Capítulo Seis

2594 Words
Entro na sala de aula, e admito que entro procurando por ele. Meus olhos vão para o fundo da sala e se esbarram com os seus verdes, que me olha intensa e profundamente. Noto as meninas o olharem com seus jeitos de oferecidas, e os meninos intimedados comentando no canto. Acho que todos perceberam que Rhey não é um aluno novo qualquer. Desvio meu olhar do seu e me dirijo para meu lugar de sempre, me sentando no momento em que a professora Belly de português, entra cheia de sorrisos na sala. Ela começa a falar mais não consigo simplesmente me concentrar, sentindo o olhar de Rhey cravado nas minhas costas. A noite de ontem volta á minha mente e me arrepio. Ele não pode ser humano. Talvez sim, mas, como ele conseguiu m***r aquilo? E ainda tenho certeza que seus olhos ficaram vermelhos. E se ele não for humano? O que eu faço? Sei que ele é perigoso. Isso eu posso notar de longe, perigo é a palavra que vem a sua mente quando olha para ele. Claro, depois de lindo, gostoso, gato... A lembrança de seus lábios em meu pescoço, do calor que me envolveu quando ele tocou em mim, dos seus olhos intensos e vibrantes de um jeito impossível de ser. Sua boca, nossa sua boca.... Como ele pode ser tão intenso? - senhorita Suwan? Esta prestando atenção ? Volto ne um segundo para a realidade. - o que ? Ah...me desculpe - digo abaixando o olhar e sentindo meu rosto queimar. - você ouviu o que eu disse ? - diz minha professora com as mãos na cintura esperando realmente uma resposta. Apenas faço que não com a cabeça ainda baixa, ganhando risinhos dos meus infelizes colegas. - bom então vou ter que explicar de novo para você que estava no mundo da lua, e para os outros que estavam conversando - diz ela se voltando para o resto da sala. Finalmente. - vocês vão se sentar em duplas pelo resto do ano a partir de hoje, e quero que me entreguem um resumo do livro da semana passada. A conversa se iniciou por toda a sala, as duplas já estavam sendo feitas. Sem consegui me controlar lanço meu olhar para as carteiras do fundo e o vejo. Sentado, sem se importar com os outros olhares em sua direção. Ele me encarava sem se importar com as pessoas ou o barulho. Suas luzes verdes estavam focadas em mim. Senti meu corpo se arrepiar com seu olhar, e me senti totalmente exposta á ele. - sem confusão pessoal, eu sorteio os nomes das duplas e não adianta reclamar - disse a professora, recebendo vaias da turma. Enquanto ela falava eu me concentrava nos únicos nomes que me importava. E quando foi falado meio que fiquei decepcionada. -...Rayra e Thomas e o novato Rhey com Stayce. A v***a loira lançou um sorriso para Rhey e se levantou andando em sua direção. Thomas abriu um sorriso e veio até minha mesa se sentando ao meu lado. Antes dele falar alguma coisa, uma voz alta e máscula se sobressai à todas fazendo todos se calarem na sala. - eu vou me sentar com Rayra. - diz Rhey pela primeira vez desviando o olhar do meu e olhando para a professora como se a desafia- se a dizer não. - Rhey sei que é um aluno novo e..... - ela para de falar quando ele se levanta a ignorando, e passando por uma Stayce de boca aberta parando ao lado de Thomas. - saí. - diz Rhey, e parece calmo. A sala toda em silêncio. E a professora paralisada. Thomas sem hesitar se levanta sem me olhar e volta para o seu lugar. Meu olhar paralisado encontra o de Rhey sem expressão. Eu nunca adivinharia o que ele esta pensando agora. Ele se senta ao meu lado, e mesmo com uns longos centímetros de distância, sinto seu calor ao meu lado me arrepiando. Como pode ser tão quente ? Rhey volta seu olhar para a professora que o olha com uma expressão fascinada. Ela se recompõe depois de um tempo. - Stayce faça dupla com Thomas, e lembrem-se do resumo do livro. - diz ela se sentando e abaixando olhar para o tablet como se nada tivesse acontecido. Leva uns segundos para a sala voltar a conversar novamente. Sem nenhuma dificuldade olho para Rhey. Não é difícil olha-lo, difícil é parar de olhar. Seu rosto se vira para mim, ao mesmo tempo que o meu para ele. Uns trinta centímetros nos separa, mais foi o suficiente para um suspiro miserável escapar dos meus lábios. Droga!! Sinto minhas orelhas ficando vermelhas e eu coro. Viro meu rosto para frente sem saber o que fazer. Por que ele tinha que ser tão lindo? Por que que eu estou atraída por um cara que eu nem sei se é humano? - acho melhor começar a fazer. - diz essa sua voz que me enlouquece em todos os sentidos. - como assim? Não vai fazer nada ? - pergunto sem realmente olhá-lo nos olhos. Quando ele não responde me viro e sua expressão deixa claro que ele não vai colaborar com o trabalho em dupla. ======================= Uma hora depois saio daquela sala frustada. A presença de Rhey mexia comigo de um jeito único. Sem dizer uma palavra ele conseguia me fazer suspirar. A cada vez que seu joelho esbarrava no meu, a cada vez que nos braços e mãos se tocaram, a cada olhar que ele me lançava, tudo, fazia meu corpo se arrepiar. Todas as vezes em que tomava coragem para falar com ele, ele me olhava como se dissesse " não vou responder, já fique sabendo" e minha coragem ia para o ralo. Mais não posso nem dizer que ele me ignorou a aula toda. Ao contrário. Ele não desviou o olhar de mim nem por um segundo. Ele não tirava os olhos de mim quando vinham falar com ele, apenas ignorava, meninos e meninas. Nem a professora ele olhava quando ela falava. Ele me olhava com uma expressão de posse, impedindo assim,de qualquer um vim falar comigo. Quando eu me incomodava eu o olhava com raiva, mais ele apenas sorria com os olhos. Rindo de mim. E quando eu corava ele se aproximava descaradamente alguns centímetros para me fazer corar ainda mais. E o pior é que ele sempre conseguia. Senti passos atrás de mim enquanto eu caminhava até o refeitório. Rhey me seguia normalmente e descaradamente como se isso fosse normal. Pensei em para-lo ali e interroga-lo, mais sei que ele me ingnoraria. Abri as portas do refeitório e passei entre elas encontrando milhares de alunos e avistando Theyla naquela multidão. Logo vejo o amigo de Rhey, Hanter, ao lado dela, sentados ne uma mesa rindo. Eu conheço minha amiga e sei que ela gosta de garotos e acaba se empolgando com eles. Mais mentiria se dissesse que não fiquei chateada por ele nem sequer me procurar. Um perto me tocou forte no peito. Não quero minha amiga envolvida com alguém que não sei se é humano. Resolvo não atrapalhar e pego uma vitamina na fila do lanche. Procuro por Rhey atrás de mim e o vejo na mesa com Theyla e seu amigo. Saio rápidamente do refeitório, indo para os bancos do jardim da escola. Tenho que pensar direito em tudo isso, há noite de ontem, foi assustadoramente real. E agora essa minha manhã esta quase tão louca quanto ontem, quase. Eu realmente preciso saber o que foi aquilo que me atacou ontem. Não ouvi ninguém comentando sobre algum acidente na biblioteca. Mais, como não? Eles não viram o estrago que ficou depois de ontem? Rita não chamou a polícia? Assim que eu sair da escola tenho que passar por lá. Mais não quero perder Rhey de vista. E se ele sumisse? Meu estômago se revirou com esse pensamento. Não. Ele não pode sumir. Tem que me dar respostas antes. As imagens dele estraçalhando o monstro volta à minha cabeça e me arrepio. Talvez ele não me responda, mais tenho que perguntar como ele consegue lutar com uma espada e daquele jeito. Nunca vi alguém fazer o que ele fez, a não ser nos filmes. É isso. A biblioteca vai ter que esperar. Não vou sair de perto de Rhey. E se ele quer me encarar, ele vai ser encarado também. Levanto, jogando o copo da vitamina no lixo, m*l comi nada hoje. Sigo meu caminho de volta ao refeitório, mais por alguma razão inexplicável meus pés param antes deu chegar até a porta. Olho para os meus pés os vendo totalmente paralisados. A paralização sobe pela minha canela e panturrilhas atravessando para os joelhos. O medo sobe á minha garganta e eu me desespero. O que está acontecendo comigo? Olho em volta vendo vultos pretos por toda parte. Meu coração bate mais rápido e o medo me cobre por inteira, me impedindo de falar alguma coisa. A paralização sobe até minhas coxas, minha b***a, cintura, barriga, seios.... Minha visão começa a ficar turva como se eu fosse desmaiar, mais não, eu não desmaio. Minha visão escuressese totalmente. Como seu estivesse de olhos fechados. Não vejo nada, não sinto nada. Lágrimas de medo e pavor escorrem pelo meu rosto. Pisco várias vezes para ver se o breu sumisse mais ainda continua tudo preto. O que está acontecendo? Minha garganta se fecha me impedindo de pedir ajuda. Medo e pavor escorrem pela as minhas veias por não conseguir me mover. De repente sinto um calor me acolher junto com braços fortes rodeando a minha cintura. O medo toma totalmente o controle sobre mim. Quem é ? O que quer comigo? Quando penso que meu coração vai sair para fora de tanto terror.... - sou eu Rayra. A voz de Rhey preenche meus ouvidos como um canto de um anjo. Um alívio me varre. Queria me apertar contra ele, mais não consigo mover um dedo. Seus braços me apertam mais forte contra algo macio e musculoso, seu peito cheio de calor. Sinto seus dedos secarem as lágrimas das minhas bochechas. - aos poucos sua visão vai voltar - diz sua voz me pegando de surpresa - preciso te tirar daqui, me fale um lugar vazio a essa hora. Demoro uns segundos para entender o que ele falou. - ah.. sala de leitura - digo devagar me surpreendendo e me assustando por eu falar sem conseguir enxergar nada. Acho que é como um cego se sente. - se segure em mim - Rhey diz eu não entendo. Até sentir uma de suas mãos nas minhas costas, e a outra passando por trás dos meus joelhos, me pegando no colo. Surpresa, sem autorização meus braços se prendem em seu pescoço. Sinto Rhey me carregando e me sinto estranha, mais de um jeito bom. Segundos depois sinto ele se sentando em algo, comigo ainda em seus braços. Fico ímovel, sentada em seu colo. - só espere - ouço ele falar. Esperar o que? Ele não sabe que estou enlouquecendo com a possibilidade de ficar cega? Ele não percebe que estou literalmente no escuro? Ele não vê que estou ímovel não só por não conseguir mexer as pernas, mas por meu corpo se empolgar em seu colo? De repente sinto seus dedos deslisarem pelo meu rosto, e me arrepio. Fico ímovel enquanto seus dedos passam pelas minhas bochechas, parando um dedo em meu lábio. Uma pessoa não precisa ver a outra para desejar beija-lá. Sem aviso uma luz invade minha visão, e fecho os olhos. Quando volto a abrir, duas lindas e vibrantes esmeraldas me olham. Não desgrudo meu olhar do seu, envolvida naquele verde florescente que nunca vi nada igual. Seu dedo não desgrudou do meu lábio, e não fiz questão de tira-lo. Meu corpo não respondia mais por mim, e sim por ele, ainda em seu colo. Ninguém se mexeu. Ninguém falou. Até respirar parecia difícil. Sua mão desliza para meu pescoço e seu rosto se aproxima do meu. Ele vai me beijar? Eu quero que ele me beije? Meu corpo não se importa com as minhas duvidas e fica à espera de seu beijo. Rezando para seus dedos voltarem a deslizar. O medo e o desejo reverberaram pelo meu corpo. Ansiosamente esperava seu toque. Até que ele fala. - respire Rayra. Como um banho de água fria solto o ar sem perceber que estava segurando. Sinto minhas bochecha queimarem de vergonha e raiva. Raiva de mim, por ser i****a e esperar isso dele. E mais raiva dele!! Ele não podia fazer um grande favor ao meu corpo e me beijar logo ? Meu deus!! Que pensamentos são esses? Me afasto dele, tirando sua mão do meu rosto, e me sentando ao seu lado no minúsculo sofá da sala de leitura, que se encontra completamente vazia. Ainda é intervalo. Leva uns segundos para mim controlar minha respiração e perceber que posso mexer novamente cada parte do meu corpo. Duvidas se formam rápidamente em minha cabeça. - o que...- começo a dizer mais ele me corta. - não vou te explicar. O olho indignada. Como ele pensa em não me explicar tudo isso. - o que? Por que? - digo já frustada e com raiva. - sua amiga está vindo pra cá - diz ele ignorando minhas perguntas e olhando por cima do meu ombro. Me viro e vejo Theyla caminhando até mim com Hanter do seu lado. Hora errada amiga, volta. Volto meu olhar para Rhey. - eu tenho e preciso saber o que está acontecendo. - falo vendo ele continuar a me olhar sem expressão. - por favor eu estou com medo. Não é totalmente mentira. Continuo o olhando esperando que ele me responda antes de Theyla aparecer. Ele se afasta de mim. - passo na sua casa hoje - diz desviando o olhar do meu. Antes que eu possa responder sou interrompida. - Rayra! Por que não veio sentar comigo? Ou pelo menos avisasse que ia ficar com o Rhey, te procurei por todo lugar!! - diz Theyla com Hanter ao seu lado. - eu... vim pegar um livro - digo sem realmente prestar atenção. Minha cabeça ainda estava nas palavras de Rhey. - eu e o Hanter vamos sair mais tarde, sabe, pra se conhecer melhor e tal, vocês vão querer ir ? - diz ela com um sorriso radiante. - eu não - Rhey diz sério. Nossa! Tudo bem, já sei que não gosta de mim, mais seja mais gentil, afinal você acabou de me salvar de novo. - também não quero Theyla, divirta-se vocês - digo tentando não ser grossa. - certo, tudo bem ser só nós dois? - pergunta ela a Hanter, seu sorriso não vacila. - pra mim tudo bem - diz o ruivo, seus olhos azuis brilhando para Theyla. Como esses dois caras podem ser tão lindos? - Ray, depois eu passo na sua casa, tá ? - claro, Theyla! - respondo, mais me lembro do que Rhey falou - mais vou dormir á tarde toda. Pelo canto do olho vejo Rhey dar um sorriso discreto. Ele deve estar rindo de mim!! Achando que eu quero ficar sozinha com ele! Chega disso!! Me levanto ainda com as pernas um pouco bamba. - vamos voltar ao refeitório, preciso comer mais - digo para Theyla, se o que Rhey falou é verdade, não preciso me preocupar em perde-lo de vista. Olho para trás e vejo Theyla e Hanter atrás de mim. Depois disso não vejo mais Rhey pelo resto das aulas. Droga!!
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