capítulo 18

567 Words
Capítulo 18 – A Jovem de Olhos Tristes Ponto de Vista de Adrian Adrian observava Lyra da varanda de seu escritório. Ela caminhava pelos jardins da Alcateia Aurora segurando uma pequena cesta de flores silvestres. De vez em quando parava para conversar com uma criança ou ajudar um idoso a carregar algum peso. Em apenas dois dias, já havia conquistado o carinho de muitos moradores. Ele sorriu discretamente. Era raro alguém se adaptar tão rápido. Mas o que mais chamava sua atenção não era a beleza dela. Era a bondade. Ela ajudava as pessoas sem esperar nada em troca. Tratava todos com respeito. E, ainda assim, carregava uma tristeza que parecia impossível de esconder. Uma batida na porta interrompeu seus pensamentos. — Entre. O Beta Damon entrou na sala. Era seu melhor amigo desde a juventude e um dos poucos que conseguia ler suas expressões. — Você está olhando para ela de novo. Adrian sorriu de lado. — Estou. Damon cruzou os braços. — E pretende me dizer por quê? Adrian caminhou até a janela. — Porque ela me intriga. — Só isso? O Alfa permaneceu alguns segundos em silêncio. Depois respondeu: — Quando ela me encontrou na floresta, poderia ter fugido. Os renegados eram muitos. Mesmo assim, ela arriscou a própria vida para salvar um desconhecido. Isso diz muito sobre quem ela é. Damon assentiu. — Descobriu alguma coisa sobre o passado dela? Adrian respirou fundo. — Apenas rumores. — Quais? — Que veio da Alcateia Draven. E que foi rejeitada pelo próprio companheiro destinado. Damon arregalou os olhos. — Então é verdade... Adrian virou-se lentamente. Havia indignação em seu olhar. — Se os rumores estiverem certos... Aquele Alfa é um t**o. Nenhum homem pisaria no coração de uma mulher daquela forma se realmente enxergasse seu valor. Damon sorriu. — Está começando a admirá-la. Adrian não respondeu imediatamente. Caminhou até a lareira e observou as chamas. Seu lobo estava estranhamente calmo desde que Lyra chegara. Não havia vínculo. Não havia o chamado da Deusa. Mas existia algo diferente. Um desejo crescente de protegê-la. De vê-la sorrir outra vez. Seu lobo finalmente falou. "Ela merece ser feliz." Adrian fechou os olhos por um instante. Concordava. Mais do que gostaria de admitir. Naquele momento, um criado bateu à porta. — Meu Alfa... — Entre. — A senhorita Lyra pediu permissão para usar a estufa da alcateia. Ela deseja preparar remédios para os guerreiros feridos. Adrian sorriu. Mesmo sendo uma convidada, ela já procurava uma forma de ajudar. — Diga a ela que não precisa pedir permissão. Tudo o que pertence à Alcateia Aurora estará à disposição dela. O criado fez uma reverência e saiu. Damon observou o amigo em silêncio. Depois perguntou: — Está tomando cuidado? Adrian franziu a testa. — Cuidado com o quê? — Com seu coração. O Alfa soltou uma leve risada. — Ela ainda está machucada. A última coisa de que precisa é alguém tentando ocupar um espaço que ainda pertence a outro. Ele caminhou até a janela mais uma vez. Lá embaixo, Lyra conversava com algumas crianças, sorrindo de maneira tímida. Adrian sorriu também. — Não vou apressar nada. Se algum dia ela voltar a amar... Quero que seja porque escolheu isso. E não porque alguém a obrigou. Sem que ele percebesse, seu lobo observava a jovem ao longe com um único pensamento. "Mesmo sem o vínculo... eu a escolheria todos os dias."
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