O mau juiz

828 Words
O mau juiz Ignácio Cervantes estava sentado em uma cadeira de metal, com os pulsos amarrados atrás das costas e as pernas presas pelos tornozelos. O metal gelado machucava sua pele, mas aquilo já era o menor dos problemas. Tinha saído apenas para buscar pão na porta da padaria, a funcionária lhe entregava sem que ele precisava descer do carro, por isso foi pego só de bermuda e mais anda.. mas sofreu uma emboscada na volta para sua casa... Bateram no carro dele.... o jogando para fora da estrada.. Depois foi tirado do carro com uma arma em sua cabeça.. A arma dele tinha caído no assoalho do carro e ele não conseguiu encontrar a tempo. Levaram ele e o carro para aquele galpão. Na frente dele, um homem careca, com o maxilar desalinhado e o rosto marcado por cicatrizes, segurava um alicate em uma mão e um fio desencapado na outra. — Só precisa dizer o endereço da testemunha… só queremos o endereço da sua testemunha, semhor juiz. Só isso e pode ir embora.. Ignácio travou os dentes imediatamente. A testemunha tinha denunciado uma gangue da Cidade do México. Se entregasse aquela mulher, não morreria apenas ela. Uma criança de um ano morreria junto. E Ignácio não entregaria um bebê para execução nem se arrancassem cada pedaço do corpo dele. O homem puxou a primeira unha. A dor atravessou o braço inteiro como fogo vivo. Depois veio a segunda. Ignácio travou o próprio maxilar com força até sentir gosto de sangue dentro da boca, os músculos do pescoço tensionados, a respiração pesada, mas não gritou.Não daria aquele gosto para eles. Então veio o choque. O homem encostou o fio nos pés dele, e a descarga elétrica atravessou o corpo inteiro de Ignácio, fazendo a cadeira ranger enquanto ele arqueava as costas involuntariamente. O ar sumiu dos pulmões por alguns segundos. Mesmo assim, suportou. Mandou a mente para outro lugar. Porque sabia que, no instante em que ele saiu da rota programada, o chip implantado em seu aparelho auditivo teria enviado um alerta automático para os seguranças.Se estivesse certo, estavam a apenas doze minutos da delegacia central. Mas doze minutos sob tortura eram uma eternidade. Ignácio fingiu um desmaio para ganhar tempo, deixando a cabeça cair para o lado e o corpo ficar frouxo, respirando devagar, como se estivesse apagado.Funcionou por alguns segundos. Até um dos homens quebrar um dedo da mão dele. Ignácio abriu os olhos lentamente. O homem careca sorriu. — Está guardando o endereço de alguém que não é nada sua. É só uma prost.ituta barata. A gente usa e depois solta, pra que? Ignácio ergueu os olhos devagar. E sorriu de volta. Frio. Perigoso. — Vai se fo.der, po.rra. Vai se fo.der junto com v.adia que a sua mãe é.. Nem sabia quem era a mãe do homem, porque não o conhecia.. O homem perdeu o sorriso imediatamente. Outro sujeito, usando terno escuro, levantou irritado. Esse estava de capuz. Pegou um isqueiro do bolso e caminhou até Ignácio, então queimou as pontas de três dedos dele. O cheiro de pele queimando tomou o ambiente. Ignácio xingou alto, enquanto suportava.. Sem implorar. Sem pedir piedade. Onze minutos depois, ele escutou sirenes. Depois passos. Portas sendo arrombadas. O homem de terno ainda tentou fugir pela saída lateral, mas foi interceptado antes mesmo de alcançar a porta. Policiais armados invadiram o galpão e renderam os cinco homens presentes. Ignácio foi solto. Então viu uma faca caída no chão. Pegou. E caminhou diretamente até o homem careca que tinha arrancado suas unhas. — Doutor, não faça isso — um policial tentou impedir. Ignácio nem olhou para ele. — Não faço o quê, por.ra? Me arrancaram unhas. Me queimaram. O homem começou a se debater no chão no instante em que percebeu o que viria, tarde demais. Ignácio arrancou um dos dedos dele com a faca. Depois Ignácio virou na direção do homem de terno, puxou o capuz dele com brutalidade e revelou o rosto.Um senador local. Ignácio abriu um sorriso pequeno. Assustador... Arrancou dois dedos dele e aponta da orelaha. — Vai morrer na cadeia. Na cadeia. Eu faço questão de julgar você. Cuspiu no homem antes de se afastar. — Vamos para o hospital, doutor — um policial insistiu. Ignácio caminhou até a saída ignorando a dor queimando suas mãos. — Não vou. — O senhor precisa de atendimento. — Preciso comer o pão que eu fui buscar. Entrou no carro. Fechou a porta. E apoiou a cabeça no banco por alguns segundos, ia comer seu pão , tomar um banho para tirar o cheiro daquele lugar do corpo.. Depois iria para um bordel, precisa fo.der com força desesperadamente, precisava aliviar o estresse .. Porque tinha trabalho no outro dia pela manhã, e tinha o senador Octavio Figueroa para mat.ar lentamente dentro da cadeia, ia transformar a vida do senador em um inferno , o homem se arrepender de ter se juntado a uma gangue para caçá-lo.
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