Criados percorriam os corredores carregando bandejas, floristas decorava o Grande Salão com lírios brancos e rosas vermelhas, enquanto sacerdotisas da Deusa da Lua espalhavam incensos pelos altares de pedra.
Na vila, o movimento era ainda maior.
Moradores vestiam suas melhores roupas, comerciantes enfeitavam as fachadas das lojas e crianças corriam pelas ruas tentando conseguir um bom lugar para assistir ao cortejo dos alfas.
Lyra observava tudo pela janela de seu quarto.
Sentia um frio estranho na barriga.
Naquela noite, a Lua de Sangue revelaria os companheiros destinados.
Ela não sabia o que esperar.
Nem sequer imaginava se encontraria o seu.
Uma batida suave na porta interrompeu seus pensamentos.
— Posso entrar? — perguntou Helena.
— Claro.
Helena entrou carregando uma caixa de madeira clara.
Ela a colocou sobre a cama e abriu lentamente a tampa.
Dentro havia um vestido longo de seda azul-clara, delicadamente bordado com pequenas flores prateadas.
Lyra arregalou os olhos.
— Mãe... ele é lindo.
Helena sorriu com carinho.
— Era da sua mãe biológica.
Lyra ficou imóvel.
Helena raramente falava sobre o passado.
— Ela pediu que você o usasse quando chegasse o dia mais importante da sua vida.
Lyra passou os dedos sobre o tecido com delicadeza.
Não conhecia o rosto da mulher que a havia colocado no mundo.
Mas, naquele momento, sentiu como se estivesse recebendo um abraço dela.
— Obrigada...
Helena segurou suas mãos.
— Seja qual for o resultado da cerimônia, nunca duvide do seu valor.
Lyra apenas assentiu.
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Na Fortaleza Draven, Kael terminava de vestir o uniforme cerimonial dos Alfas Supremos.
A túnica n***a era adornada por fios de prata e presa aos ombros por broches em forma de lua crescente.
Sobre o peito, o brasão da família Draven reluzia discretamente.
Elias entrou no quarto.
— Está na hora.
Kael respirou fundo.
— Todos já chegaram?
— Sim.
Os cinco alfas.
O Conselho.
As sacerdotisas.
E praticamente toda a alcateia.
Kael caminhou até a varanda.
Lá de cima, podia ver milhares de pessoas reunidas diante do antigo altar da Lua.
Mesmo acostumado a comandar multidões, havia algo diferente naquela noite.
Seu lobo permanecia inquieto.
Como se esperasse por alguém.
A Lua de Sangue.
O som dos tambores ecoou por toda a fortaleza.
As grandes portas do salão foram abertas.
Os convidados começaram a entrar.