Reino de Áxteron
No Jantar
—Petra, por que está em silêncio, Por acaso não me vê?
—Claro que o vejo, porém sou obrigada a conversar enquanto me alimento?
—Está ríspida, o que houve?
—Cinismo é seu forte, mas não estou disposta a ter mais aborrecimentos. – ela toma um pouco de vinho e complementa. —Sei o que pensa a respeito de meu pai, pra mim é o suficiente.
—Ora,ora; seu pai lhe esquece aqui sem ao menos preocupar-se se continuou viva, e você ainda o defende?!
—Não importa! Ele é meu pai queira goste ou não!!
—Devia estar agora com ele e sua madastra no reino feliz de Ásbjorn hahaha; o que faz mesmo aqui Petra?- Leif põe um pernil na boca rasgando a carne enquanto a fulmina com os olhos.
—Sim, deveria estar onde meu coração se encontra, ao lado dos meus. Mas fui trocada como uma moeda. Mataram minha mãe, devastaram o coração de meu pai e eu paguei caro por isso.
—Então confessa que odeia está ao eu lado. Diga!!
—Não digo odiar, Leif; mas não há lugar para mim neste reino. Tudo aqui me é sombrio e falso. Poucas são as pessoas em que posso confiar. Nem sei se devo fechar os olhos sequer para dormir.
—Então não confia no seu rei. Se é assim, por que disse que estaria ao meu lado nas batalhas até morrendo por mim?!
—Sou leal e grata acima das minhas prioridades. Estou no seu território, lhe devo obediência e respeito. Se meu pai me entregou a você, no mínimo ele sabia que não era um algoz tão preocupante.
—Então é leal e obediente. Vejo que se deitou comigo por força do respeito. Não sentiu nada! Pois bem, não a quero perto de meus aposentos. E se eu precisar estar com alguma mulher, não venha tomar as dores de rainha abandonada.
—Será a melhor coisa que poderia me acontecer, não ter que me entregar novamente aos seus caprichos.
—Sendo assim, vamos manter as aparências. Mas saberei ser discreto com minhas servas. Elas não vão sair por aí espalhando nada, ou cortarei suas línguas.
—Muito bem Rei Leif, vejo como sabe exigir silêncio quando lhe convém. Agora, se me der licença vou me retirar da mesa. Perdi a fome.
—Pode ir. Sua presença também me fez perder a fome. Vou sair pra beber. Não sei se volto hoje.
—Não me deve satisfação alguma. Com licença, soberano .
Leif bate tão fortemente na mesa derrubando algumas taças; ele não entendi porque Petra não se rende ao seu amor; está perdidamente apaixonado por ela, jamais a deixaria ir embora. Ele não se deitará mais com nenhuma mulher, está entregue aos encantos de sua esposa. Leif fará de tudo pra conquistar sua confiança e aguçar seus desejos por ele. Tudo será uma questão de tempo.
Alguns dias depois...
—Petra,espere! Rendi vem ao seu encontro rapidamente.
—Como está Rendi, não o vejo há dias?!
—Estou bem. Queria lhe agradecer por me levar até Vanilla; ela tem melhorado e voltará logo pra grande sala de leitura. Acho que nossos passeios surtiram efeito para ambos.
—Que bom. Vejo que sua pele está ótima! Já não precisa se envergonhar como antes.
—O sol matinal têm feito maravilhas. Eu tenho conversado muito com a Vanilla, ela me parece ser muito inteligente e bastante agradável.- Rendi fica corado ao falar da Vanilla.
—Que coisa boa meu amigo. Sabia que vocês juntos se fariam bem. Me alegra essa sintonia que há entre vocês.-Leif se aproxima
—Rendi, há tempos não me procura na casa real, mas vejo que tem se encontrado casualmente com a rainha.
—Meu grande amigo, sei que um Rei é muito atarefado, não o procuro por este motivo. Enquanto sua esposa, realmente é por casualidade este encontro. Espero não aborrece-lo por isso.
—Não me aborrece. Mas vejo que sua pele está muito bem. Quem promoveu essa mudança?
—Agradeço as receitas de minha rainha que as pus em prática. Estou praticamente curado, estávamos falando exatamente nisso.
—Então minha rainha faz mesmo milagres pelo que vejo. Sua pele parecia um vulcão expelindo larvas.
—Leif, que comentário desagradável! O Rendi tinha descamações mas não precisa exagerar.- Petra fala franzindo o cenho.
—Calma Rainha, o Leif tem razão. Meu rosto era nojento e assombroso, sem contar que fedia muito. Mas me sinto outro agora, graças aos seus cuidados.
—Não me agradeça. Minha mãe me ensinou tudo o que sei.
—Obrigado, em nome de Elim. Agora preciso ir. Até mais!!
—Que Odim lhe acompanhe Rendi, avise pra Vanilla que a verei na sala de leitura por esses dias.
Leif espera Rendi se afastar o suficiente e pega no braço da Petra apertando o suficiente para ela sentir dor.
—Me solta! Não vê que está machucando meu braço, que significa isso?
—Pensa que sou i****a Petra? Você e esse traidor devem me enganar pelas costas, você se dedicou tanto aos cuidados que ele curou aquela praga no rosto rapidamente, coisa que nenhum mago havia conseguido.
—Se não largar meu braço vou lhe dar um soco!
—Hahaha, você? Duvido!
Petra não responde nada, movida pela dor no braço ela dá um soco de direita bem no nariz do Leif que a solta sentindo o sangue escorrer pela narina.
—Maldita!! Você me acertou. Quem pensa que é pra me afrontar dessa maneira?- Irsa chega pra impedir um escândalo.
—Meu senhor, pare com isso! Todos estão começando a observar. Deixe essa conversa pra casa real. Saiam daqui rindo fingindo um treinamento. Isso não foi nada Inteligente.
—CALE-SE IRSA!!
—A sacedortiza desta vez tem toda razão; não vou ficar aqui me expondo. – Petra dá as costas e sai
—Eu viu atrás dessa ordinariazinha Irsa, ela me acertou em cheio!
—Senhor, senhor; o que mais está doendo não é a dor física e sim moral e sentimental. Não se rebaixe em publico, é isso que ela está buscando.
—Miseravel! Vou cuidar disso. Depois acerto as contas com ela.
—Vamos meu Rei, eu cuido disso. Farei um unguento com alecrim e lavanda. Logo suavizará sua dor.
Irsa acompanha Leif até seus aposentos. Ela percebi que Petra está ativando seus poderes. Isso seria prejudicial se ambos se entenderem de uma vez. Petra aliada ao Leif faria Irsa perder força continuando estagnada como uma sacerdotisa sem valor. Ela teria que seduzir Leif de algum modo antes que fosse tarde demais. Frida havia casado com Ásbjorn não lhe mandando notícias. Será que sua irmã havia mudado os planos?