CAP. 2

907 Words
Kate alternou o peso de uma perna para a outra enquanto tentava se concentrar em manter a língua dentro da boca, mas isso era uma das poucas coisas que o pai não havia conseguido ensiná-la a fazer. Uma das poucas coisas que mesmo tentando Pietro havia falhado grandemente.  — Esse é o glorioso duque que o senhor tanto fala papai? - Perguntou com ironia enquanto mantinha a sobrancelha arqueada e o olhava com pouco caso. — Céus, esperava mais. - Sussurrou por fim.  Ele tossiu, tentando não se engasgar com os maus modos de sua filha. Ele pegou seu braço com rigidez e sussurrou em seu ouvido disfarçadamente. — Katherine, trate o duque com mais respeito. É um duque e velho amigo. Quantas vezes ainda terei de ensiná-la modos?  A dama tentou evitar que seus olhos se revirassem, mas era impossível. — Minha garganta de repente ficou seca papai, diferente do meu vestido, se me dão licença. - Kate disse cortês. Em seguida, se virou para o duque e se curvou em sinal de cumprimento. — Vossa graça. Ela deu de ombros e saiu pisando duro. O duque a observou se afastar, havia um fraco sorriso em seu rosto, um sorriso claramente involuntário. Nem de longe a senhorita era como todas as outras garotinhas que estavam debutando, e desde aquele momento percebeu que ela era uma selvagenzinha, fisicamente incapaz de manter a língua dentro da própria boca. O duque foi disperso pela voz do marquês que suplicava desculpa, fazendo-o voltar a realidade.  — Vossa graça, me perdoe pelo comportamento inadequado de minha filha. Kate anda muito nervosa com os irmãos que não a deixam respirar. É a única mulher entre nós, e a pobrezinha tem muito pouca influência feminina, então … - Ele arfou cansado.  Benedict riu. — Vejo que a senhorita é de muita opinião. Não me assusta, mesmo que vagamente lembro-me da marquesa. - Respondeu nostálgico.  Benedict tinha apenas oito anos quando a mãe de Kate morrera, mas por Deus, havia tido a chance esplêndida de conhecê-la. Por outro lado, a última vez que vira a temerosa garota que o respondia sem pestanejar e tampouco se importava com seu título, ela era apenas um bebê de colo.  — De fato que sim, minha filha é uma garota de muita opinião. - Pietro estava rubro pelas atitudes da filha e teria uma seria conversa com a garota. Mas não sabia o que dizer para melhorar a situação com o duque.  Kate seguiu em passos firmes até seus irmãos que a olhavam confusos, a irmã estava completamente encharcada, seu vestido branco continha uma imensa mancha vermelha e todos a olhavam. — Quem de vocês pode me levar para casa? - Ela perguntou sem muita paciência. Henry ergueu a mão direita com os lábios torcidos.  — Que diabos houve com você? - Maldisse Caster. A irmã apenas bufou e enlaçando o braço ao de Henry e começou a caminhar para a saída do salão, quase correndo.  Kate era mais próxima de Henry do que de seus outros irmãos, de certa forma ele parecia entendê-la melhor do que os outros dois. Caster era sempre como um cão de guarda atrás dela e Pieter seguia fielmente os passos do irmão mais velho. Ambos eram temerosos demais, Henry também, mas um pouco menos.  — O que houve? - Henry perguntou fitando-a com seus olhos verdes enquanto o vento balançava levemente seus fios quase loiros. Kate fez biquinho. Queria chorar, por Deus, queria espernear feito uma criança no meio do salão.  — Minha estreia na sociedade devia ser esplêndida, mas foi um fiasco e além de tudo estou saindo da festa mais cedo por estar ensopada. E o pior, sem um bom cavalheiro interessado em se converter em meu marido.  — Quem a fez isso? - Ele perguntou calmamente ignorando o resto da frase.  — Dopfelth. O duque. Henry a olhou de imediato, havia estudado com Benedict quando crianças e também em Madri já adulto, haviam sido bons amigos por longos anos. — Duque? Dopfelth está na cidade? — Não me diga que ... - Ela fez uma pausa solene. — Vocês são próximos. Henry não a deu importância e prosseguiu. — Deve ter vindo por causa da morte do duque. Eles nunca foram próximos, pensei que não viria. Duque ... - Ele disse pensativo enquanto ria e tentava assimilar alguns pensamentos. — Quem diria. Vou deixá-la em casa e retorno, preciso vê-lo. Lhe asseguro que o xingarei por seu vestido.  Kate o seguiu completamente indignada pelo fato de que seu irmão fosse amigo de um homem tão arrogante, ela sempre vira Henry como a definição de homem perfeito. — Como pode ser amigo de alguém como ele? - Ela perguntou enquanto acomodava-se na carruagem. — O duque? — Decerto. - Kate respondeu com pouca paciência. — É um bom homem, apesar de seus defeitos. Ele foi renegado pelo pai quando era um bebê, o duque alegou que a esposa o havia traído pelo fato de ele ter nascido com a pele mais escura do que o restante da família. Mas lhe asseguro que apesar de bom homem, não é homem para você. Antes que pense na hipótese. Kate engoliu em seco. — Que horror. De fato, não tenho interesse - Sussurrou e em seguida ficou calada, o silêncio reinou até chegarem em casa. Kate queria saber mais sobre a história do duque, mas não queria parecer demasiadamente interessada, pois não estava.
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