Voltei para dentro. Pouco tempo depois, minha avó acordou. Tentei agir normalmente. Preparei seu café. Separei os remédios. Conversamos sobre coisas simples. Mas minha cabeça estava em outro lugar. De tempos em tempos, eu olhava pela janela. Diego continuava ali. Mais atento do que antes. Em determinado momento, ele levou a mão até o rádio e falou alguma coisa que não consegui ouvir. Aquilo aumentou ainda mais a minha curiosidade. — Vó. Dona Ana levantou os olhos. — Hum? — Você acha que o Corvo está escondendo alguma coisa de mim? Minha avó sorriu de lado. — Minha netinha, eu acho que aquele homem esconderia até o próprio pensamento. — Vó! Ela começou a rir. — Mas você sabe que ele está preocupado. — Eu sei. — E você também sabe que, quando homem se preocupa, às vezes

