O mau juiz
Ignácio Cervantes estava sentado em uma cadeira de metal, com os pulsos amarrados atrás das costas e as pernas presas pelos tornozelos. O metal gelado machucava sua pele, mas aquilo já era o menor dos problemas. Tinha saído apenas para buscar pão na porta da padaria, a funcionária lhe entregava sem que ele precisava descer do carro, por isso foi pego só de bermuda e mais anda.. mas sofreu uma emboscada na volta para sua casa... Bateram no carro dele.... o jogando para fora da estrada.. Depois foi tirado do carro com uma arma em sua cabeça.. A arma dele tinha caído no assoalho do carro e ele não conseguiu encontrar a tempo.
Levaram ele e o carro para aquele galpão.
Na frente dele, um homem careca, com o maxilar desalinhado e o rosto marcado por cicatrizes, segurava um alicate em uma mão e um fio desencapado na outra.
— Só precisa dizer o endereço da testemunha… só queremos o endereço da sua testemunha, semhor juiz. Só isso e pode ir embora..
Ignácio travou os dentes imediatamente.
A testemunha tinha denunciado uma gangue da Cidade do México. Se entregasse aquela mulher, não morreria apenas ela. Uma criança de um ano morreria junto. E Ignácio não entregaria um bebê para execução nem se arrancassem cada pedaço do corpo dele.
O homem puxou a primeira unha.
A dor atravessou o braço inteiro como fogo vivo.
Depois veio a segunda.
Ignácio travou o próprio maxilar com força até sentir gosto de sangue dentro da boca, os músculos do pescoço tensionados, a respiração pesada, mas não gritou.Não daria aquele gosto para eles.
Então veio o choque.
O homem encostou o fio nos pés dele, e a descarga elétrica atravessou o corpo inteiro de Ignácio, fazendo a cadeira ranger enquanto ele arqueava as costas involuntariamente. O ar sumiu dos pulmões por alguns segundos.
Mesmo assim, suportou.
Mandou a mente para outro lugar.
Porque sabia que, no instante em que ele saiu da rota programada, o chip implantado em seu aparelho auditivo teria enviado um alerta automático para os seguranças.Se estivesse certo, estavam a apenas doze minutos da delegacia central.
Mas doze minutos sob tortura eram uma eternidade.
Ignácio fingiu um desmaio para ganhar tempo, deixando a cabeça cair para o lado e o corpo ficar frouxo, respirando devagar, como se estivesse apagado.Funcionou por alguns segundos.
Até um dos homens quebrar um dedo da mão dele.
Ignácio abriu os olhos lentamente.
O homem careca sorriu.
— Está guardando o endereço de alguém que não é nada sua. É só uma prost.ituta barata. A gente usa e depois solta, pra que?
Ignácio ergueu os olhos devagar.
E sorriu de volta.
Frio.
Perigoso.
— Vai se fo.der, po.rra. Vai se fo.der junto com v.adia que a sua mãe é..
Nem sabia quem era a mãe do homem, porque não o conhecia.. O homem perdeu o sorriso imediatamente.
Outro sujeito, usando terno escuro, levantou irritado. Esse estava de capuz. Pegou um isqueiro do bolso e caminhou até Ignácio, então queimou as pontas de três dedos dele.
O cheiro de pele queimando tomou o ambiente.
Ignácio xingou alto, enquanto suportava..
Sem implorar.
Sem pedir piedade.
Onze minutos depois, ele escutou sirenes.
Depois passos.
Portas sendo arrombadas.
O homem de terno ainda tentou fugir pela saída lateral, mas foi interceptado antes mesmo de alcançar a porta. Policiais armados invadiram o galpão e renderam os cinco homens presentes.
Ignácio foi solto.
Então viu uma faca caída no chão.
Pegou.
E caminhou diretamente até o homem careca que tinha arrancado suas unhas.
— Doutor, não faça isso — um policial tentou impedir.
Ignácio nem olhou para ele.
— Não faço o quê, por.ra? Me arrancaram unhas. Me queimaram.
O homem começou a se debater no chão no instante em que percebeu o que viria, tarde demais.
Ignácio arrancou um dos dedos dele com a faca.
Depois Ignácio virou na direção do homem de terno, puxou o capuz dele com brutalidade e revelou o rosto.Um senador local.
Ignácio abriu um sorriso pequeno.
Assustador... Arrancou dois dedos dele e aponta da orelaha.
— Vai morrer na cadeia. Na cadeia. Eu faço questão de julgar você.
Cuspiu no homem antes de se afastar.
— Vamos para o hospital, doutor — um policial insistiu.
Ignácio caminhou até a saída ignorando a dor queimando suas mãos.
— Não vou.
— O senhor precisa de atendimento.
— Preciso comer o pão que eu fui buscar.
Entrou no carro.
Fechou a porta.
E apoiou a cabeça no banco por alguns segundos, ia comer seu pão , tomar um banho para tirar o cheiro daquele lugar do corpo..
Depois iria para um bordel, precisa fo.der com força desesperadamente, precisava aliviar o estresse .. Porque tinha trabalho no outro dia pela manhã, e tinha o senador Octavio Figueroa para mat.ar lentamente dentro da cadeia, ia transformar a vida do senador em um inferno , o homem se arrepender de ter se juntado a uma gangue para caçá-lo.