— Se a senhorita está dizendo, eu acredito. - Ele respondeu sorridente.
Kate parou em meio ao jardim e acariciou um Jacinto que nascera a pouco. Um sorriso surgiu em seus lábios. Um sorriso melancólico e repleto de lembranças contadas por outra pessoa que conhecera sua mãe.
— Eram as favoritas de minha mãe, bom, segundo papai eram. - Disse nostálgica.
— Sente muito a falta dela, não é mesmo?
Kate manuseou a cabeça em positivo.
— De certa forma, sim. Mesmo que não a tenha conhecido, sei que as coisas seriam bem diferentes se ela estivesse aqui, talvez eu já tivesse um futuro marido. Seríamos grandes amigas. - Ela sorriu rubra deixando transparecer ao Duque a jovem garota sonhadora que se escondia atrás de tanta grosseria e astúcia. Os olhos de Benedict estavam vidrados nela e de forma alguma ele permitiria que se perdessem. A visão de Kate tão desarmada era encantadora e por Deus, podia tanto se tornar frequente.
— A senhorita gostaria de tê-la conhecido. Não sei se já a disseram, mas vocês são bem parecidas. - Ele sorriu, inclinou o corpo para o lado de Kate e trombou de leve em seu ombro. Era tão bonita quanto a mãe, senão mais …
— Mesmo? - Havia um brilho esplêndido em seus olhos. Já tinha ouvido algumas vezes que se parecia muito com sua mãe, mas nunca de alguém de fora, apenas de seu pai e irmãos, o que a deixava duvidosa, talvez fosse apenas o que eles queriam ver na única mulher da casa.
— Não só fisicamente. Ela também era astuta e inteligente, tinha respostas para tudo, assim como a senhorita. Certa vez, minha babá me trouxe para brincar com Henry. - Ele fez uma pequena pausa, lembrava-se desse dia como se fosse ontem. A mãe havia morrido a pouco e o pai sequer tinha procurado saber como ele estava, o havia deixado nas costas da babá. Benedict respirou fundo e prosseguiu. — Nós estávamos jogando bola na sala, já se pode imaginar o estrago, não é? Eu e Henry éramos crianças com muita saúde. Para não dizer que éramos bagunceiros.
Kate riu e assentiu com a cabeça.
— Henry jogou a bola em um vaso de flores da sala, mais tarde, ficamos sabendo que era preferido dela, jacinto. Sabíamos que estávamos ferrados.
— O que a mamãe os fez? - Ela perguntou impressionada por ouvir a respeito de sua mãe, estava ansiosa pelo desfecho da história. O pai ainda não havia superado a perda e provavelmente nunca iria. Caster e Henry poderiam falar sobre sua mãe, mas não o faziam e Pieter era apenas poucos anos mais velho do que ela quando a mãe se fora, então tinha poucas memórias também.
O Duque sorriu como uma criança que havia acabado de aprontar.
— Ela nos fez escrever cem vezes " não devemos jogar bola na sala " quando terminamos, nossas mãos estavam cheias de calo. Mas ainda tem sim, pegamos a bola e fomos brincar no jardim. Nunca mais na sala, com certeza.
— Creio que ela era bem parecida comigo. - Kate gargalhou e foi acompanhada por Benedict. O silêncio pairou por alguns segundos, e então ela o perguntou : — E o senhor, como foi perder sua mãe, e pai? Ainda sente falta?
Kate perguntou inocentemente sem saber o efeito daquelas palavras em Benedict. Ele sentiu algo se fechar em sua garganta e de repente, não podia respirar. O Duque mexeu na gravata tentando afrouxa-lá, o ar se fazia necessário. Ele engoliu em seco e a olhou firme e desconcertado.
— Foi ... Um ... Prazer passear com a senhorita, com sua licença. - Disse quase inaudível.
Ele fez uma curta mensura e deu de ombros deixando-a para trás sem nenhuma explicação. Kate bufou.
— Quando penso que poderia estar enganada, ele me mostra que de fato é um cretino. - Sussurrou para si mesma e cruzou os braços abaixo do peito.
A conversa estava agradável e pela primeira vez não estavam se atacando, então porque diabos o Duque havia reagindo daquela forma? Kate sabia que ele não havia tido uma infância tão boa graças ao que o irmão a havia contato, mas não poderia ser tão r**m assim afinal.