Ficamos nos olhando, parecendo duas pessoas estranhas. Vejo em seus olhos que ainda está chateada comigo. Mas eu também estou com ela. Vou ao seu encontro e vejo ela se afastar, não adianta ela tentar se afastar de mim, dois anos foi o tempo de tristeza e solidão para mim. E agora ela não sairá da minha vida de novo. Eu juro.
-Oi Anastásia. Falo, mas ela não me responde. Você não acha que temos que conversar? Ainda mais agora, com a situação da nossa filha? Ela não diz nada, não me olha. Olha, você pode não querer falar comigo, mas você vai me ouvir, porque eu estou puto com você. Puto por você ter ido embora sem me deixar consertar as coisas com você, sem me deixar explicar que eu estava com medo de ser pai. Puto por você colocar a nossa filha nessa situação. Você poderia ter recorrido a mim desde o começo, mas não preferiu encarar o problema sozinha, e ainda preferiu que nossa filha chegasse ao estado que estar. Eu me pergunto Anastásia, se nossa filha tivesse morrido, será que algum dia eu iria saber? Será que você me ligaria para me dizer que nós tivemos uma filha e ela morreu por negligência sua? Vejo ela me olhar com raiva. Eu não me importo com o olhar dela. Eu falarei tudo agora, tudo que estou sentindo, porque depois essa mulher não sairá do meu lado, nem se ela quiser. Estou esperando sua resposta. Você não pensou em nenhum momento nela? Não pensou que a mesma poderia crescer perguntar pelo pai? Eu sei que fui um fraco agindo do jeito que agir, sei que não foi uma das melhores recepções que eu havia ti dado, mas fugir, se esconder de mim e ainda sabendo que nossa filha estava correndo risco de vida, eu achei que você poderia ser mais sensata. Que colocasse nossos problemas de lado por causa dela. Mas aqui estamos nós, em um hospital, onde podemos perder a nossa filha. Ela ainda não diz nada, pelo contrário, tenta sair, mas eu seguro seus braços. Não adianta você fugir de novo, eu não vou permitir isso mais uma vez. Nem você e nem@ nossa filha sai desse hospital sem meu consentimento. Digo e ela puxa o braço para sair.
Ela passa por Taylor igual ao furacão, nem dando chance a ele de cumprimentá-la. Chamo Taylor. Ele vem até a mim.
-Taylor quero seguranças em todo hospital, quero dois seguranças vigiando a Sra Grey, não quero que a percam de vista. Qualquer movimento dela suspeito, que ela está ameaçando a ir embora eu quero ser avisado. Falo firme. Sei que ela não sairia daqui sem a filha, mas ela está muito vulnerável
-Sim Sr. Fala Taylor.
Taylor saiu, e eu fiquei ali sentado pensando em que vou fazer. Nós dois temos que nos entender. Temos muito que conversar. Fui até a recepção da ala pediátrica e pedir para falar com Dra Grace Grey. Enquanto minha mãe não aparece. Ligo para Andréia e peço a mesma para entrar em contato com o cartório da cidade Gallup (New Mexico). Verifique o registro da minha filha. Deve está só no nome de solteira de Anastásia. Quero que seja mudado, quero que seja registrada com meu sobrenome. Falo, e ela apenas diz que será feito. Desligo e depois de dez minutos minha mãe aparece.
-Oi mãe. Como minha filha está?
-Ainda não reagiu filho. Os exames mostram que um dos seus pulmões estão muito infeccionado. Se os antibióticos não surtirem efeito, teremos que retirar o pulmão e ver se ela consegue viver somente com um.
-Isso é possível mãe? Questiono preocupado.
-Sim filho, mas como se trata de uma criança, na verdade um bebê, não temos muita esperança. Eu já solicitei que ela entrasse em uma fila de doação de órgãos. Em todo caso se ela não conseguir respirar só com um pulmão, tentaremos o transplante. Ela diz e meu mundo está caindo aos poucos.
-Eu posso vê-la? Questiono com meu coração a mil.
-Não muito. Vou permitir que você entre por cinco minutos. Mamãe diz e me pede para segui-la.
Ela me pede para colocar uma roupa especial para entrar na sala da incubadora. Entro e minha mãe me mostra ela. Tão pequena e frágil. Meus olhos ficam marejados. Como fui um t**o, como permitir que nossas vidas chegassem a esse ponto. Ela abre os olhos e vejo que são os meus olhos nela. Minha mãe ainda está do meu lado.
-Como ela chama mãe? Pergunto em um sussurro. Estou em choque com essa situação.
-Phoebe, Phoebe Steele. Eu vou deixar você um pouco com ela.
-Tudo bem. Mamãe saiu e eu fico aqui encarando esse serzinho que eu reneguei, que precisava e precisa de mim. Meu amor, olha para o papai. Eu prometo a você que farei o possível e o impossível para não deixar nada acontecer a você. Prometo não sair da sua vida nunca mais. Digo em lágrimas. Eu também sou culpado por ela está aqui, sou culpado por não ter sido homem e assumi-la desde o começo. Papai m*l te conhece mas senti um grande carinho por você. E eu não vou me afastar de você nunca mais.
Fiquei ali em lágrimas, olhando para aquele pequeno corpo sem forças. Ela não pode morrer, ela tem que ter forças para sobreviver e eu poder conhecê-la e me desculpar pelo que fiz a ela.
-Me perdoa meu amor. Me perdoa por ter te abandonado na hora que você mais precisava de mim. m*l consigo dizer as palavras pois meu coração está em pedaço vendo ela assim, e meu choro não cessa.
Minha mãe chega perto de mim com a voz embargada diz que temos que sair. Olho pra ela e vejo que ela também estava chorando. Saímos da incubadora e ela já me abraça.
-Mãe por favor, não deixa minha filha morrer. Faça tudo que estiver ao seu alcance. Falo em lágrimas abraçado a ela.
-Calma meu filho. Eu farei. Não se preocupe que eu farei. Você precisa ser forte, precisa se acalmar e além de tudo você precisa consertar as coisas com Ana. Você já a viu? Falou com ela?
-Sim mãe, eu falei, mas ela não quer falar comigo. Digo me desvencilhando dos seus braços.
-Você precisa ter calma com ela também. Ela está sofrendo muito com toda situação. Dê tempo a ela. Fique do lado dela, ela precisa mais que tudo de você agora.
-Eu quero mãe. E eu não pretendo sair do lado dela. Ainda temos muita coisa para resolver.
-Sim filho. Aqui eu tenho que entrar, nós estamos olhando os outros exames dela. Vamos torcer para tudo dá certo. Ela diz e me abraça novamente.
Quebramos o abraço. E ela volta para seu destino e eu sigo para a sala de espera. E Ana já está lá sentada. Sento duas cadeiras depois da dela. Ela não me olha e não diz nada. Eu queria tanto abraçá-la. Eu queria tanto dizer que senti e sinto a falta dela. Queria pedir perdão pela minha fraqueza, mas ela está tão perdida em seu mundo que nem isso eu posso fazer.
Ficamos horas em silêncio, sendo quebrado pelos pais dela. Que entram e abraçam a filha. Carla questiona a ela como a neta está? Ana diz que ainda não sabe. Está esperando notícias. Ray me ver e me cumprimenta formal. Eles devem estar me odiando. Eu o comprimento falando seu nome, pois eles são meus sogros apesar de tudo. Cumprimento Carla que m*l me olha.
Escuto eles dizerem ela que Carla ficará aqui com Ana e Ray terá que voltar para o trabalho. Ana diz a eles que não precisam se sacrificar tanto. Eles já ajudaram ela no que podiam. Ou seja eles sabiam aonde ela estava, p***a, eles poderiam ter me dito. Saio de perto deles, não querendo ouvir mais nada. Sabiam como minha filha estava e não fizeram nada.
Dois dias havia se passado e Carla e Ana não saiam do hospital. Minha mãe sempre vinha dá notícias de Phoebe. Ela estava na mesma. Fui algumas vezes ver ela, assim como Ana e sua mãe. Eu não via Ana comer ou dormir. Ela não estava bem, eu queria poder conversar com ela, poder dizer que ela poderia ir dormir no nosso apto, comer algo que eu ficaria aqui pela nossa filha. Mas ela não tinha me dado oportunidade para conversar com ela ainda. Ela m*l me olhava. Porém ela precisava descansar, comer, assim ela vai ficar doente.
Eliot, Kate e meu pai chegaram no hospital. Eles vieram logo que souberam. Eliot assim que ver Anastásia, lhe dá um abraço de urso. Beijando sua testa. Que p***a é essa. Eu nem tive o direito de abraçá-la, de beijá-la e de reivindicá-la como minha, meu irmão s*******o o faz. Ele. Sabe que desde que o mesmo me apresentou Ana eu morro ciúmes da amizade deles. Ana e Eliot se conheceram primeiro, eles trabalhavam juntos em um projeto de arquitetura. Quando fui apresentado a ela, foi a amor a primeira vista. Começamos a sair, e namorar. Mas sempre tive ciúmes do meu irmão com ela. Eles parecem mais ligados. Kate não ver nenhum problema, mas eu não gosto disso.
Ele questiona a ela por que não entrou em contato com ele. Porque ela entraria em contato com ele, sendo que a filha é minha. Papai me tira do meu pensamento irritante de ver meu irmão com a minha mulher. Papai me pergunta como eu estou, digo que bem. Nunca tirando os olhos da minha mulher e de Eliot, que estão em uma conversa junto com Kate e Carla.
Eliot e Kate vem me cumprimentar. Fico olhando para meu irmão que não está nem aí para mim. Ele nunca se importou com meu ciúmes, sempre disse que Ana não passava de uma irmã. Porém eu não gosto que ele fique pegando nela. Somos interrompidos pela minha mãe que entra com uma cara nada boa.
-Dra Grey, o que houve? Como está minha filha. Ana pede antes mesmo da minha mãe falar algo.
Minha mãe nos olha. E não diz nada. Ela não consegue pois começa a chorar muito. Meu Deus minha filha morreu, vejo Ana cai no chão sendo amparada por sua mãe. Vou até ela e a pego em meus braços. Merda ela desmaiou.