Corvo Cheguei em frente ao portão da casa da dona Ana e, como sempre, não demorou muito para o pessoal da rua começar a observar. Era impressionante como naquele morro ninguém tinha nada para fazer quando o assunto era cuidar da vida dos outros. Assim que desci do carro, percebi alguns olhares curiosos. Uma mulher parou de conversar com outra para olhar na minha direção. Dois caras do outro lado da rua diminuíram a voz. Até uma senhora que estava sentada na porta de casa virou o rosto. Olhei para cada um deles. Sem pressa. Um por um. Foi o suficiente. Os olhares começaram a se desviar. — Bando de curioso — murmurei. Do outro lado da rua, Diego estava encostado, observando a movimentação. Assim que me viu, atravessou. — E aí, patrão? — E aí? Ele parou diante de mim. — Don

