Olívia estava na pequena sala que usava como escritório em casa, tentando organizar as contas da empresa. A montanha de papéis parecia interminável, e cada nova conta descoberta era como um peso a mais em seus ombros.
Enquanto analisava uma planilha de custos, seu celular vibrou na mesa. Ela pegou o aparelho e leu a mensagem com atenção:
"Prezada Srta. Olívia,
Gostaríamos de agendar uma reunião com o Sr. Vicente Falcão amanhã, às 10h, no prédio do Grupo Falcão. O assunto é relacionado a negócios. Por favor, confirme sua presença."
Ela franziu o cenho, surpresa. Vicente Falcão era um nome que pesava no mundo corporativo. Ele era o herdeiro do poderoso Grupo Falcão, uma das maiores empresas do país. O que ele poderia querer com ela?
Ansiedade e apreensão misturaram-se em seu peito. Por um lado, era possível que fosse uma oportunidade para a empresa. Por outro, talvez fosse mais uma complicação ou, pior, uma nova dívida.
Suspirando, levantou-se da cadeira e começou a andar de um lado para o outro no pequeno espaço. "Não posso perder essa reunião", pensou. Se houvesse a mínima chance de resolver alguma das questões que a atormentavam, ela precisava aproveitar.
Naquela noite, m*l conseguiu dormir. Sua mente girava com todas as possibilidades do que poderia estar por vir.
Olívia vestiu-se com cuidado, escolhendo um conjunto simples, mas elegante. Queria passar uma imagem profissional, mas sem ostentar algo que não condizia com sua realidade atual. Prendeu o cabelo em um coque baixo e finalizou com um leve toque de maquiagem.
Enquanto dirigia até o imponente prédio do Grupo Falcão, não conseguia evitar o frio na barriga. As enormes torres de vidro pareciam intimidantes, refletindo o céu nublado da manhã.
— Bem, aqui estou eu — murmurou para si mesma, estacionando o carro.
Ela foi recebida pela recepcionista, que a conduziu até uma ampla sala de espera no 25º andar. O ambiente era impecável, com móveis modernos e uma vista deslumbrante da cidade.
Pouco tempo depois, a porta de uma sala se abriu, e uma mulher elegante, provavelmente a secretária de Vicente, apareceu.
— Srta. Olívia, o Sr. Falcão está pronto para recebê-la. Por favor, me acompanhe.
Olívia assentiu, respirando fundo antes de entrar na sala.
O ambiente era ainda mais impressionante do que o restante do prédio. As enormes janelas enchiam o espaço com luz natural, e Vicente Falcão estava sentado à mesa, revisando alguns papéis. Ao perceber sua entrada, ele levantou o olhar.
— Srta. Olívia, seja bem-vinda. Por favor, sente-se.
Olívia obedeceu, tentando esconder sua inquietação. Vicente parecia ainda mais imponente pessoalmente. Ele a observou por um momento antes de começar a falar.
— Agradeço por ter vindo. Imagino que esteja se perguntando o motivo dessa reunião.
— De fato, estou — respondeu ela, com um tom neutro, mas com o coração acelerado.
Vicente recostou-se na cadeira, juntando as mãos sobre a mesa.
— Vou ser direto. Estou ciente da situação financeira da sua empresa. Sei que está lutando para mantê-la de pé.
Olívia arregalou os olhos, surpresa. Ele sabia mais do que deveria.
— E o que isso tem a ver com o Grupo Falcão?
— Talvez mais do que você imagina — disse ele, com um leve sorriso enigmático. — Mas antes de explicar, quero ouvir de você. Qual é o maior desafio que enfrenta atualmente?
Ela hesitou, mas sabia que não tinha muito a perder.
— Dívidas. Estou tentando salvar a empresa da minha família, mas tudo parece estar desmoronando ao meu redor.
Vicente assentiu lentamente, como se estivesse confirmando algo que já sabia.
— Entendo. E se eu dissesse que posso ajudar a resolver esse problema?
Olívia sentiu o coração disparar.
— Qual seria o preço disso?
Ele inclinou-se para a frente, o olhar fixo no dela.
— Um casamento. Comigo.
Olívia ficou estática por alguns segundos, processando as palavras de Vicente. Quando finalmente reagiu, levantou-se da cadeira abruptamente, os olhos faiscando de indignação.
— O senhor não tem vergonha de me fazer uma proposta dessas? — Sua voz era firme, mas o tom deixava claro o quanto estava furiosa.
Vicente permaneceu sentado, sereno. Um leve sorriso surgiu em seus lábios, mas seus olhos estavam fixos nela, calculistas.
— Srta. Olívia, talvez você devesse se sentar novamente. Eu não estou brincando, e tampouco estou sendo ofensivo. Estou propondo um acordo benéfico para nós dois.
Ela cruzou os braços, recusando-se a sentar.
— Benéfico para nós dois? E o que exatamente eu ganho com isso, além de ser colocada em uma situação humilhante?
— Você ganha a salvação da sua empresa — respondeu ele, com um tom que beirava a casualidade, mas carregava firmeza. — Eu assumo todas as dívidas, estabilizo sua situação financeira e garanto que o nome da sua família não seja manchado.
Olívia estreitou os olhos, sentindo a raiva borbulhar dentro dela.
— E o que o senhor ganha com isso?
Vicente se levantou, ajeitando o paletó com calma antes de dar a volta na mesa, aproximando-se dela. Apesar de sua postura controlada, ele emanava autoridade.
— Ganho o que preciso para manter o controle do Grupo Falcão. Meu pai e os demais membros do conselho acreditam que um homem casado transmite estabilidade. Um casamento, ainda que temporário, é uma solução prática para ambos.
Ela deu um passo para trás, como se a proximidade dele aumentasse sua revolta.
— Temporário?
— Um contrato de um ano — disse Vicente, inclinando a cabeça levemente, observando cada reação dela. — Depois disso, você está livre. E sua empresa estará salva.
Olívia sentiu a garganta secar. Por mais ultrajante que fosse a proposta, ela não podia ignorar o peso das palavras dele. Vicente era poderoso, influente, e, pior, parecia saber exatamente como atingir seus pontos fracos.
— Isso é loucura — murmurou ela, mais para si mesma do que para ele.
— Pode chamar do que quiser — respondeu Vicente. — Mas é uma oferta real. E sugiro que pense bem antes de recusar.
Ela ergueu o queixo, tentando recuperar algum senso de controle.
— Isso é chantagem.
— Não — rebateu ele, a voz firme, mas sem perder a compostura. — Isso é uma oportunidade. Você pode ir embora agora e continuar tentando lutar contra dívidas que só crescem... ou pode aceitar minha ajuda e garantir um futuro melhor para todos os envolvidos.
Olívia sentiu as mãos tremendo, mas não queria que ele percebesse sua fraqueza.
— Por que eu? Há muitas mulheres por aí que adorariam esse tipo de "oportunidade".
Vicente deu de ombros, com um sorriso quase imperceptível.
— Porque você é perfeita para o papel. Tem presença, classe e uma reputação limpa. E, acima de tudo, porque precisa de ajuda tanto quanto eu.
Ela respirou fundo, tentando processar tudo. Parte dela queria gritar e sair daquela sala, mas outra parte, a parte prática e desesperada, sabia que ele tinha razão.
— Não vou tomar essa decisão agora — declarou, firme. — Preciso de tempo para pensar.
— É claro — disse Vicente, voltando a se sentar. — Mas não demore muito, Srta. Olívia. Nem todas as oportunidades batem à porta duas vezes.
Ela virou-se sem dizer mais nada e saiu da sala, os passos firmes ecoando no corredor. Mas, por dentro, estava em um turbilhão de emoções.