O rei entendeu uma coisa enquanto via Lisa caçar o arqueiro que atirou a flecha com os olhos escuros semicerrados e desumanos pela floresta.
Ele que era dela e não o contrário. Dinah o aceitou, mas isso queria dizer que ele a pertencia.
A menina batia o pé no chão querendo ir logo, mas se impedia porque queria que eles estivessem seguros primeiro.
Sua serva se cedia a ele na cama porque gostava também, mas só isso. Ali naquele tipo de situação não tinha o controle dela propriamente dito.Sempre seria isso. O poder de a dominar na cama, mas não fora dela e naquele tipo de momento divisor de águas.
O instinto dela era de matar o que entrasse no território dela e tocasse no que ela considerava seu. Dantalian entendeu sem ar e sem saber como reagir que ela o considerava seu assim.
— Vou voltar ao palácio com eles então, querida. — Disse o rei confiando nela e a dando um beijo casto na testa. — Vá e traga a cabeça do maldito.
A moça assentiu, grata e uma vez que eles, aqueles com quem se importava estariam seguros, nada iria segurá-la
Lisa analisou Castor ajudando Agatha e chamando o rei para partirem.
Só assim ela saiu da posição de guarda deles, guardou a espada na cintura de novo junto a adaga e tendo certeza que não tinha mais perigo olhando paranóica para todos os lados saiu correndo em disparada em direção a floresta.
Quando Lisa saiu da clareira e adentrou a floresta dos pinheiros, Castor e Agatha miraram o rei repreensivos por ele ter deixado Lisa ir sozinha.
Eles não percebiam que se Dantalian tivesse a proibido ela o odiaria? Dantalian só usaria sua autoridade como mestre dela quando fosse num momento íntimo deles e não para controlar a vida dela. Que tipo de i****a tenta conter fogo quando ele quer queimar algo que tentou apagá-lo?
— O maldito invadiu o território dela, se eu me meter, ela vai ficar irritada. A amiga de vocês vai voltar com a cabeça dele. Não confiam nela? — Informou o rei aos dois amigos dela tranquilo e sem nem duvidar. — Vamos agora?
Castor percebeu algo estranho quando o rei que ia mais à frente regressando ao palácio se referiu a Lisa como amiga deles, mas resolveu deixar para lá por pensar que ele se referia a Agatha como amiga de Dinah.
Como ele era o rei, Castor e Agatha obedeceram mesmo querendo ir atrás de Lisa também.
…
Dito e feito. Dantalian não se surpreendeu quando a viu, mas escutou uma comoção dos soldados. Viu Amadeo observando a menina boquiaberto.
Dinah entrou no salão do trono ensanguentada, com a aljava do arqueiro repleto de flechas de ferro nas costas e o arco de madeira ao redor do ombro. Ela segurava um pedaço de pele humana nas mãos. A espada dela ensanguentada na cintura e a cabeça do homem em mãos.
Todos os guardas a miraram sem ar e sem reação pela figura diminuta e selvagem. Katharina estudou a moça toda ensanguentada horrorizada, sentada no trono menor ao lado do rei.
Lisa jogou a cabeça do assassino perante Dantalian no trono e a cabeça rolou pelo tapete azul. Katharina conteve o grito de horror tapando a boca quando os olhos da cabeça do homem a miraram sem vida e mórbidos.
— Juro que ia interrogá-lo sobre quem o mandou, mas não saiu bem como planejei— Informou Lisa friamente, coçando a nuca, depois limpando o rosto dos respingos de sangue e estudou o rei que a mirou com um sorriso orgulhoso. — Todavia, eu vi isso aqui desenhado no braço dele e arranquei para vossa majestade ver por si mesmo. Eu ia trazer o.corpo, mas era pesado e eu estava sem corda para amarrar. Tenho permissão de me aproximar, meu rei? .
Dantalian o disse em alto e bom som:
— Sim, querida. Venha.
Lisa tirou a aljava de flechas de ferro das costas, atenciosa a lenda de que ferro puro feria feéricos. E só segura de que não tinha nada de ferro, foi aos degraus que levavam ao trono, os subiu e mostrou a ele o pedaço de pele com um tridente desenhado em azul.
Vendo a confusão do rei, Lisa explicou:
— É o símbolo do reino de Atlas. Na lenda…O deus que rege nosso povo e nosso mar ganhou um tridente do seu pai, o deus do mares, Netuno. Suspeito que esse assassino é da ordem dos magos elementais da água, majestade. Ele tentou chegar ao mar, mas eu fui mais rápida e lancei a adaga nele antes, só que calculei errado e foi direto no coração. Ele já estava morto quando me aproximei. Desculpa..
Dinah matou um homem porque ele invadiu o território dela e tocou naquele com quem ela teve sua primeira vez . O rei estava sem ar e sem fala. Se deu conta do que era aquilo, a menina se sentiu ofendida que tentaram ferir seu parceiro e trouxe a cabeça e um pedaço da pele do maldito que tentou matá-lo como prova. Ela com aquela coragem e posse ainda se desculpava por ter falhado?
— Dinah… — Soltou o rei, perdido.
— Sim, majestade…
— Ele feriu você, meu amor… você está bem? Eu mandei a escolta, mas eles não me trouxeram nada de útil…
A menina corou que o rei perguntou isso na frente daquela mulher que sentava ao lado dele no trono menor de rainha e dos homens do exército dele reunidos pela tentativa de assassinato ao seu monarca.
— Não. Eu não dei tempo nem dele atirar uma flecha antes de lançar a adaga.
— a sua mão, meu bem… — Falou Dantalian cuidadoso. pegou a mão pequena,calejada e suja de sangue dela e a beijou.
— Ah, isso… — ela percebeu o sangue coagulado na mão. — Foi quando aparei a flecha mais cedo. O corte já estava feito Foi só o atrito do cabo da flecha que magoou e não é nada grave.
O rei a puxou para seu colo no trono de vidro e a beijou se melando de sangue também. Lisa tocou o rosto dele, o parando por causa da mulher que os assistia.
— Dinah… não faça mais isso.
— Não podia te olhar sabendo que tentaram te machucar na minha frente e não matei o maldito. — Falou ela.
O coração dele ardeu por ela.