.
Ela engoliu em seco. A sinceramente do marquês a assustara. Ele certamente era um bom observador, ela realmente não tinha nenhuma amiga ou amigo que pudesse desabafar. Sempre fora somente ela. Sempre ela por ela. Sempre só!
Talvez, um amigo fosse bom para variar …
Valentina deu um passo à frente, estendeu a mão para o marquês e abriu um sorriso satisfeito. Não seria r**m ter um amigo, afinal.
- Eu aceito sua amizade milorde. O senhor joga bem com as palavras, espero não me arrepender. Mostre-me o lado bom de ter um amigo, confesso que nunca tive.
Ele quase pulou de alegria e apertou firmemente a mão da condessa.
- A senhora não consegue mensurar minha felicidade, condessa.
Valentina abriu um sorriso fraco e atentamente ouviu os passos de seu marido e do duque, ela se afastou cautelosamente e sentou-se no sofá. Pegou uma pequena xícara de chá e bebericou. Henrique a observava sem entender a mudança repentina, ele não ouvirá os passos.
- Milorde, vossa graça … - Disse calmamente quando os dois homens apareceram lado a lado.
O marquês surpreendeu-se com a esperteza e calmaria da condessa e aquilo somente o fez a admirar ainda mais.