Beni Narrando Eu não sei explicar direito quanto tempo eu fiquei naquele limbo. Pra quem tá de fora é coma. Pra mim, era como estar preso dentro do próprio corpo. Eu tava lá. Eu ouvia. Eu sentia. Mas não conseguia voltar. Tinha horas que tudo ficava escuro, pesado, como se eu estivesse afundando. Em outras, vinham flashes. Pedaços de voz. Sons quebrados. E no meio disso tudo, sempre ela. Sempre a Lucinda. A voz dela me chamava. Chorando. Desesperada. Pedindo pra eu voltar. Aquilo me rasgava por dentro. Eu tentava responder, tentava abrir a boca, mexer a mão, qualquer coisa. Nada. O corpo não obedecia. Na minha cabeça eu gritava. — Eu te amo, vida. Não chora. Para de chorar. Eu tô aqui. Mas a voz não saía. Era torturante. Eu ouvia ela falando comigo todo dia. Contando da vida, do trei

