As duas, Naty e Bruna, olhavam para o aparelho com dissabor. Amavam os pais, é claro, mas eles eram capazes de drenar toda a energia delas com seus problemas e frustrações. Era inacreditável como eles conseguiam transformar tudo em críticas ou em insignificância. Bruna lidou a vida inteira com um pai que apontava defeitos, com a justificativa de serem críticas construtivas, em todas as decisões e comportamentos que ela tinha. Sempre acompanhando de perto sua carreira e tendo o sucesso dela como mais importante do que seus sentimentos. Natália conhece bem a sensação de ser invisível. Seus pais não ligavam nem para a garotinha de 4 anos que se aventurava com um skate nos pés e nenhum juízo na cabeça. Todos os ossos quebrados de Naty não tiraram uma noite sequer de seus pais. E quando ela

