Nate ria, jogando pão pros patos. Era algo normal no central park - As pessoas iam alimentar o patos por distração. Alguns paparazzi tiravam fotos, vendo Shawn sentado observando o menino risonho, que após alimentar tentava pegar os patos, mas não incomodavam. Ele não era nenhum tipo de celebridade - só era o mega magnata que mandava em maior parte do país.
Shawn: Nate? - Nate olhou, risonho - Venha aqui, quero conversar com você. - O menino jogou o ultimo pedaço de pão e veio, todo bonitinho, os cabelos lisos balançando no vento do inverno, uma replica do pai bonitão.
Nate: Pronto. - Disse, limpando os farelos da mão na calça.
Shawn: É sobre a sua mãe. - O menino o olhou, os olhos incrivelmente parecidos com Camila (principalmente que agora ambos tinham uma inocência encantadora), esperando - Ela está doente. - Rodeou.
Nate: Ela acordou? - Se precipitou, ansioso. Shawn suspirou.
Shawn: Acordou, mas... - O menino pulou do colo dele, puxando-o pela mão - Nate!
Nate: Me deixe ver ela! Por favor, papai, eu quero ver ela! - Insistiu, pequenininho, tentando fazer Shawn levantar.
Shawn: Filho, vem aqui. - O menino voltou, frustrado - Você senta e ouve tudo que eu tenho pra te contar. No final, te levo pra ver ela. Trato?
Nate olhou, insatisfeito, mas balançou a cabeça, resignado, e se sentou, com uma falsa paciência evidente. Shawn sorriu.
Shawn: Sua mãe está doente. Ela precisa que nós dois, você e eu, cuidemos dela. - Nate olhou, preocupado.
Nate: Ela tomou injeção? - Perguntou, parecendo aflito.
Shawn: Varias. - Admitiu. Nate torceu as mãos, tristonho - Mas se nós cuidarmos dela ela não vai precisar mais.
Nate: O que ela tem? - Perguntou, e Shawn hesitou por um instante. Era agora.
Shawn: Ela não se lembra de nada, filho. - Nate franziu o cenho - Não sabe como comer, como andar, não se lembra de onde moramos, não se lembra de mim... Ou de você. - Disse, cauteloso. - Ela não se lembra de nada.
Nate ficou muito quieto. O peito de Shawn doía ao ver o menino naquela situação. Sabia que esperava, todos esses anos, que quando a mãe acordasse o desse amor e carinho como Madison fazia com Clair. A idéia de que ela não sabia quem era ele o chocara.
Nate: Ela esqueceu de mim? - Perguntou, os olhos tristes, parecendo magoado. Shawn se adiantou, se agachando na frente do filho, que estava sentado no banco do parque.
Shawn: Não foi por querer. Ela não se lembra de mim também. Nem da tia Mad, ou a Soph, ou ninguém. Ela não lembra nada. - O menino continuou abalado.
Nate: Ela não quer ser minha mãe? - Perguntou, olhando as mãos, e parecia a beira do choro. Shawn quase entrou em pânico, exasperado. Estava doendo nele.
Shawn: Ei! É claro que ela quer! Ela quer ver você. - O menino ergueu os olhos, um dos olhinhos marejados, olhando o pai - Ela acordou e assim que eu contei, ela me pediu pra levar você.
Nate: Mas se ela não lembra de mim... - Disse, tristinho.
Shawn: Ela está confusa. Está com medo. Nós temos que cuidar dela. - Disse, e Nate assentiu - Você foi a pessoa que ela mais amou no mundo, Nate. Mais que tudo na vida. Ela vai amá-lo de novo, muito mais agora. - Prometeu.
Nate: Como a gente cuida dela? - Perguntou, olhando o pai.
Shawn: A gente dá carinho. A gente ensina a ela. - Nate franziu o cenho - Você não aprendeu a dar nó no seu cadarço? Eu não te ensinei? - O menino assentiu, um toque de orgulho aparecendo no rosto - Não aprendeu a comer sozinho, sem se sujar? Agora você ensina a ela, porque ela esqueceu.
Nate: Ela não sabe comer sem se sujar? - Perguntou, agora parecendo se comprometer. Shawn respirou fundo, sentindo alivio.
Shawn: Ela esqueceu. - Lembrou. - Eu dei um chocolate pra ela, e ela não sabia comer. Gostou tanto que se lambuzou. - Lembrou, a recordação de Camila lambendo os lábios, toda fofa, riscando sua mente. Nate assentiu - era um garoto com uma missão.
Nate: Eu ensino pra ela. - Prometeu, e Shawn sorriu. - Ela gostou de chocolate?
Shawn: Tanto quanto você gosta. - Nate sorriu. - Mas ela não lembrava que gostava. Aos poucos vamos ensinar tudo pra ela. Eu já contei pra ela que ela é sua mãe. - Disse, organizando a cabeça - Quando chegarmos lá, não pergunte nada a ela, porque ela não tem respostas pra dar. Apenas diga que a ama, que vai ficar tudo bem. - Nate assentiu - Você quer ir agora?
O menino pulou do banco do parque e Shawn se abaixou, carregando-o e abraçando-o forte. O menino o abraçou de volta, os bracinhos curtos abraçando o que conseguiam, e ficou quietinho. Era muito pra uma criança absorver, mas ele digeriu bem a informação. Bastava saber se lidaria com ela tão bem quanto a digerira.
**
Nate pareceu empurrar pro lado a questão de que a mãe não lembrava dele no caminho do hospital. Ao chegar lá já estava quicando de ansiedade. Shawn o levou até o andar de Camila, se batendo com Liam. O riso de Camila vinha de dentro do quarto, divertido, alto.
Liam: Hey, garotão. - Disse, sorrindo pra Nate, mas o menino m*l deu bola, olhando ansioso pra porta do quarto. Shawn também olhava, só que intrigado.
Shawn: Quem está ai? - Perguntou, erguendo a sobrancelha.
Liam: Louis. - Shawn revirou os olhos - Tentei falar com ele sobre esse casamento, mas vou precisar de ajuda.
Shawn: Faremos isso depois. - Disse, apontando o menino. - Nate, fica com seu tio um instante, eu vou avisar sua mãe que chegamos, ok? - O menino assentiu, se balançando no mesmo lugar.
Liam: Shawn. - Ele puxou o irmão, que já havia saído - Você precisa saber... Precisa saber que o menino pode ser o gatilho dela. - A expressão de Shawn se desfez. Ele olhou o filho, que arrumava a roupa, parecendo querer parecer mais apresentável - Foi o maior laço que ela já teve. Precisa estar preparado pra isso.
Shawn olhou o filho de novo, respirando fundo. Não tinha como protelar isso: Nate queria a mãe e Camila, mesmo sem saber, o queria também. Não era algo que ele pudesse evitar. Adiar, no máximo, mas não seria certo.
Shawn: Eu devo isso a ela. - Disse, apesar de parecer preocupado - Ela escolheu morrer pra salvar ele. Ela tem o direito. - Liam assentiu, parecendo satisfeito com a resposta.
Liam: Vai ser interessante. - Disse, e se descobriu ansioso também. Nate agora arrumava os cabelos, que eram lisos, da mesma cor do pai, caindo em duas ondas suaves, partido ao meio, indo até a orelha. Estava perfeito, mas ele continuava ajeitando.
Camila ria quando Shawn entrou no quarto. A cabeceira da cama estava levantada e ela estava sentada, os cabelos longos caindo sobre os braços. Quando ela o viu parou de rir, mas abriu um sorriso lindo, diferente. Era doce, e ao mesmo tempo aliviado. Louis olhou e revirou os olhos, se levantando. Shawn sorriu pra Camila, que retribuiu. Havia mais cumplicidade ali do que se eles tivessem se tocado.
Louis: Er... Oi. - Cortou, e os dois o olharam.
Shawn: Louis... - Ele chamou com o olhar e Louis se aproximou - Nate está aqui. Ajude Liam. - Murmurou. Louis assentiu - E dê o fora. - Completou, pra Camila ouvir, e Louis ergueu a sobrancelha pra ele, saindo.
Camila: Ele é engraçado. - Disse, dando de ombros.
Shawn: Demais até. - Disse, se aproximando - Oi. - Disse, sorrindo pra ela, que abriu um sorriso lindo de volta.
Camila: Oi. Você demorou hoje. Me fez sentir... Ansiosa. - Disse, lembrando a palavra.
Shawn: Você aprendeu a ver as horas? - Perguntou, sorrindo.
Camila: Quase tudo. Você sempre chega quando o ponteiro pequeno está no 9. - Ela apontou o relógio de parede. Eram 10:30. - Eu achei que não viria mais. Quero dizer, não sou a pessoa mais interessante do mundo, eu nem sei... - Interrompida.
Shawn: Eu sempre vou vir. Todos os dias. Até você enjoar de mim. - O sorriso dela aumentou e ele apanhou a mão dela, beijando o nó dos dedos. Camila gostou do carinho. - Se lembra que eu falei do Nate?
Camila: Nosso filho. - Lembrou, de pronto, e ele assentiu. Ela se esticou, abrindo a mesinha do lado da cama e apanhando uma foto revelada do menino - Mad me deu. - Justificou.
Shawn: Eu devia ter feito isso. - Disse, com o cenho franzido - Ele está aqui fora. Nate.
Camila: Oh, eu posso vê-lo? - Ela se ajeitou na cama, ansiosa, e Shawn sorriu.
Shawn: Claro. Vou buscá-lo. - Disse, mas ela segurou a mão dele.
Camila: Não... Espera. - Ela esticou o edredom que azul que cobria as pernas dela, e em seguida a roupa do hospital. Se esticou, pegando na mesma gaveta onde a foto estivera um espelho de mão e ajeitando o cabelo, prendendo um lado atrás da orelha. Ela ainda tinha um tremor breve nas mãos. Shawn fez uma careta, se lembrando de Nate se arrumando, alguns instantes antes. Teve vontade de rir.
Shawn: Você está linda. - Disse, quando ela abaixou o espelho. Camila guardou o espelho e alisou o edredom mais uma vez - Linda. - Repetiu, beijando a testa dela, e ela sorriu, nervosa - Vou buscá-lo.
Shawn saiu pra buscar o menino. O M.M.G.H era um hospital luxuoso: Haviam "salas de espera" espalhadas pelo hospital. As paredes eram feitas de madeira lustrada e vidro, e haviam pequenas ilhas com sofás e poltronas cinza. Em alguns lugares, fontes d'água. Os quartos eram um do lado do outro, com portas de vidro, de correr. Quando se queria privacidade se fechavam as cortinas, também cinzas, venezianas. Camila gostava que ficasse aberta: Tinha uma fonte de água na frente do quarto dela... E também sofás. Liam e Louis se sentaram, falsamente conversando, mas pra assistir a cena. A ansiedade se propagou como um vírus. Shawn buscou o menino, respirando fundo, e voltou.
Parou na soleira do quarto e soltou a mão do filho. Nate já havia estado ali varias vezes, mas agora a mãe dele estava acordada, e o olhava, ansiosa. Era ainda mais linda desperta. Nate e Camila se encararam pela primeira vez, hesitantes, então o menino correu, subindo na cama com algum esforço e abraçando a mãe com força, fazendo os cabelos dela balançarem. Sobressaltou Shawn e Liam, sendo que Liam e Louis se levantaram, mas Camila abraçou Nate de volta, um aparelho branco preso no indicador direito.
Nate: Oi, mamãe. - Disse, a voz embargada, ainda abraçado a ela.
Camila: Oi. - Disse, sorrindo pra ele quando ele a soltou do abraço. Ela acariciou os cabelos do filho, sorrindo também, parecendo fascinada. Shawn quase desmaiou de alivio - ela não lembrara de nada.
Nate: Eu sou o Nate. - Disse, parecendo se dar conta do que fizera e tentando descer da cama, mas ela o segurou.
Camila: Não, fique comigo. - Insistiu, e o menino sorriu, se sentando sobre as coxas. - Você é tão lindo, Nate. - Disse, deslumbrada, sorrindo pra ele.
Nate: Eu vim ver você o tempo todo. Três vezes por semana. - Contou, todo alegre - Mas você estava dormindo, ainda. Mas eu vim assim mesmo.
Camila: Desculpe. - Disse, pesarosa - Seu nome é muito bonito. - Disse, e ele sorriu. Os dois pareciam ter excluído o mundo ao redor, criando uma bolha pra eles.
Nate: Foi você que escolheu, sabia? - Camila hesitou. Ela não sabia - É Nathaniel. - Se apressou em dizer - Mas me chamam de Nate.
Camila: Tão bonito... - Disse, acariciando o rosto dele. Nate fechou os olhos, sorrindo. Era o primeiro carinho de mãe que tinha - Desculpe ter dormido tanto tempo. - Murmurou, triste.
Nate: Eu tentei te acordar, mas não deu. Eu vinha aqui e ficava com você, arrumava o seu cabelo. - Disse, tocando o cabelo dela.
Camila: Você gosta do meu cabelo? - Perguntou, sorrindo pra ele.
Nate: É bonito, e grande. - Elogiou - Agora você acordou e eu tenho uma mamãe. - Animou e ela sorriu pra ele. - Antigamente todo mundo tinha uma, menos eu, mas agora eu tenho você. - Camila sorriu, triste - Não fique triste. Olhe, eu trouxe um presente.
O menino se ajoelhou, metendo a mão no bolso da calça que usava e puxando uma barra de chocolate, meio amassada mas em bom estado. Ele ofereceu a Camila, que riu de leve, apanhando.
Camila: Obrigada. - Disse, abrindo a barra - Você gosta de chocolate? - Perguntou, parecendo não querer desgrudar os olhos dele.
Nate: Muito! Papai não me deixa comer muito, mas eu gosto demais. - Contou, e ela continuou tentando abrir o chocolate. O tremor da mão não ajudava - Sabe, eu acho que você puxou a mim. - Disse, orgulhoso.
Camila: Com certeza devo ter puxado. - Disse, frustrada com o chocolate. A fisioterapia estava ajudando, mas o tremor nas mãos não havia sumido ainda.
Nate: Aqui, eu te ajudo. - Ele apanhou as mãos dela, parando o tremor, e ajudou a abrir. Camila partiu o chocolate, dando metade a ele - Não, é seu. - Recusou, ansioso.
Camila: É meu e eu quero dividir com você. Tome. - Ele pegou o pedaço de chocolate e os dois morderam um naco juntos. Sorriram um pro outro, mastigando, cúmplices, e Camila o puxou pra outro abraço. Ele se deitou do lado dela, deitando a cabeça em seu peito e os dois ficaram comendo chocolate, ela acariciando o cabelo dela e ele abraçando-a pela barriga - Vou pedir ao seu pai pra trazer você sempre que puder. Todos os dias. - Disse, beijando a testa dele. Nate sorriu.
Nate: Você gosta de mim? - Perguntou, erguendo a cabeça, e ela assentiu com vontade, a boca cheia de chocolate. Ele a abraçou de novo, contente - Eu amo você, mamãe. - Murmurou, com a cabeça no peito dela. - Estou feliz que você acordou.
Camila: Eu te amei o tempo todo. - Disse, acariciando o cabelo dele - Mesmo enquanto dormia. - Respondeu, beijando ele de novo.
Do lado de fora do quarto Louis secava o olho discretamente, do lado de um Liam que tinha um sorriso de canto no rosto.
Louis: Eu preciso beber se for passar por essas situações. - Disse, disfarçando e saindo dali.
Liam: Minha irmã vai casar com um alcoólatra. Ótimo. - Disfarçou também, a voz embargada, saindo também.
Shawn sorria, parado na soleira da porta, tomado por um sentimento que ele não conhecia, mas que era forte demais pra ele conseguir controlar, vendo Camila e Nate juntos, dividindo o chocolate. Nem vira o menino contrabandeando o doce. A vida fora generosa com ele. Ele apanhou o controle, fechando a veneziana, dando privacidade dentro do quarto, e entrou. Camila sorriu pra ele, que assentiu, encorajando-a. Aquilo ia dar certo. Aquela era a família dele. Podia ter sido concebida do modo mais estranho possível, mas era a família dele. Ela ia se recuperar e eles iam criar Nate juntos, como devia ser. Ia dar certo. Tinha que dar.
**
De alguma forma, Shawn, Camila e Nate foram parar debaixo do edredom, ela no meio, amparada no peito dele, e Nate abraçado a ela. O retrato da família feliz... Exatamente o que eram naquele momento.
Nate: ...Então eu fui lá e marquei a cesta. - Contou, orgulhoso. Estava atualizando a mãe do que ela perdera enquanto dormia.
Camila: Não é perigoso? Você é muito pequeno. - Disse, preocupada. Pelo que Nate disse a cesta era alta.
Shawn: Conte a ela o que aconteceu depois. - Disse, brincando com o dedo de Camila. Ela estava confortável, recostada no peito dele.
Nate: Bem, eu cai. - Shawn ergueu a sobrancelha - E me ralei. - Camila fez uma careta - Mas o importante é que eu marque ia cesta. - Disse, decidido. Camila repreendeu, balançando a cabeça.
Camila: Você não devia jogar isso. Devia esperar crescer. - Disse, parecendo preocupada.
Shawn: E não devia esperar seu pai se distrair pra aprontar pelas costas dele. - Completou, e Camila riu, achando graça. Nate riu também, travesso.
Liam: Boa noite... O que é isso aqui? - Perguntou, parado a porta.
Shawn: Nos deixe em paz. - Disse, com uma careta.
Liam: Esse hospital é meu. - Lembrou, debochado - Camila precisa de uns remédios, e alguém precisa comer. - Disse, erguendo a sobrancelha pra Nate. O menino se recusara a sair de perto da mãe o dia todo. Ela tentara dividir seu mingau com ele, mas o menino rejeitou com uma careta.
Shawn: Ele está certo. - Repreendeu. Nate olhou o pai, então olhou Camila. Ele se moveu, descendo da cama e Camila o olhou, frustrada - Eu já volto. Liam... - Ele se aproximou do irmão, perguntando algo e os dois saíram do quarto, encostando a porta.
Camila: Você se machucou muito? Fora isso? - Perguntou, preocupada, acariciando o cabelo do menino.
Nate: Não. - Disse, tentando se lembrar - Cai do sofá uma vez, mas só bati o joelho. Papai estava lá. E bem... - Ele hesitou.
Camila: Bem...?
Nate: Uma vez tia Pezz machucou meu braço. - Disse, sem querer fazer intriga, se sentindo na obrigação de fazer um relatório fiel.
Camila: Tia Pezz? - Não vinha em sua mente nada nem ninguém com esse nome.
Nate: É, prima do papai. - Camila negou com a cabeça. Não conhecia - Eu ouvi a tia Soph falando uma vez, acho que ela não pode vir aqui, não sei porque.
Camila: Porque ela machucou seu braço? - Perguntou, prontamente eriçada.
Nate: Eu derramei café no trabalho dela. - Murmurou, envergonhado - Mas foi sem querer. - Se apressou, ansioso.
Camila: E ela te machucou de propósito? - Agora ela estava irritada. Não conhecia o sentimento, mas algo em seu estomago se revoltava.
Nate: Ela me sacudiu. - Camila ergueu as sobrancelhas, ultrajadas - Mas papai chegou logo. Ele ficou furioso. - Lembrou. Camila piscou, confusa com o sentimento r**m que sentia e abraçou o menino, parecendo querer protegê-lo.
Camila: Ninguém nunca mais vai te machucar. Eu não vou deixar. - Prometeu, aninhando-o em seu peito, fêmea que era, protegendo a cria.
Nate: Que bom que você acordou. - Disse, feliz, no abraço de Camila.
Shawn: Ok, agora você vai com seu tio até a lanchonete, jantar. - Disse, voltando pro quarto. Liam esperava na porta. Nate olhou a mãe, desgostoso.
Camila: Vá. Coma bastante, pra ficar bem forte. - Disse, ajeitando a roupinha do filho - Quando voltar conversamos mais um pouquinho. - Prometeu. Nate assentiu, pulando da cama.
Nate: Vou comer bem rápido e volto. - Prometeu.
Shawn: Não tão rápido, vai dar dor de barriga. - Repreendeu, subindo na cama de volta, e Camila se aconchegou nele.
Liam: Tudo bem, eu cuido dele. - Disse, levando o menino. Assim que fechou a porta Nate saiu correndo em direção a lanchonete e Liam, após pestanejar, saiu correndo atrás. Shawn riu.
Camila: Me sinto bem quando você me toca. - Disse, após algum tempo de silencio. Ele brincava com o dedo dela - Me sinto... Segura.
Shawn: Eu nunca vou deixar nada te acontecer. - Assegurou, beijando o cabelo dela.
Camila: Shawn, quem é Pezz? - Perguntou, mordida. Não conseguia tirar aquilo da cabeça. Shawn empedrou.
Shawn: Porque? - Ela se lembrara de Perrie???
Camila: Ela machucou o braço do Nate. Ele me contou. - Shawn suspirou, aliviado - Não gostei. Me fez sentir... Me fez querer bater nela. - Disse, com uma carinha revoltada, e ele sorriu.
Shawn: Pezz é Perrie, minha prima. Foi um acidente. Eu não deixo mais ela chegar perto dele. - Contou, sorrindo.
Camila: Se ela machucar meu filho de novo, eu vou machucar ela. - Garantiu, e ele sorriu abertamente. Era como ver um filhote de gato mostrando os dentes e se achando ameaçador.
Shawn: Vai, é? - Camila assentiu, impassível - Bom pra ela que isso não vai mais acontecer, então.
Ela se deitou no peito dele de novo, confortável, e eles ficaram assim por um bom tempo. Ela olhava ele brincar com a mão dela; era gostoso. Até que algo riscou sua mente.
Camila: Você é meu marido. - Disse, olhando-o.
Shawn: Sou. - Disse, sem entender onde ela queria chegar.
Camila: Nós nos... - O medico havia ensinado a ela a procurar palavras parecidas quando alguma lhe fugisse. Casa, casarão... - Casamos. Nós nos casamos. - Shawn assentiu.
Shawn: Na igreja e no civil. - Confirmou.
Camila: Então nós temos uma aliança? - Perguntou, e ele sorriu, entendendo onde ela queria chegar - Mad tem uma. Soph também. Eu não tenho.
Se acalme comigo e eu serei sua segurança, você será minha dama.
Shawn: Claro que você tem. Olhe. - Ele esticou o braço que estava caído atrás do ombro dela, mostrando a aliança de ouro branco. Ela tocou, sorrindo - Essa é a minha. Eu nunca tirei. Você tem duas, uma de noivado e a de casamento. Estão na nossa casa. Guardei quando o acidente aconteceu.
Camila: Você traz? - Perguntou, satisfeita.
Shawn: Trago amanhã. - Prometeu, e ela se aconchegou de novo, tranquila.
Camila se sentia em paz quando estava perto dele. Sua vida era uma bagunça, e a maior parte do tempo ela tinha medo: Medo do que esquecera, do que perdera, medo do que precisaria aprender... Mas ele afastava a insegurança quando chegava. Ela ficou pensativa depois de um tempo, e ele notou.
Shawn: O que foi? - Perguntou, os lábios no cabelo dela.
Camila: Você é meu marido. - Começou, outra vez. Ele sorriu.
Shawn: Sou. - Confirmou, esperando.
Eu fui feito pra manter o seu corpo aquecido.
Mas estou frio como o vento lá fora, então me segure nos seus braços...
Camila: Antes... Antes do acidente, você sabe... - Ela ruborizou.
Shawn: O que tem? - Perguntou, tocando a bochecha dela, onde o sangue se concentrava.
Camila: Não fique bravo comigo. - Pediu, acanhada.
Shawn: Dificilmente. Me diga. - Encorajou.
Camila: Antes do acidente nós... Nós fazíamos beijo? - Perguntou, e ele ergueu a sobrancelha, surpreso, e riu em seguida - É que eu vi... Eu vi na televisão e eu vi Madison e Niall, eles estavam do lado de fora e eu terminei, eu não lembro é claro se... - Se embolou, acanhada, e ele a interrompeu, sorrindo.
E o meu peito contra o seu peito
Seus lábios pressionam meu pescoço...
Shawn: Não se faz beijo. Se dá beijo, ou se troca. Na maioria das vezes dá. - Ela assentiu, gravando aquilo - E sim, a gente se beijava. - Ela assentiu, absorta em seus pensamentos de novo.
Camila: Você gostava de me dar beijo? - Perguntou, corrigindo o termo como ele ensinara e errando de novo. Ele só sabia sorrir.
Shawn: Muito. - Garantiu, e ela assentiu, parecendo satisfeita consigo mesma.
Camila: Eu gostava? - Perguntou, seguindo sua linha de raciocínio. O modo como ela via as coisas era fascinante.
Eu estou me apaixonando pelos seus olhos, mas eles não me conhecem ainda.
Shawn: Bom, você nunca disse em palavras, mas eu acho que gostava. - Disse, sincero.
Camila assentiu, processando a informação, os olhos azuis concentrados. Então Shawn tocou o rosto dela de novo, dessa vez na maxilar, virando-a pra si, deixando sua intenção clara. Camila engoliu em seco, ruborizando de novo. Ele se aproximou, com cuidado, tocando os lábios com os dela em um selinho demorado, apenas pela pressão, e ela fechou os olhos. Gostou daquilo. Ele se demorou um instante, beijando os lábios dela com carinho, só pelo contato, e ela tocou a mão dele que segurava seu rosto, confortável. No fim ele se afastou, sorrindo pra ela, que piscou duas vezes, sorrindo em seguida. Em sua mente, nunca havia sido beijada.
Shawn: Então? - Perguntou, em um murmúrio. Estavam próximos demais pra precisar alterar a voz.
Camila: Gosto disso. - Decidiu, sorrindo, e o sorriso dele aumentou.
Me beije como se quisesse ser amada...
Você quer ser amada, quer ser amada, quer ser amada...
Shawn: Gosta? - Ela assentiu, sorrindo, os olhos azuis meio arregalados pela vergonha.
Ele se inclinou de novo, tornando a beijá-la, e ela suspirou, satisfeita, a mão no braço dele. Dessa vez ele respirou fundo, abrindo os lábios dela com cuidado. Camila estranhou, mas deixou. Foi um pouco mais molhado, mas era gostoso. Alguns instantes depois havia pego o jeito, e ele se inclinou um pouco, tocando o lábio superior dela com a pontinha da língua. Camila estranhou, abrindo os olhos. Ele a encarou, tentando conter o sorriso.
Camila: O que foi isso? - Perguntou, curiosa.
Shawn: É assim que se beija. - Murmurou de volta, selando os lábios dela.
Camila: Mas sua língua... É assim que se faz? - Ele assentiu, e ela considerou - E o que eu faço?
Isso é como se apaixonar, se apaixonar... se apaixonar.
Shawn: O que você tiver vontade. Não tem um padrão. - Ela assentiu, memorizando, e se esticou, beijando-o de novo. Shawn sorriu, satisfeito.
Os dois passaram pelo mesmo procedimento de novo, mas ela não hesitou quando a língua dele tocou a dela. Hesitou por um instante, e resolveu imitá-lo. Ele dissera que ela devia fazer o que quisesse: Ela queria fazer isso. As línguas dos dois se tocaram, com carinho, e ele apertou o abraço, trazendo-a mais pra perto. Camila suspirou, satisfeita, amparando a mão no peito dele. Decididamente gostava de beijo. Logo os dois se beijavam calmamente, de um jeito carinhoso, cuidadoso, de um jeito que nunca havia acontecido com os dois. Não havia t***o, ou nenhum sentimento violento por trás. Era pelo contato, pelo gosto... Era gostoso de sentir. Nate puxou a porta, ansioso, então parou, com uma careta, a boquinha aberta, uma frase presa no meio do caminho. Liam, que voltou correndo atrás dele, parou também na porta, surpreso, e sorriu. Camila e Shawn não viram a porta deslizar, nem a platéia: Estavam perdidos um no outro agora. Nate parecia dividido entre nojo e fofura, e olhou o tio. Liam fez sinal pra ele fazer silencio e o menino assentiu, decidindo que estava feliz. Naquele momento, pela primeira vez, tinha uma família, uma família completa, feliz. E pelo visto apaixonada, também.