Nessa mesma noite Petra teve um sonho que a deixou profundamente angustiada. Ela sonhou que seu marido havia sido morto em um conflito de guerra, ela via nitidamente de um lado, uma bandeira com o brasão do reino de seu pai, do outro, a da igreja cristã. Petra grita durante a madrugada, está molhada de suor e sentada na cama agarrada aos lençóis. Leif , que dormia no quarto ao lado, levanta-se para socorre-la.
—Petra, Petra...que houve, Quem esteve aqui?-ele impunha uma espada para o alto.
—Abaixa essa espada Leif, não há ninguém. Foi um pesadelo, um triste pesadelo de morte. -ela cai em prantos.
—Calma, não fique assim. Posso me sentar ao seu lado?-ela assente.
—Pelo visto deve ter sido algo muito r**m. Não quer dividir comigo?
Ela o abraça aliviada por ver que está bem ali em segurança. Num ímpeto de sentir esse carinho, Leif retribui ao abraço da esposa.
—Calma Petra, foi só um sonho. Não era pra menos, você teve um dia difícil . – ela se afasta e o olha com carinho.
—Você é bem bonita vista assim de pertinho, Petra de Áxteron – risos
—Você também não é nada m*l Rei Leif, tem olhos profundos e tristes. Isso lhe confere um charme especial.
—Obrigado pelo elogio. Vejo que está melhor, vou pro meu quarto. Estarei com a porta aberta caso precise.
—Fica. Por favor! Ela o segura pela mão.
—Quer que eu durma aqui no quarto?
—É meu marido. Pode dormir ao meu lado, não vou lhe incomodar. Mas me sentiria tranquila sabendo que está seguro aqui.
—Você vai me proteger? Vejo que estou subindo no seu conceito.
—Leif, nunca esteve abaixo de nada ou ninguém. Sempre fui imparcial nas decisões que você e meu pai tomaram. A prova é que está vivo após quatro anos de casamento.
—Eu agradeço por ter poupado minha vida. Mas sabe que seu pai lhe armou uma emboscada, só não e entendi o porquê?? Matar um Rei é assinar o decreto de morte.
—Meus pais se amavam mais que tudo nesta vida. Eu não pude evitar como ele imaginava que pudesse. Minha mãe havia abdicado de sua imortalidade por amor a ele. Nada mais justo querer prolongar a sua vida. Acho que meu pai deixou de né amar.
—Mas você ainda o ama, é o que percebo.
—É o pai que me criou com todo carinho e proteção. Como não amar?!
—Você é generosa Petra. Mas sabe que ele poderá vir pessoalmente nos atacar. E aí, como ficará esse amor?
—Não posso te responder até isso ocorrer. Não vou permitir que ambos se matem. Prefiro ficar no meio.
—Não quer ser livre Petra? Seria sua única chance. Se morro, você será livre.
—Continuaria presa a você Leif.
—Como assim?
—Nem sempre a morte pode apagar ou nos liberar de certos compromissos. Um deles é a fidelidade. Serei fiel até o fim. Minha mãe me ensinou isso.
—Eu senti muito por sua mãe, de verdade. Jamais permitiria que alguém fizesse m*l a ela se pudesse evitar.
—Não se culpe, ela vive! Pena que meu pai está cego e surdo para perceber sua presença.
Leif toca suavemente no queixo dela levantando para ver seus olhos. Ele sorri e confessa que se tornou um homem melhor com sua convivência. Ele deita-se, ela também. Ambos se encaram por segundos, Leif se aproxima e beija sua fronte. Petra pode sentir sua respiração forte. Ela se encaixa junto ao seu corpo e se abraçam. Eles adormecem pela primeira vez como um casal. Mas sobre o véu das sombras, Irsa observa essa cena e maldiz dentro de sí, ela sabe que está perdendo sua posição de conselheira e possível rainha. Algo precisa ser feito mais rápido. Mas a Frida não manda notícias por nenhum mensageiro, ela tem pressa. Será que sua irmã foi descoberta por Ásbjorn e está morta?
Ah...Irsa, se você soubesse que os planos mudaram! Sua irmã Frida, que agora responde pelo nome de Marjorie, está se assenhorando no reino de Ásbjorn. Ela deseja ser rainha; chega de ser um pombo correio do m*l. Irsa está sozinha, como vai tecer sua teia maléfica só o tempo dirá.
Manhã...
—Bom dia! Leif estava acordado admirando a beleza da esposa.
—Bom dia Leif, estava há muito tempo desperto me olhando?
—Não, eu acabei de abrir os olhos, escutei um barulho.
—Deve ser as servas no quarto ao lado, devem ter notado que não dormiu lá.
—E daí? Meu lugar nunca foi lá Petra, essa condição era necessária devido as circunstâncias. Mas agora, já consumamos o casamento.
—Leif, eu já estava me acostumando a dormir sozinha, se não se importa!
—Foi tão r**m assim dormir ao meu lado?
—Não é isso. Eu até me senti bem; mas acho que ambos terão mais privacidade.
—Quando eu morrer teremos privacidade Petra.
—Não fale assim Leif! Nunca mais diga que vai morrer.
—Okay. A partir de hoje volto para meu quarto, se precisar é só chamar.
—Certamente, meu Rei. Agora preciso me levantar que os deveres de uma rainha me chamam.
—Vamos nos apressar, após comermos vamos conversar com Vinnie,ele tem algumas idéias que na reunião ficaram de amadurecer.- nesse momento a Irsa chega.
—Bom dia aí casal Real. Como passaram a noite?
—Entrar no quarto real pela manhã, faz parte do seu papel de Sacerdotisa, não sabia!?
—Me desculpe se à importunei Jovem Rainha. Mas esse, é um hábito antigo desde a época da senhora. Ela não se importava.
—Mas os tempos mudaram e com eles os velhos hábitos Irsa. Atente-se aos seus reais compromissos e deixe os aposentos.
Irsa pede licença e sai do quarto cheia de ódio. Seu desejo naquele momento é entregar uma taça cheia de veneno para Petra beber. Leif está fazendo tudo ao contrário do que ela orientou. Para Irsa, a Jovem Petra é uma pedra no seu caminho. Mas como agir diante do Rei caidinho de desejos pela esposa? Irsa precisa ver uma estratégia para retirar de vez Petra do seu caminho.