Capitulo 3

4174 Words
Shawn precisou de tempo pra processar aquilo. A informação caia a pequenos pedaços, e ele passou os dias que vieram muito calado. m*l respondia quando falavam com ele, e estava sempre pensativo, os olhos distantes. Camila não acordou. Completados um mês do acidente Shawn recebeu alta, pronto pra outra, e ela continuava no coma. Louis ia lá todos os dias vê-la, e passava um bom tempo apenas observando, como se esperasse capturar algum detalhe que houvesse passado, algum indicio de que ela estava acordando, mas não havia nada. Estava abatido, não tinha mais aquele sorriso no rosto. Shawn: De novo aqui? - Perguntou, entrando no quarto. Louis estava parado, como sempre, olhando Camila, e Aaliyah o abraçava.   Louis: Eu sou amigo dela. - Lembrou, quieto.   Shawn: A propósito, muito obrigado por montar um esconderijo pra ela. Foi muito útil. - Louis desviou o olhar, encarando Shawn.   Louis: Do que está falando? - Perguntou, sem entonação nenhuma.   Shawn: Havia uma fortuna na casa. Dinheiro seu. - Acusou, e Louis franziu o cenho.   Louis: Perdi aquilo pra ela em Las Vegas. - Disse, quieto. Shawn ergueu a sobrancelha.   Shawn: Quase 20 milhões. - Ressaltou. Louis deu de ombros.   Louis: Eu pago minhas dividas. Ela me pediu pra colocar o dinheiro lá, e eu coloquei. - Disse, voltando a olhar Camila - É dela pra fazer o que quiser. Não tente me culpar pelo que aconteceu. Não fui eu que joguei ela de uma ponte. Shawn ficou quieto, se aproximando. A barriga de Camila, na porta dos 3 meses, estava crescendo. Liam estava preocupado. O corpo dela não tinha suporte pra uma gestação do jeito que estava, seria um milagre conseguir se ela não acordasse logo. Mas, apesar de ela continuar do mesmo jeito, o bebê resistia, e a cada dia Shawn se perguntava até quando. Havia desespero nessa pergunta - a possibilidade o apavorava. Louis: Se quer um conselho, aproveite o momento. Seja homem o suficiente pra sentir remorso. - Disse, impassível - Porque se ela morrer, Shawn, o sangue vai estar nas suas mãos. - Completou, e parecendo cansado, pegou a mão de Aaliyah e saiu, deixando Shawn lá. Shawn tocou o rosto de Camila. Os poucos cortes, superficiais, já estavam sarando, mas ela continuava pálida, a pele fria. Respirava pelo impulso do oxigênio no tubo, era muito superficial. Ele baixou a mão, tocando a barriga dela, e contrariando tudo ao redor essa estava firme, ganhando volume gradativamente. Shawn: Vamos, acorde. - Pediu, em um murmúrio angustiado - Acorde e me faça me afastar aos gritos, como sempre, mas acorde. - Completou, observando-a. Camila continuou imóvel. O monitor não se alterou. Ele suspirou, com o peso do mundo nas costas. Nos dias que vieram ela continuou imóvel, como uma boneca de cera. Sabendo disso você pode entender sua surpresa quando, poucas semanas depois, ao chegar no hospital (como fazia todos os dias), encontrou a cama de Camila vazia, e a dona dela de pé.   **   Shawn piscou repetidas vezes, totalmente em choque. Estivera lá na noite anterior, estivera... Havia algumas enfermeiras em volta dela, e Liam estava lá, mas decididamente ela estava de pé! Ele podia ver o topo a da cabeça dela atrás das enfermeiras, estava de pé! Ele tropeçou pra dentro do quarto, quase se batendo com a porta de correr de vidro, totalmente tremulo. Deus o perdoara e o ouvira. Shawn: Ela acordou?! - Perguntou, ansioso, se aproximando. Mas no momento em que chegou perto, notou que havia algo errado. Ela ainda estava presa aos monitores, e estava mole, sustentada pelas enfermeiras pelos braços. Parecia uma boneca de pano. Quando Liam, que vinha examinando-a, soltou a cabeça dela com cuidado, essa pendeu pra frente, os cabelos balançando no ar. Shawn se afastou, aturdido como se tivesse levado um murro no estomago, totalmente horrorizado, e notou uma Sophia com uma aparência abatida assistindo, no canto da sala. Shawn: Liam... - Chamou, exasperado. Ele se aproximou, levantando a cabeça dela, e ela quase tombou a cabeça pra trás, mole. Um enfermeiro assumiu, segurando o pescoço dela - O que...? Porque está fazendo isso?   Liam: Ela estava desenvolvendo isquemia nos membros inferiores. - Disse, e Shawn olhou pra baixo. Agora que olhava o chão, as pernas de Camila estavam presas em um suporte de metal, que faziam ela se mover como se estivesse andando sem sair do lugar.   Shawn: Fale minha língua. - Pediu, sem entender.   Liam: O bebê está crescendo. Ela acabou de fazer 4 meses. É um momento crucial. - Disse, estudando a maquina nas pernas dela - Só que o coração não está suprindo a necessidade por dois. A circulação dela estava se interrompendo a partir dos pés, os dedos estavam cinza. Shawn: E isso...? - Perguntou, horrorizado com a Camila mole, sendo mantida de pé a força.   Liam: Se eu não fizesse nada, ia se espalhar pelos pés e subir pelas pernas. Se não há tratamento, a opção é amputar. - Shawn olhou, aterrorizado - Isso ainda estava em testes, mas está funcionando. Tem mais ou menos uma hora assim, e o sangue está voltando pras pernas dela: Recuperou a cor normal. Está ajudando com a circulação também. - Disse, distraído, olhando um monitor atrás dela. - Vai ajudar o bebê. - Disse, confiante.   Sophia: Ela está sempre na cama, isso não é saudável nem pra uma pessoa normal. A gravidez exige vivacidade do corpo, movimento. - Disse, rouca - Pelo menos dessa vez conseguimos contornar.   Shawn: Me dê ela. - Disse, assumindo o lugar de uma enfermeira, que olhou, em duvida. Mas Liam assentiu e Shawn apanhou metade do corpo de Camila, sustentando o peso.   Liam: Não a tire do chão. - Alertou - É o peso dela que tem que bombear o sangue.   Shawn: Não estou fazendo isso. - Disse, abatido, mantendo-a de pé. Liam chamou o enfermeiro pra ajudar em algo com o aparelho e esse soltou a cabeça de Camila com cuidado. A cabeça dela tombou no peito de Shawn, mole, e ele suspirou - Vamos lá... - Chamou, olhando-a, mas foi a mesma coisa que nada. Ele podia sentir o olhar de Sophia queimando sua nuca, mas não se importava.   Meia hora depois, Liam desligou as maquinas e Camila foi levada com cuidado de volta a cama, a sua posição inicial. Shawn parecia ter voltado da guerra, perante sua expressão ao vê-la na cama de novo. Por um minuto - um minuto maravilhoso - tivera esperança. Os enfermeiros saíram, levando a maquina, e Sophia, parecendo prestes a desabar, saiu também. Liam examinava os dedos de Camila, agora vermelhinhos, e tomava notas. Shawn só olhava o rosto dela.   Liam: Quem vê pensa que você se importa. - Comentou, anotando algo na prancheta.   Shawn: Ela precisa acordar. - Disse, sufocado - Não tem um medicamento, nada...?   Liam: Medicamentos são para coma induzido, esse nunca foi o caso dela. Já chegou aqui assim. Você sabe como funciona. - Ele cobriu o pé de Camila novamente, mexendo na prancheta - Mas talvez você queira ver isso. Shawn olhou, sem curiosidade alguma, e Liam apresentou a pasta que ficava junto com a prancheta de Camila. Tinha ultrassons lá. Não era novidade: Liam monitorava o feto constantemente, por precaução. Shawn olhou a que Liam mostrava e sorriu de canto. Já se podia ver os contornos do bebê, pequenininho. Bem detalhadamente... Detalhadamente até demais...   Liam: É um menino. - Disse, dando voz ao pensamento de Shawn - Parabéns.   Shawn: Quando...? - Perguntou, olhando da ultrassom pra barriga dela.   Liam: Hoje de manhã. - Respondeu, checando os monitores dela - Eu já tinha relances, mas hoje pude ver claramente. Ele quer viver, esse daí. Está brigando. - Disse, regulando o oxigênio dela, com um sorriso de canto - Se continuar bem, daqui a pouco tempo vou monitorizar os batimentos dele pela barriga dela, em separado. Shawn olhou o ultrassom de novo. Os contornos do bebê eram certos, encolhidinho em bola. Tão pequeno, e estava brigando. Liam saiu, parecendo cansado, e deixou Shawn lá. Esse se aproximou, tocando o cabelo dela, que não respondeu.   Shawn: Você ouviu? - Perguntou, observando-a - É um menino. Nosso filho é um menino. - Contou, se sentindo meio bobo de alegria - Ele vai conseguir. - Disse, mais afirmando aquilo pra si mesmo - Vocês dois vão. - Completou, se abaixando e beijando o topo da cabeça dela. Não houve resposta.   Era realmente uma pena que ela não estivesse ouvindo, que não pudesse saber que seu bebê estava lutando tanto quanto ela lutara, que estava bem, crescendo, e que Shawn se importava com isso.     **   Os dias foram se passando, se convertendo em semanas tortuosas. Haviam declines desesperadores e calmarias arrastadas, era torturante. A barriga de Camila não parava de crescer, o bebê estava cada dia maior, mas a mãe dele não reagia. O crescimento do filho era em detrimento dela. Os problemas de circulação pioraram, e surgiram problemas respiratórios, além dos rins, que quase pararam de funcionar, o que levou ela a precisar fazer diálise. A cada piora do quadro dela, a desesperança dos médicos transparecia mais. Shawn passava cada vez mais tempo no hospital. Uma pessoa normal não teria esses direitos, mas sendo quem era não havia quem pudesse pará-lo. Liam: Os rins foram o tiro de misericórdia. - Disse, cansado. Sophia estava abraçada a ele, quieta - O bebê precisa dela, e com o coma é como se ela estivesse ausente, sabe? Ele está lutando só, precisa de ajuda, é muito pequeno pra vencer isso sozinho. - Completou.   Liam e Sophia estancaram na porta do quarto: Shawn parecia ter pensado o mesmo. Camila estava sentada na beira da cama, mole feito uma boneca, os pés balançando. Shawn, o terno largado de lado e as mangas da camisa dobradas, a mantinha sentada, com todo o cuidado por causa dos fios dos aparelhos e o tubinho do oxigênio. Liam parecia ter levado um tapa. Shawn não viu que estava sendo assistido.   Shawn: Tudo bem, peguei você. - Disse, mantendo os braços dela abertos e esticados - Greg esteve aqui hoje de novo. Trouxe mais flores. - Continuou conversando, agora erguendo os braços dela acima da cabeça, segurando-a pelas mãos - Seu quarto está parecendo uma floricultura. Chega a ser irritante. Camila tinha a cabeça mole, caída no peito dele, mas ele continuava como se ela estivesse correspondendo. Após vários minutos com os braços dela no ar ele baixou com cuidado, seguindo em seu monologo.   Shawn: m*l posso abraçar você agora, nosso bebê está cada dia maior. Daqui a 4 meses ele nasce. Talvez menos, Liam disse que ele é forte. - Disse, orgulhoso, acariciando os braços dela pra cima e pra baixo, evidentemente pra fazer o sangue circular - Está vermelho. - Disse, satisfeito, girando os pulsos dela e olhou o aparelho dos batimentos cardíacos - Aumentamos 10 batimentos por minuto, é um começo. - Disse, satisfeito.   Liam: Com licença... Boa tarde. - Shawn se virou no susto e a cabeça de Camila tombou pra trás, os cabelos 3 dedos maiores balançando no ar.   Shawn: Shhh. - Ele apanhou a cabeça dela de volta, apoiando em seu peito - Pronto. - Disse, e virou o rosto pro irmão - Você é i****a ou o que? - Rosnou, irritado.   Liam: Na verdade, sou o dono do hospital. - Disse, cruzando os braços. Sophia observava, quieta - Vai se explicar ou vou ter que chamar a segurança?   Shawn: Estou ajudando ela. Funcionou. - Apontou, obvio - Desde que ela se sentou, e só tem uma hora, os batimentos melhoraram. Você quem disse que estava piorando. - Lembrou.   Liam: E estava. - Disse, parecendo em duvida se sorria ou não, e entrando pra checar os monitores. Shawn deitou Camila com cuidado, ajeitando a cabeça dela no travesseiro e foi pros pés, apanhando um pé dela e começando a girar em círculos - Você é fisioterapeuta ou o que? - Alfinetou, olhando-o.   Shawn: Liam, vai se f***r. - Liam riu - Não tem mais ninguém pra encher o saco? - Perguntou, continuando o que fazia.   Liam: Tenho, mas escolhi você. - Disse, ajeitando o oxigênio de Camila no rosto. Sophia: Cada vez mais curioso. - Comentou pra si mesma, observando Shawn exercitar os pés de Camila.   Shawn a olhou, e ela manteve o olhar dele. No fim ela assentiu uma vez e saiu, sem dizer nada. Ele não ia abrir mão, ela, Madison e quem mais ela quisesse que achassem r**m. Ele não ia deixar Camila morrer daquele jeito, seja qual fosse o preço. Nos meses que vieram, Shawn se tornou quase empregado do hospital. Estava quase sempre lá, trabalhando em Camila, e quando não estava não se sabia bem o que estava fazendo. Quase nunca estava na empresa. Em um sábado a noite Perrie resolveu ir atrás, saber o que era. Chegou ao apartamento e ele estava divinamente vazio, sem a presença desagradável de Camila. Ela sorriu, tranquila, então sentiu um cheiro fraco de tinta. Quase imperceptível. Franziu o cenho, seguindo o cheiro, dava no corredor dos quartos. Então Shawn voltou do outro lado, de camisa e bermuda, descalço, contando uns pedacinhos de ferro na mão. Perrie: Shawn? - Perguntou, estranhando. Ele ergueu o olho.   Shawn: Ah. Oi, Pezz. Aconteceu alguma coisa? - Perguntou, olhando-a.   Perrie: Não, eu só vim ver se você precisav... - Ela parou, olhando pro corredor e franziu o cenho - Você trocou a cor do quarto? A porta do primeiro quarto de hospedes, o mais próximo do quarto de Shawn, estava aberta. A luz estava acesa. Todas as paredes da casa eram brancas, mas a luz que vinha de lá parecia ser... Azul.   Shawn: Certo, não é segredo mesmo. - Disse, passando na frente e entrando no quarto. Ela foi atrás.   Estancou na porta. Os moveis, a decoração, tudo fora arrancado. As paredes ganharam um tom de azul bem clarinho. A luminária fora trocada por uma mais infantil. Havia no quarto um guarda-roupa de criança, grande, luxuoso, branco, uma cômoda no mesmo padrão, um trocador com uma banheira azul marinha acoplada, duas poltronas e um sofá branco, uma cadeira de balanço marfim, alguns armários, um tapete branco felpudo enorme cobria o chão... E o que mais a incomodou: Um berço. Era tão luxuoso quanto o resto, ele estava dando o que havia de melhor pra criança. Era quadrado, de uma madeira branca bonita, com vários floreios, e já possuía um colchão, apesar que desforrado. Havia uma redezinha em volta, pra fechar quando o bebê dormisse. Shawn passou pelo quarto, sem dar bola e subiu na escada próxima a janela. Os pedacinho de ferro eram da furadeira elétrica. Ele instalara uma cortina branca, opaca, com uma franja detalhada em azul claro, na parede onde ficava a vidraça. Isso era o que ele vinha fazendo as escondidas: Um quarto pro filho. Shawn: Pensei em mandar tirar a vidraça daqui, mas a burocracia pra alterar a arquitetura demoraria demais. Não tenho tempo pra isso, logo ele vai nascer. - Disse, confiante, terminando de instalar a cortina, que bloqueava a visão de Nova York atrás.   Perrie: Como...? - Perguntou, enojada com aquilo tudo.   Shawn: Na semana retrasada ouvi Madison e Sophia planejando o enxoval do bebê, já que Camila obviamente não pode. Ele está quase pronto. - Disse, com um sorriso - E percebi que meu filho não tinha um quarto. Era absurdo.   Perrie: Porque você não contratou alguém...? Shawn: Quis fazer eu mesmo. - Disse, dando de ombros prendendo mais um pedaço da cortina. - Demorou mais porque eu quase nunca tenho tempo. Estou sempre na empresa, ou no hospital, então trabalho aqui a noite. Quando o a pintura secou, Gail me ajudou com a equipe de limpeza, deixaram tudo perfeito. Comprei o que precisava pela internet, venho trabalhando nisso... - Disse, dando de ombros.   Perrie: Nunca havia visto você assim. - Disse, exasperada.   Shawn: Você nunca havia me visto como pai. É isso que eu sou agora. - Disse, prendendo o ultimo pedaço da cortina. NY fora bloqueada do lado de fora.   Perrie: Impressionante. - Disse, quieta. O olho dela bateu no interruptor: Havia sido trocado por um infantil.   Shawn: Ainda falta decorar, pôr ursos, essas coisas de criança, mas um passo de cada vez. - Ele desceu da escada, olhando o trabalho - O pesado acabou de ficar pronto. Antes que Perrie pudesse dizer algo, o elevador tocou. Sophia e Madison entraram com alguns funcionários, trazendo sacolas. Madison parou, olhando Perrie ali.   Madison: Então esse era o seu projeto, Shawn? - Perguntou, irônica. Shawn revirou os olhos, vindo até a porta - Me enoja. - Disse, dando as costas.   Shawn: O que é isso? - Perguntou, vendo os funcionário levarem sacolas e mais sacolas pro quarto de Camila.   Madison: O enxoval do menino. - Disse, obvia. - Vamos deixar no quarto da mãe enquanto ele não tem um, e depois resolvemos... - Interrompida.   Shawn: Meu filho tem um quarto. - Defendeu. Madison e Sophia ergueram a sobrancelha e ele apontou pra porta aberta. As duas caminharam até lá, prontas pra fazerem alguma piada depreciativa, mas pararam na porta, sem reação. Era tudo lindo, nos mínimos detalhes.   Sophia: Você fez isso? - Perguntou, meio boba.   Shawn: Nas noites das ultimas 3 semanas. - Disse, olhando o resultado.   Sophia: É... Perfeito. - Disse, entrando no quarto, após descalçar os saltos. Mesmo através da meia calça podia se sentir o quanto o tapete era gostoso. - Liam marcou a cesariana dela pro fim da semana. - Avisou, e Shawn assentiu, ignorando o aperto de ansiedade em seu estomago. Madison caminhou até o canto, na cadeira de balanço. Havia um livro lá, com um marcador na metade.   Madison: Quem é você, e o que fez com Shawn Mendes? - Perguntou, observando-o, enquanto levantava o exemplar de "O Que Esperar Quando Se Está Esperando". Ele revirou os olhos.   Shawn: Só tragam as coisas dele pra cá. - Pediu, quieto.   Os empregados foram buscar as coisas do menino do quarto de Camila, agora levando ao quarto novo. Madison e Sophia se puseram a desembalar tudo, e Shawn ajudou. Perrie permaneceu do lado de fora, se recusando a entrar, amarga.   Sophia: Elas já foram lavadas na água com álcool, pra desinfetar, tudo bonitinho, estão prontas para serem usadas. - Avisou, enchendo uma gaveta com macacõezinhos de bebê.   Madison: Não compramos fraldas descartáveis, nem mamadeiras, porque não sabíamos onde colocar. Mas amanhã resolvo isso. - Garantiu, ajudando Sophia a desempacotar as roupas.   Shawn: A parte de cuidado... Eu não soube o que comprar. - Admitiu, forrando o berço e os travesseirinhos.   Madison: Nós compramos. - Assegurou, tranquila - Produtos de higiene, álcool em gel, pomadas, todo esse tipo de coisa. - Shawn assentiu, agradecendo.   Nas próximas meia hora o resto das coisas foram desembaladas, enchendo o guarda roupa e a cômoda. Perrie permaneceu observando a concentração com que Shawn fazia aquilo. No final ele pediu a opinião das outras, que concordaram que o berço devia trocar de lugar com o trocador, senão o trocador molharia a cortina quando o bebê fosse tomar banho. Shawn concordou, e eles trocaram de lugar. O berço ficou mais ao sul do quarto, e o trocador veio pra mais próximo da porta.   Shawn: Acho melhor não tão perto, a claridade da cidade pela cortina pode incomodar ele. - Disse, afastando o berço da cortina, deixando-o bem distante, e em uma posição ótima. - Perfeito.   Sophia: Porque ela precisou entrar em coma pra você deixar de ser o i****a que era? - Perguntou, e Shawn sorriu. Perrie, que passara despercebida na mudança do menino, saiu dali. Pelo visto Camila entrara em coma mas deixara o filho como estorvo, pra atrapalhar seu caminho. No domingo Madison voltou com um conjunto completo de mamadeiras, além de vários pacotes de fralda descartável, que foram armazenados no guarda-roupa. Sophia trouxe objetos de decoração, e os três se revezaram pondo ursinhos nos armários na parede, coisas assim. No final estava perfeito. Shawn estava satisfeito. Aquele quarto era digno do filho dele.   Shawn chegou no hospital na segunda de manhã, cansado, porém satisfeito. Entrou no quarto e percebeu uma anomalia. Camila tinha o tronco inclinado pra cima, a barriga enorme de oito meses fazendo volume na cama de um modo estranho. Os aparelhos não diagnosticavam nada: A frequência cardíaca dela continuava igual. Ela não tinha acordado. Se aproximou, e ela tinha o mesmo rosto sem vida de sempre, sem emoção nenhuma, apesar de ter o corpo arqueado. Shawn: Ei ei ei, pronto. Eu cheguei, estou aqui. - Tranquilizou, pondo-a de volta a cama. Olhou a maquina separada, que eram os batimentos do bebê. Estavam um pouco mais acelerados, nada demais. - O quarto dele ficou pronto ontem. Está perfeito. Ainda é tempo de você acordar e ver. - Disse, sorrindo - O que... A mão dele esbarrou em algo úmido no edredom. Não havia nada... Até que ele, confuso, ergueu o edredom pra olhar. Havia uma poça de sangue na cama, inundava o avental que ela vestia. Foi por isso que o corpo dela havia se inclinado daquele jeito. Havia alguma coisa errada. Shawn: Ai, meu Deus. - Disse, apavorado, puxando o resto do edredom. As pernas dela estavam manchadas com o sangue que inundava o lençol, porém havia sido mascarado pelo edredom azul - Não, não, não... - Murmurou, entrando em desespero, e apertou o botão pra chamar a enfermeira ao mesmo tempo que abria o celular, tremulo.   Liam: Liam. - Atendeu, neutro.   Shawn: Liam?! É Shawn, venha pro quarto de Camila, agora! - Disse, torturado, totalmente fora de si, passando a mão no cabelo como se quisesse arrancá-lo - Ela está perdendo o bebê. Em um piscar de olhos todos os Mendes estavam lá. As cortinas do quarto de Camila foram fechadas, e Shawn parecia a beira de um derrame. Estava pálido, branco feito a morte, e tremia. Karen: Está tudo bem, querido. - Disse, acariciando os braços dele, que balançou a cabeça negativamente duas vezes, rápido. - Sim, está. Se acalme.   Shawn: Ela estava sangrando, estava... - Ele balançou a cabeça, tentando afastar a imagem - Liam! - Gritou, e a recepção toda se virou para olhar. Liam e a equipe toda saíram do quarto. Shawn deu um passo pra trás. Bom sinal aquilo não era. O irmão, entretanto, veio caminhando tranquilamente.   Shawn: Então?! - Perguntou, dando voz aos diversos pares de olhares presentes. Liam: Se acalme. - Cortou. Shawn grunhiu - A bolsa estourou. Como passou algum tempo até que se fosse visto, houve o sangramento. Já demiti 3 pessoas por causa disso, estou procurando a quarta.   Louis: Pelo que Shawn disse, não dava pra saber. O sangramento estava escondido debaixo do lençol, e as maquinas não avisaram. - Comentou, sentado com Aaliyah no colo.   Sophia: Não importa. - Dispensou, tão rígida como o marido. Os dois dirigiam aquele hospital com mãos de ferro - Eles tinham que estar lá. Se Shawn não tivesse chegado, quanto tempo levaria até saberem que tinha alguma coisa acontecendo? Iam esperar Camila ter um ataque cardíaco, ou o bebê morrer sufocado?   Shawn: Então... - Antecipou, m*l ouvindo.   Liam: Não é nada demais. Nós demos um medicamento pra adiar, quase parar as contrações, e eu mandei preparar a sala pra cesariana. - Disse, tranquilo. Shawn se permitiu respirar fundo, afastando o pânico - Ia ser na sexta-feira, mas o garoto quer nascer. - Disse, dando de ombros. Shawn sorriu.   Shawn: E Camila? - Perguntou, quieto.   Liam: Como sempre. - Disse, pesaroso - Alguns de vocês podem ir vê-la, se quiserem. Deve levar uns 10 minutos até a sala estar pronta. Shawn, Louis e Madison entraram. Camila estava deitada na cama (que já havia sido trocada), o rosto pálido, sem expressão alguma, os braços ao lado do corpo e a barriga enorme fazendo volume. Shawn quis muito que ela estivesse acordada. Madison sentia o coração apertado: Camila fugira por aquela gravidez e a perdera por completo. Louis tinha uma expressão distante observando Camila mole, largada na cama. O riso dela fazia falta, o olhar depreciativo que ela sempre dava a ele. Madison apenas apertou a mão de Camila, mais fria que o normal, como em um desejo de força e saiu. Não suportava assistir aquilo. Louis se aproximou, tocando o cabelo dela. Louis: Eu desafio você. - Brincou, com um sorriso - Qualquer coisa, mas não se atreva a morrer. - Ameaçou, acariciando o cabelo dela. Camila continuou impassível. Então foi a vez de Shawn. Ele queria dizer mil coisas, parado segurando a mão dela, dizer que sentia muito, dizer o quanto lamentava, o quanto queria que as coisas dessem certo... Mas não conseguiu formular nenhuma frase coerente. Shawn: Vai dar tudo certo. - Disse, apertando a mão dela - Você é forte, vai conseguir. Vou estar aqui esperando. - Terminou, se abaixando e beijando a testa fria dela. Ele olhou a barriga dela. Logo teria seu bebê nos braços. Sorriu e deu um beijo ali também, acariciando brevemente, então os enfermeiros chegaram. Shawn viu removerem ela de uma cama pra maca, e ela foi levada. Só restava esperar.  
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD