Lucinda Narrando Passei o dia inteiro na casa da tia Mônica, e parecia que cada minuto tinha um peso diferente, um significado novo. Desde cedo a garagem já tava se transformando. Ajudei a arrumar as flores, ajeitar o tapete branco que cortava o espaço como um caminho sagrado. O cheiro das flores misturado com o da casa me deixou com o peito apertado de emoção. Era real. Era o meu dia. As mulheres que iam cozinhar chegaram ainda pela manhã. Abriram o caderno, mostraram prato por prato do cardápio. Tia Mônica, como sempre, virou pra mim pedindo minha palavra final. — Você gosta assim, Lucinda? Quer mudar alguma coisa? Olhei tudo com calma. Tava tudo de bom gosto, tudo com carinho. — Está perfecto, tía. No cambies nada. (Está perfeito, tia. Não muda nada.) Ela sorriu aliviada, satisfe

