REJEIÇÃO

1257 Words
RAFAEL NOGUEIRA _Então? — questionei novamente devido à falta de resposta, suspirando com o seu olhar tonto — olha, eu entendo a surpresa, não é todo dia que alguém como eu propõe em casamento alguém... Como você — sorri — sei que pode parecer um sonho, mas acredite, está acontecendo, você só precisa dizer sim _Não — ela murmurou, ainda em choque e a olhei brevemente assustado antes de entender o que estava acontecendo _Oh, não fique tão nervosa, aqui — ri, entregando-lhe um copo de água — esqueci-me completamente que mentes pequenas podem confundir palavras quando surpresas, desculpe-me _Não, eu quero dizer, eu não posso — ela respondeu após um gole e a olhei totalmente confuso Amanda apertou os lábios antes de beber todo o conteúdo do copo de uma vez, o deixando em minha mesa com firmeza _Eu não posso, eu não sei o que está acontecendo, mas eu realmente não posso me casar com você — ela falou e a olhei incrédulo antes de suspirar _Tudo bem, eu entendo o que está acontecendo – sorri — a senhorita sonha com um casamento amoroso e percebe que não há como alguém tão perfeito se apaixonar por... você — tentei ser gentil e a vi franzir as sobrancelhas, quase em um semblante irritado — e acredite, eu penso o mesmo, mas veja bem, eu estou numa situação em que preciso de uma esposa _E o senhor pensou que eu seria a pessoa perfeita por já lhe aguentar? — ela parecia se forçar a falar _Eu não diria perfeita — franzi o cenho — acho até um exagero, acredito que a palavra certa seja: suficiente — respondi com sinceridade e ela parou como se precisasse de uma pausa _Tudo bem, esqueça, não vou me casar, isto já está decidido — ela levantou-se e a acompanhei, nervoso — procure outra pessoa _Mas isso é... — ela saiu da minha sala, fechando a porta atrás de si e encarei a porta incrédulo O que aconteceu aqui? Será que a Amanda tem algum problema? Isso não é possível! AMANDA RIBEIRO Uns dez minutos depois e eu ainda estava em minha mesa, encarando o nada em uma mistura de emoções conflitantes... Isso n******e estar acontecendo! Suspirei, ainda chocada com os últimos acontecimentos, mas quem não estaria? Simplesmente, o dragão master pediu-me em casamento... O DRAGÃO MASTER!!! Não, não mesmo, eu só posso ter imaginado toda essa situação. Suspirei aliviada, rindo comigo mesma, imagina só Rafael Nogueira pedindo-me em casamento, como se isso fosse acontecer... Fora que eu estaria casando com a fera do escritório, eu só posso estar ficando louca mesmo. Peguei-me imaginando como seria e me repreendi, ainda que sendo o Rafael há um motivo pelo qual não quero que ninguém saiba sobre minha paixão... Na verdade, vários, alguns que são muito óbvios... Mas, acima de tudo, está o fato de que eu já decidi, há mito tempo, que nunca vou casar e não estou pensando em voltar atrás nessa decisão — pensei comigo mesma, atravessando o corredor da morte e encontrando uma cena mais que estranha. Lá na frente do local, de costas para os elevadores, conversando com um funcionário estava a Carol, mas o que a minha prima estaria fazendo aqui? A olhei confusa por um momento, antes da realidade me acordar e eu entender assustada o que significava _Ah, não — me desesperei — Nem pensei nisso, ANA CAROLINA! — gritei no meio do local, correndo até ela Chamando a atenção de todos para mim e, quando ela me viu, arregalou os olhos e entregou apressada um envelope para o funcionário, correndo em direção aos elevadores e apertando o botão, apressada _O que você está fazendo aqui?! — a alcancei e segurei o seu pulso, para que não fugisse _Eu só vim desejar um bom dia para minha prima querida — ela sorriu amarelo, me olhando nervosa _Não me venha com essa, Carol, você está aqui pelo emprego! — acusei e ela olhou-me assustada, quando o elevador abriu _Eu não sei do que você está falando — ela desconversou, soltando o seu pulso — tenha um bom dia, te amo! — ela correu para o elevador, que se fechou em seguida Fiquei encarando aquela caixa de metal ridícula que ajudou a minha prima a fugir, mas em casa ela me ouviria! Quem já se viu? Se candidatar a secretária de um dos Dragões por livre e espontânea v*****e?! Virei para encontrar todo o escritório me encarando, mas, assim que notaram meu olhar, voltaram aos seus próprios trabalhos, disfarçando. Percebendo a silhueta em retirada no corredor, suspirei já prevendo e decidindo encarar meu destino, hora de voltar à minha mesa... _Foi um ‘show’ e tanto lá na frente — Rafael comentou, em frente à minha mesa, mexendo em alguns documentos e, desta vez, usei toda minha força para reprimir o arrepio que sua voz me traz _Claro que o senhor sairia da sua caverna justo naquele momento — resmunguei, aproximando-me _Quem era aquela? — ele virou-se para mim e tentei ignorar seu olhar _Minha prima — respondi de má v*****e, sentando em minha mesa e desbloqueando o computador _A que mora com você? — ele questionou e o olhei surpresa — o que ela fazia aqui? _Como sabe que ela mora comigo? _Estive lendo a sua ficha — ele falou e o olhei ainda mais chocada _O que? _E posso ter feito uma ligação para o seu número de emergência - a sua voz continuou como se não fosse nada e levantei _Espere, o que você está dizendo? Por que estava lendo minha ficha? E o senhor ligou para a Carol?! _Se ela é o seu número de emergência, então imagino que este seja o nome — confirmou e o olhei em questão — o quê? Eu precisava confirmar que não havia outro concorrente, além de pesquisar se você não tinha nenhum tipo de transtorno _Concorrente? Um transtorno? — perguntei ainda mais desacreditada _Sim, embora eu apostasse mais na hipótese do transtorno, já que não há homem algum que pudesse ser um concorrente digno, mas surpreendentemente não encontrei nada — ele me olhou confuso — então pensei em te perguntar diretamente _Você é... — ainda o encarava fixamente, sem conseguir formular nada e notei o seu sorriso crescer, provavelmente esperando algum elogio — inacreditável _Tudo bem, acredito que posso aceitar isso — ele considerou — ainda assim, preciso que me responda _Não, você está ficando louco, eu não me importo com qualquer pergunta que tenha, só... Eu não sei, procure outra pessoa! — pedi, quase desesperada, e vi as suas sobrancelhas franzirem brevemente _Claro, só antes responda a minha pergunta — ele insistiu e neguei, mas depois do terceiro pedido, cedi _Tudo bem! Tanto faz, o que quer que seja, pergunte de uma vez! _Qual o motivo, minimamente aceitável, para recusar casar-se comigo? Quase ri, são tantos, mas todos me levariam a uma demissão, que provavelmente me levaria a ser expulsa do apartamento por não ter como pagar o aluguel, o que assustadoramente me obrigaria a voltar para a casa dos meus pais... Estremeci com horror à ideia e decidi garantir o meu emprego _Não acredito que seja uma boa ideia responder Encerrei a conversa ali, embora Rafael preferiu insistir um pouco mais, antes de bufar frustrado e entrar na sua sala ameaçando diminuir o meu salário, e dando-me mil tarefas com certeza desnecessárias e inúteis durante o resto do dia, claramente uma vingança por resistir ao que ele entende como o seu charme absoluto.
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