Lucinda Narrando O caminho até o Alvorada parecia diferente, essa noite. Eu fui com o Beni, o Hades e o Falante. As meninas já tinham ido antes, tudo organizado. A tia Mônica ficou com o Antônio na casa da Yoli, e minha mãe foi pro quiosque, como sempre, firme, trabalhando, sendo a força silenciosa da nossa família. Cada um no seu lugar. Cada coisa no seu tempo. Quando o carro começou a subir o morro, eu senti. Não foi medo. Foi reconhecimento. Assim que nos viram, as pessoas foram abrindo caminho. Não por obrigação. Por respeito. Cabeças virando, passos se afastando, olhares atentos. O Alvorada já sabe quem eu sou. E isso me deu um frio bom no estômago. O Beni não parava de falar no meu ouvido. — Tu tá cheirosa demais, pörra, assim não dá — ele murmurou, rindo, mas com aquele ciúme g

