Deiziely Narrando Peguei tudo que eu tinha guardado da época em que eu ainda circulava pelo morro, cada detalhe, cada lembrança solta, cada informação que parecia pequena demais pra ter valor. Juntei tudo e joguei na mão da delegada como quem entrega uma arma carregada. O condomínio chique onde ela mora virou nosso ponto de encontro, irônico demais ver aquele luxo todo sendo usado pra falar de morte, guerra e favela. A sala enorme, vidro pra todo lado, cheiro de vinho caro. Ela sentada toda confortável, enquanto eu ficava de pé, me sentindo um misto de útil e descartável. Além do que eu levei, tinha também tudo que o Ninão tinha passado antes de morrer. Anotações, nomes, conexões. Coisa pesada. Ela me encarou com aquele olhar frio e direto. — Quero que você descreva o Complexo do Alem

