CAPÍTULO 2

2270 Words
Dois anos que eu havia deixado Christian e suas tolices. Ele claramente me deixou arrasada ao dizer que não queria ser pai, que eu estava forçando o mesmo a ser pai. Eu não pensei duas vezes a hora que ele saiu. Sair do escala no mesmo instante. Não levei nada, nem roupas, joias, nada, somente meus documentos incluindo o passaporte. Eu tinha em mente ir para casa dos meus pais, porém sei que a realidade iria bater na cabeça dele, e ele poderia vir me procurar, não sei para que. Já que havia deixado bem claro que não queria ser pai. E o mesmo poderia fazê-lo por obrigação. Fiquei na casa dos meus pais por dois dias, era o prazo suficiente para que ele pudesse reconsiderar sua atitude, mas não teve nada. Ele não me procurou, não quis saber de nada. Então eu resolvi seguir minha vida em uma cidadezinha pequena chamada Gallup (New Mexico). É um lugar pouco movimentado, as pessoas mais vem aqui para ver os museus que são referências do local. Com o pouco de dinheiro que tinha e ainda com o que meus pais me deram, eu aluguei uma casinha pequena aqui e fiquei morando. Arrumei trabalho de recepcionista em um dos museus. O salário não é bom, mas também não era tão m*l. Daria para me sustentar até o bebê nascer. Depois eu veria o que eu poderia fazer para mantê-lo. A única coisa que não queria era voltar para Christian, não dava mais para levar um casamento onde as regras dele é a que vale. Casada por dois anos com ele, e o mesmo nunca me disse que queria ter filhos. Chegamos a conversar sobre isso quando casamos, decidimos naquele momento esperar. Mas poxa já estávamos bem, estávamos a dois anos casados e felizes, embora não tenha planejado a gravidez, nunca achei que o mesmo reagiria da forma que reagiu. Renegar o próprio filho, isso jamais vou perdoá-lo. Os meses foram passando e eu mantinha contato com meus pais de um telefone público, onde eles também tinham um telefone pré pago. Do jeito que Christian era louca em sua absurda perseguição poderia grampear os telefones dos meus pais e descobri onde eu estava. Então fiz de tudo para que eu não fosse descoberta. Meus pais me ajudavam muito. Mandavam dinheiro através de uma caixa postal aberta em nome de um amigo do papai e eu tinha a senha. Os meses estavam passando rápido e minha barriga já estava enorme. Eu m*l conseguia andar e trabalhar. Parecia que carregava duas crianças ao invés de uma. Porém algo inusitado aconteceu, minha bolsa se rompeu e infelizmente minha filha nasceu de sete meses, com problemas respiratórios. Tirei minha licença, e fiquei mais no hospital do que em casa com minha filha. Os primeiros meses estavam sendo difíceis. Eu passava o dia todo com ela no hospital, já que desde que nasceu ela não saira de lá. Eu estava esgotada, tinha medo de perder meu único bem precioso. Os médicos não me davam muita esperança. Eles me diziam que ela sobreviveria por milagre. Meu coração estava em pedaços ao ouvir tal comentário. Eu não sabia o que fazer. Meus pais sabiam de tudo que estava acontecendo, porém eu não queria que eles viessem ao meu encontro, pois em uma das ligações com minha mãe, ela disse que a casa estava cercada de seguranças. Com certeza Christian já estava me procurando. Então não podia deixar que meus pais viessem. Passou se sete meses e Phoebe ainda estava lutando por sua vida. Eu estava desesperada. Sozinha, não tinha a quem recorrer. Eu já não trabalhava mais, pois não tinha tempo. Eu me dedicava a ficar com minha filha. Meus pais estavam me ajudando mandado o pouco que eles podiam. Phoebe já iria completar um ano e nada dela sair desse hospital. Ela teve uma leve melhora no quadro, mas ainda era arriscado tirá-la do balão de oxigênio. Imagina um ser pequeno, tão indefeso, sofrendo algo que nem gente grande tem forças às vezes para enfrentar. Minha filha estava sendo uma guerreira. E eu estava todos os dias do lado dela. Eu não poderia fazer diferente, já não basta ter sido rejeitada pelo pai, agora a mãe também faria o mesmo? Não, isso nunca iria acontecer da minha parte. Eu ficarei com ela em todos os momentos. E foi isso que fiz até agora. No seu aniversário de um ano eu levei um pequeno bolo e cantei parabéns para ela. Só nós duas. Ela parecia me ouvir, pois sorria fraco. Eu queria minha menina sã e salva. Eu queria pegá-la no colo e fazer carinho. Não era possível que tudo na minha vida tinha que dá errado. Passado alguns meses com a melhora de Phoebe eu fiquei mais feliz, estava animada, vendo minha filha já sorrindo e tomando leite pela sonda. Meu coração estava alegre novamente depois de tanto tempo. Então eu tomei a decisão de me desligar totalmente de Christian. Já estava mais que na hora. Não tinha mais o que fazer. Eu tinha que dá um fim de uma vez por todas nesse casamento que deixou de existir a muito tempo. Consultei um advogado e pedir a ele para redigir uma carta de divórcio. Quando disse a ele o nome do meu marido ele ficou perplexo. Mas eu não entrei muito em detalhes. Não queria e nem quero ninguém especulando a minha vida. Ele fez tudo que pedir, inclusive redigir uma carta onde eu abro mão de tudo e quaisquer bens dele. Eu não quero dinheiro e nem nada dele. Não quero ser acusada de ter engravidado de propósito para ganhar sua fortuna. Os dias estavam passando e o médico me deu uma esperança que Phoebe poderia sair do hospital. Eu estava muito feliz com essa notícia. O que me deixou triste, foi que Christian não quis assinar o divórcio, mesmo com o advogado o procurando, ele não quis saber do divórcio. Teve a coragem de perguntar pelo filho que o mesmo não quis, nem se preocupou se ele ficaria bem sem ele. O advogado queria saber se tínhamos um filho, eu não confirmou, disse que eu só queria o divórcio. Mas o advogado disse que ele não queria dá é ainda por cima disse que se eu quisesse resolver na justiça, que ele não se importava, que ele estava mais que disposto a enfrentar o divórcio na justiça. Merda. Christian ainda disse que iria me encontrar, ele faria o possível e o impossível para isso acontecer. Porém eu não dei brechas para que isso acontecesse. O advogado foi contratado de Seattle, através de telefone e conferências. Eu só tive que assinar a documentação e mandar para ele. Não há possibilidade de Christian me encontrar e nem quero que isso aconteça. Eu tenho que seguir em frente com minha vida e cuidar da minha filha. Ela não precisa de ninguém mais, só de mim. Com o passa dos dias, finalmente Phoebe foi para casa, ela estava bem, apesar de magrinha, por causa do problema, ela estava bem. Porém não durou muito tempo, pois ela ficou na nossa casa por vinte dias, exatamente vinte dias. Tive que correr com ela para o hospital. Ela estava ficando roxa, não conseguia respirar. E minha vida se transformou novamente. Phoebe foi internada com falta de ar gravíssima. Infecção nos pulmões. Eu só chorava, não sabia o que fazer. Liguei para minha mãe desesperada, pois o médico disse que Phoebe precisava de atendimento particular de urgência, ela precisava de atendimento em um hospital especializado que ficava em New York. Meu Deus o que eu iria fazer, a não ser desabafar com meus pais. Eu sei que precisava ter forças, mas eu não estava tendo. Poderia perder a minha filha. -Mamãe o que vou fazer? Eu não posso perder a minha filha. Digo para minha mãe, em desespero. -Filha você tem que ficar forte, não se desespere, ela vai precisar muito de você. -Eu sei mãe. Mas ela precisa de atendimento especializado. E eu nem sei o que vou fazer. Mãe eu nem estou trabalhando para pagar esse tratamento dela. m*l tenho comido, vivo dentro desse hospital. O que vou fazer? -Ana, você sabe que não temos condição de te ajudar nesse tratamento. Podemos te mandar mais dinheiro, mas sei que não será o suficiente para o tratamento dela. Minha mãe fala e respira forte na linha. Eu acho que chegou a hora de você procurar o pai dela. -Eu não farei isso. Digo firme. -Filha pensa, sua filha está em perigo. Não vale a pena agora sua mágoa por ele ter rejeitado ela. Mamãe fala. -Não é só mágoa mamãe, mas tem o fato de procurá-lo somente pelo dinheiro dele. Pois salvar a vida da minha filha depende do dinheiro dele. Eu não quero isso. Não vou procurá-lo. Falo limpando meus olhos. -Deixe esse orgulho de lado. Pare de pensar no que as pessoas, ou a família dele vai pensar. Pense somente na sua filha, ela é o que importa nesse momento. Não deixe ela morrer por orgulho ferido seu. -Mamãe... Tento falar mas ela me interrompe. -Mamãe nada Ana. Esse é o único jeito de ajudar a sua filha. Ela precisa de você agora. Não desista dela, independente se isso vai custar a sua dignidade. Se for preciso arrasteje para ele. Como farei isso? Apareço do nada e digo que minha filha está morrendo e eu preciso dele? Ficamos mais um pouco conversando, e eu não sei o que fazer. Só sei que não quero jamais perder a minha filha. Passado alguns dias, o médico que estava atendendo Phoebe me diz que virá uma médica de renome ver o caso da minha filha. Estava preocupada com o custo, mas ele me disse que não iria me custar nada, ela era pediatra e pneumologista. Fiquei feliz por isso. Dois dias depois eu estava com minha filha na sala da incubadora e entrou uma médica vestida com suas roupas especiais. Não prestei atenção muito nela, já que estava focada em Phoebe. Ela estava com o médico de Phoebe e veio ate6a mim. Espero que ela consiga tirar minha filha dessa situação. -Srta Steele. O médico de Phoebe me chama. Eu o olho e ele me apresentou a médica que veio ver o caso de Phoebe. Srta Steele essa é a médica que havia te falado. Dra Grace Trevelyn Grey. Quando escutei esse nome. Meu mundo parou. Merda -Anastásia. Grace me reconheceu de cara. Com cara de surpresa. -Oi Dra Grey. Disse e ela me olhou como se tivesse encontrado um ouro. -Anastásia, o Dr Mendes me explicou a situação da sua filha. Eu já peguei os exames dela. Mas antes de ti dar algum diagnóstico, eu quero conversar com você a sós. Quero entender algo. Ela diz e sei que acabou aqui minha vida. Fui descoberta. -Tudo bem Dra. Digo. Ela pedi licença ao Dr Mendes para falar comigo e saímos da sala e ela me pedi para segui-la. Vou até a uma outra sala, e ela me olha assim que fecha a porta. -Você não pensou em nos contatar? Ela diz ríspida. Suspiro pesado. -Não. Digo a verdade. Phoebe é minha filha e de ninguém mais. -Não me venha com essa. Essa menina indefesa é minha neta, filha do meu filho que está louco a dois anos procurando por vocês. E você aqui punindo a mesma. -Eu não estou punido ninguém. E não sei se você sabe, mas seu filho é que não quis ser pai. Ele rejeitou a própria filha, então eu não tinha o porque contatar nenhum de vocês. -Eu sei de toda história, da briga de vocês por causa da sua gravidez. Mas isso não significa que você tenha que deixar essa pequena criança morrer. -Sra Grey. Eu só quero saber da minha filha. O que vai acontecer com ela. Não me interessa nada do seu filho. -Pois eu lamento te informar que eu ligarei para ele informando do que está acontecendo com a filha de vocês. E outra essa menina precisa ser transferida o mais rápido para o hospital em New York. Estarei cuidado dessa transferência também. No mais tarda amanhã levaremos ela para lá. Ela diz eu não sei o que fazer. Christian vai aparecer. Eu não queria isso, mas a vida da minha filha é é sempre vai estar acima de qualquer coisa. -Eu não tenho condição para pagar o tratamento dela. Digo. Grace me dá um sorriso forçado. -O pai dela tem, e os avos dela também. Isso não é problema. Eu nunca deixaria minha neta morrer por negligência da mãe dela. Ela ficou louca, eu não negligenciei nada. -Eu não fui negligente. Falo firme. -Não? Sabendo que não tinha condições desde que ela nasceu, porque não nos procurou? O Dr Mendes me disse que ela está internada aqui desde o nascimento dela. Você poderia ter recorrido a nós, independente da sua situação com Christian. -Não queria que vocês pensassem que eu estava de olho no dinheiro dele, que só apareci por causa disso. Rebato. -Olha Anastásia, não quero discutir aqui com você. Vamos deixar isso para depois, e além do mais meu filho gostará de saber que encontrei vocês. Não digo nada. Saiu da sala com medo do que pode acontecer agora. Não só pelo tratamento da minha filha, mas também, por Christian. Espero que ele não venha dá um de pai amável, que queria ter estado com a filha. Queria que tudo isso fosse um pesadelo. Não só a doença da minha pequena, como também esse reencontro com o pai dela.
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